sexta-feira, 27 de março de 2020

Cor da água pode ser considerada como um atrativo turístico


Em um mundo onde milhões de pessoas não têm acesso à água potável e 40% da população mundial viverá em áreas de escassez de água em 2050, devido aos efeitos do aquecimento global e das alterações climáticas, a utilização eficiente e eficaz dos recursos hídricos tem um significado especial. 

A cor da água pode ser considerada um grande atrativo turístico. Há quem escolha o destino da próxima viagem tendo como base o tom da água.

“Se não houvesse a mistura de componentes químicos dissolvidos na água do mar, ela seria transparente como a água potável”, afirma o professor do Instituto Oceanógrafo da Universidade São Paulo (USP), Belmiro Castro.

Principais tonalidades de águas em pontos turísticos no Brasil, divulgadas pelo Ministério do Turismo:

- Azul – A cor do Poço Encantando, localizado na Chapada Diamantina (BA), tem um efeito cristalino, resultado das águas formadas por lençóis freáticos. A tonalidade não é comum, já que a maior dos poços na região tem a cor âmbar. Em Bombinhas (SC), as praias também variam em tons de azul claríssimos até o quase cristalino.


- Prateado - Na Gruta da Pratinha, também na Chapada Diamantina (BA), e no Rio da Prata, em Bonito (MS), as cores se alternam entre azul anil e um tom esverdeado, com águas claras e transparentes, que refletem brilhos prateados.


- Verde Esmeralda - As microalgas e vegetações aquáticas, quando se misturaram com a água, podem resultar em uma cor esverdeada. É o que pode se observar no Cânion do Xingó, no Rio São Francisco (SE). A cachoeira de Santa Bárbara, em Cavalvante (GO), também impressiona com a mistura das tonalidades azul e verde. A melhor época para apreciar a cor, realçada pelos efeitos dos raios solares, é entre maio e setembro, entre 9 às 14 horas.


- Dourado – As águas douradas da cachoeira do Garimpão, oriundas do Rio Preto, com nascente na cidade de Alto Paraíso, é um dos cartões portais do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Na Ilha Vermelha, em Cabedelo (PB), piscinas naturais se formam com águas transparentes sob as areias douradas. Para quem deseja apreciar o pôr do sol sob raios dourados, a Praia do Jacaré, em Paraíba (JP), é uma das opções.


- Tons escuros – Águas amarronzadas estão predominantemente presentes no litoral do Rio Grande do Sul. Esse fenômeno ocorre devido à proximidade da costa marítima ou à quantidade significativa de material sólido em suspensão que, na maioria das vezes, são removidos com o movimento das ondas. Já na região Amazônica, os tons escuros dos rios Negro e Solimões são resultado da composição química de cada rio, densidade e clima, que contribuem para deixar evidente a coloração preta e marrom das águas.


-Terapêuticas - As águas, além das cores, também podem ter podem propriedades medicinais. Águas de Lindóia e São Pedro (SP), Caldas Novas (GO) e Araxá (MG) são destinos conhecidos pelos benefícios à saúde. Pelo baixo teor de sódio e a alta quantidade de cálcio, as águas terapêuticas podem amenizar a dor de reumatismos, hidratar a pele e não apresentam efeitos colaterais. 


Especialistas no assunto verificaram que as regiões em que as pessoas possuem maior expectativa de vida, e consequentemente, vivem mais tempo e em melhores condições de saúde apresentam algo em comum: uma água de alta qualidade, ou seja, com potenciais alcalinos, ionizados e com as características da água considerada ideal.



Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista, administradora de empresas,economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

Por que os vinhos do Alentejo estão entre os melhores do mundo


O Alentejo, maior região de Portugal, é conhecido por seus deliciosos vinhos, que agradam os mais exigentes enófilos de todo o mundo. Entre os charmosos vilarejos de casas pintadas de branco e estreitas ruas de pedra, um litoral de tirar o fôlego e diversos patrimônios históricos, as vinícolas se espalham pelo território alentejano, embelezando suas paisagens bucólicas e produzindo 106 milhões de litros da bebida anualmente em cerca de 23 mil hectares.

