sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Drones e inteligência artificial impulsionam uso de energias renováveis


Segundo o relatório anual da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), a previsão para o crescimento da demanda de energia elétrica mundial deve ser superior a 25% até 2040 e o investimento necessário para garantir o suprimento de energia deve ultrapassar 2 trilhões de dólares por ano. A elevação de consumo e de recursos, aliada ao risco do aquecimento global, tem motivado diversas nações a buscarem fontes renováveis, em especial a energia eólica e a solar, como alternativas para compor sua matriz energética. A própria IEA estima que em vinte anos, a participação das fontes de energia renováveis no mundo será de mais de 40%, antes os 25% da atualidade.

Na Europa, países como Suécia, Áustria e Portugal formam o pódio dos territórios do continente que mais utilizaram fontes renováveis em 2017, contribuindo com 30% do total do consumo na União Europeia, segundo dados da Eurofast. Mas qual é o cenário no Brasil?

As usinas hidrelétricas são responsáveis por 61% da energia do país e a carência por eletricidade deve triplicar até 2050, conforme levantamento da Empresa de Pesquisa e Energética (EPE), gerando uma dependência enorme de um sistema que já sofre com os efeitos das secas que têm atingido várias regiões nos últimos anos. Assim, a adoção de energia eólica e solar também vem ganhando espaço por aqui, representando 8% e 1%, respectivamente, da capacidade elétrica instalada no país.

Para intensificar a criação de projetos focados em aumentar a participação das fontes de energia renováveis, a utilização de tecnologias que permita a operação e manutenção adequada desses equipamentos torna-se um fator essencial para o sucesso desses empreendimentos.

- Drones:

A aplicação de drones ajuda na inspeção visual dos equipamentos, registrando imagens que podem ser posteriormente analisadas para a identificação de eventuais problemas. Sobrevoando fazendas eólicas ou solares, os drones podem agilizar o processo de inspeção visual.

Apesar de simplificar a coleta de dados, a simples utilização de drones para a realização da inspeção pode causar um gargalo no pós-processamento dos dados coletados, caso esses dados tenham que ser analisados por humanos. Aí entra o uso de técnicas de Inteligência Artificial, como Aprendizado de Máquina (do inglês, Machine Learning) ou Redes Neurais (do inglês, Neural Networks) que utilizam algoritmos para a análise automática dos dados coletados.

Drones também são utilizados em conjunto com técnicas de inteligência artificial, mas com foco em inspeção de turbinas eólicas onshore e offshore. A verificação de uma turbina eólica pode ser realizada em apenas 15 minutos, de modo que um único drone pode realizar em torno de 20 inspeções por dia e os dados coletados são disponibilizados num sistema web, com informações analíticas que auxiliam a geradora de energia na identificação de problemas e na definição de programas de manutenção adequada para seus equipamentos.

- Inteligência Artificial:

Associada a técnicas de Big Data, a utilização de inteligência artificial possibilita a análise rápida dos dados coletados pelos drones, assim como a correlação desses dados com outras informações obtidas através de sensores instalados ou embarcados nos equipamentos para o monitoramento de seu funcionamento. Os dados históricos dos equipamentos também são utilizados pelos algoritmos que podem, literalmente, aprender a identificar, ou até mesmo prever possíveis problemas em cada um dos equipamentos.

O grande diferencial é que a solução pode agilizar a detecção de eventuais problemas e reduzir o processo de reparo de dias para horas, aumentando assim a eficiência de suas inspeções, além de produzir resultados mais precisos.

Veremos uma expansão no uso da energia eólica e solar na matriz energética do Brasil nos próximos anos. A adoção de novas tecnologias deve impulsionar e viabilizar a operação de enormes parques eólicos e solares que, em breve, deverão fazer parte da paisagem de algumas regiões do país. Essas tecnologias devem tornar a operação desses empreendimentos mais ágil, barata e eficiente.


Fonte: Frederico Gonçalves - Head da