Mas você sabe o que leva os vinhos do Alentejo a terem tanto prestígio entre os amantes dessa bebida? Nós explicamos.


- As castas:

Das 250 espécies de autóctones de Portugal, o Alentejo conta com dez de grande importância – cinco tintas e cinco brancas. Cada uma delas garante características especiais aos vinhos, seja em rótulos com uma única casta ou um blend de várias delas. Em geral, cores ricas, acidez e taninos firmes marcam os tintos, enquanto os brancos costumam ser extremamente aromáticos. As castas mais famosas da região são a Alicante Bouschet (tinta) e Antão Vaz (branca).


- O clima:

Com mais de 3 mil horas de sol anuais, o Alentejo tem condições climáticas perfeitas para a vitivinicultura: grande amplitude térmica no verão e frio seco no inverno. O aumento da umidade coincide com os meses de colheita, o que permite que as uvas amadureçam nas melhores circunstâncias possíveis.
                             

- A tradição:

A região vem produzindo vinhos há centenas de anos. Por mais que os processos se modernizem, existe uma tradição vitivinícola intrínseca entre os alentejanos, além de conhecimentos que foram desenvolvidos ao longo de diversas gerações. Até mesmo algumas das vinhas existentes no território são centenárias, e não é preciso dizer que estas geram vinhos mais que especiais.


- A variedade:

Não há um só jeito de se produzir um bom vinho e os produtores do Alentejo são prova disso. A cada propriedade visitada, é possível ver algo diferente nos processos. Algumas investem em plantações orgânicas e métodos tradicionais, como colheita manual e pisa da uva; outras são modernas, com equipamentos de última geração trabalhando em cada etapa; há propriedades grandes e pequenas, vinhas com uma casta de uva exclusiva e outras que misturam diversos tipos na mesma área; é possível encontrar até mesmo locais que ainda produzem vinho de talha, cuja etapa de fermentação acontece em recipientes de barro, as talhas, como era feito na época do Império Romano. Tais variações resultam em bebidas completamente distintas, mas sempre de altíssima qualidade.


- Sobre o Alentejo:

Considerado o destino mais genuíno de Portugal, o Alentejo é a maior região do país. Privilegiando um lifestyle tranquilo em que a experiência de viver bem dá o tom, conta com belas praias intocadas e cidades repletas de atrações ímpares, como castelos e monumentos históricos. 

Detentor de quatro títulos da UNESCO e diversos outros prêmios e reconhecimentos internacionais no setor do turismo, o Alentejo oferece opções para todos os tipos de viajantes, sejam famílias, casais em lua de mel ou aventureiros. A promoção turística internacional do Alentejo é co-financiada pelo Alentejo 2020, Portugal 2020 e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). 


Fonte: Jessica Ferreira

Covid-19 altera leis trabalhistas e muda rotina de empregado



Desde que o Brasil declarou Emergência de Saúde Pública, em 2 de fevereiro, já foram editadas 40 normas legislativas a respeito do coronavírus Covid-19. Uma das mais recente dispõe sobre as medidas trabalhistas.

A Medida Provisória (MPV) nº 927, garante que durante o estado de calamidade pública, o empregado e o empregador poderão celebrar acordo individual por escrito a fim de garantir a permanência do vínculo empregatício.

Este acordo pode liberar o teletrabalho, antecipar as férias individuais, conceder férias coletivas, aproveitar e antecipar feriados. Também trata do regime especial de compensação de jornada – por meio de banco de horas –, da suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho e do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo o advogado Fabricio Posocco, do Posocco & Advogados Associados, as regras são temporárias. “Elas são válidas até 31 de dezembro deste ano, em respeito ao Decreto Legislativo nº 6/2020, que reconheceu o estado de calamidade pública em todo território nacional”.

- Home office:

A MPV flexibiliza o regime de trabalho a distância. O empregador pode aplicar o home office para todos os funcionários, incluindo aprendizes e estagiários, sem precisar de autorização do empregado ou do sindicato, nem seguir o que está no contrato de trabalho.

Para oficializar, o empregador precisa informar o empregado por escrito, no prazo mínimo de 48 horas. Essa comunicação pode ser enviada por e-mail ou outro método que preferir.

Se o funcionário não possuir os equipamentos e a infraestrutura necessária. A empresa deve fornecer, provisoriamente, e pagar os custos, sem que seja descontado do salário.

- Férias:

Os trabalhadores que pertencem ao grupo de risco do coronavírus (idoso, pessoa com hipertensão, obesidade, diabetes e outras doenças prévias) têm prioridade para o gozo de férias individuais ou coletivas.

Com a MPV, as férias passam a ser determinadas pelo empregador. Todo o funcionário, independentemente do tempo de serviço – incluindo pessoa com contrato com menos de um ano –, poderá tirar férias de no mínimo cinco dias corridos.

O pagamento das férias poderá ocorrer até o quinto dia útil do mês posterior ao início das férias. O adicional de um terço previsto na Constituição Federal poderá ser feito imediatamente ou até o dia 20 de dezembro de 2020.

Já as férias ou outras licenças não remuneradas dos profissionais da saúde poderão ser suspensas.

Em todos os casos, o empregador deve avisar o funcionário com 48 horas de antecedência, por escrito.

O colaborador que deseja vender parte das férias, ao contrário do que ocorre em situações normais, só poderá converter 10 dias de gozo férias em dinheiro se a empresa concordar.

- Feriado:

A Medida Provisória 927 informa que, desde que avise o funcionário no prazo de 48 horas de antecedência, o empregador pode compensar os dias de paralisação de suas atividades com futuros feriados civis, como 21 de abril, 1 de maio, 7 de setembro, 15 de novembro e 25 de dezembro.

Para os feriados religiosos exige-se a concordância do empregado, manifestada por escrito.

Os feriados civis também poderão ser utilizados para compensação do saldo em banco de horas.

- Banco de horas:

Muitas empresas diminuíram ou paralisaram as suas atividades. Para recuperar o período interrompido, a jornada de trabalho poderá ser estendida em até duas horas, sem exceder dez horas diárias.

A Medida Provisória diz que a compensação do saldo de horas poderá ser determinada pelo empregador, independentemente, de convenção coletiva ou acordo individual ou coletivo.

- Exames:

A realização dos exames médicos ocupacionais, clínicos e complementares estão suspensos. Eles deverão ser feitos em até 60 dias após o encerrado o estado de calamidade pública.

O exame demissional pode ser realizado normalmente. Todavia, se o empregado fez o exame médico ocupacional há menos de seis meses, ele pode ser dispensado do exame demissional.

Já os treinamentos periódicos e eventuais dos atuais empregados, previstos em normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho, estão vetados. Eles poderão ser realizados em até três meses após tudo se normalizar.

- FGTS:

O recolhimento do FGTS poderá ser suspenso. Os depósitos referentes aos meses de março, abril e maio de 2020 podem ser realizados de forma parcelada, sem a incidência de atualização, multa e outros encargos, salvo se houver desligamento do empregado.

O empregador poderá quitar o FGTS em até seis parcelas mensais, com vencimento no sétimo dia de cada mês, a partir de julho de 2020. Para isso, ele precisará declarar as informações, até o próximo dia 20 de junho ao órgão competente.

- Estabilidade:

O funcionário que for contaminado com o Covid-19 não tem direito a estabilidade no emprego.Isso acontece porque o coronavírus não é considerado doença ocupacional.

Nesta situação, apenas os trabalhadores que atuam diretamente no combate da doença, como os da área da saúde, podem ter os empregados garantidos.

- Redução de salário e jornada de trabalho:

Mesmo não estando na Medida Provisória 927, a redução de salário e da jornada de trabalho podem ser concedidas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante esse direito ao empregador em dois casos:

- Artigo 611-A, parágrafo 3, frisa a necessidade da negociação coletiva com o sindicato. Quando pactuada a cláusula que reduza o salário ou a jornada fica determinado a proteção do emprego dos funcionários.

- Art. 503 trata sobre a diminuição salarial. Em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, o salário do empregado da empresa pode ser reduzido em até 25%, mas nunca inferior ao salário-mínimo da região.


Fonte: Fabricio Posocco, advogado do Posocco & Advogados Associados

quarta-feira, 25 de março de 2020

Enquanto uns choram, outros vendem lenços. Acima do preço.


"Vendedor acumula 17 mil garrafas de álcool em gel, mas não pode mais vendê-las", diz a manchete do jornal. Nos Estados Unidos, os irmãos Matt e Noah Colvin compraram milhares de garrafas de álcool em gel e outros itens, como lenços antibacterianos, em diversas lojas. A ideia era lucrar com a lei de oferta e demanda em tempos de COVID-19. 

Os dois anunciaram esses produtos na Amazon e, em uma hora, conseguiram vender 300 garrafas de álcool em gel a um preço exorbitante. Depois foram obrigados pela própria Amazon a retirar esses produtos, já que ela segue orientações do governo americano para coibir excessos de especulação em tempos de desespero generalizado.

Na Califórnia, é proibido aumentar preços em mais de 10% em casos de emergência. Nova York proíbe aumentos excessivos e, em Washington, há possibilidade de aplicar leis de defesa dos consumidores nesses casos. A França decidiu tabelar o preço do álcool em gel e coibir preços abusivos. Por lá, a marca mais comercializada aumentou em 700%. Aqui no Brasil, o preço do álcool em gel e das máscaras subiu até 161%.

Sou a favor da liberdade de mercado, acredito que quanto menos intervencionismo, os mercados fluem melhor, na maioria dos casos. Porém, eventualmente existem falhas. Na economia, a falha de mercado é uma situação específica na qual a alocação de bens e serviços por um mercado livre às vezes é ineficiente. Como no caso dos irmãos Matt e Noah, houve uma perda líquida de bem-estar social e beneficiamento às custas de uma das piores crises sanitárias mundiais das últimas décadas.

O momento atual, pelo qual o mundo todo está passando, foge de qualquer condição de previsibilidade. A incerteza e o medo fazem com que os mercados ajam de forma irracional e oportunista. É só ver a quantidade de circuit breaker - interrupções de negociações na bolsa brasileira - realizada nas duas últimas semanas. Portanto, pensar que, nesses momentos, o auto equilíbrio de mercado funcionará, é ingenuidade. Preços altos de produtos de primeira necessidade – para fazer frente à pandemia da COVID-19 – impedem que pessoas de baixa renda e de grupos de risco tenham acesso a eles. 


Além disso, uma inflação desses produtos ocasiona prejuízos coletivos, já que hospitais e centros de saúde comunitários podem ter problemas de abastecimento. Benefício de alguns, prejuízo de quase toda a economia. Além do mais, esse tipo de especulação pode ocasionar uma corrida intervencionista e de limitação de lucros por parte dos Governos em outros setores que não precisam ser regulados.

De qualquer forma, o momento atual exige que o Governo use recursos públicos para disponibilizar bens e serviços que o mercado não dá conta. Com a possível declaração de Estado de Calamidade Pública, que poderá ser decretada pelo Governo nos próximos dias, espera-se uma maior participação do investimento público, principalmente para ajudar a combater a pandemia e diminuir as falhas de mercado. 

Se Adam Smith, pai do liberalismo econômico, estivesse vivo, não aprovaria especulação de preços às custas da saúde humana. Existe um ditado que diz: “em tempos de crise, uns choram e outros vendem lenços”. A frase não está errada, só que os lenços não precisam ser vendidos excessivamente acima do preço.


Fonte: Hugo Eduardo Meza Pinto - economista e doutor, associado da empresa de Economia Criativa Amauta, é professor do MBA em Controladoria e Finanças da Universidade Positivo.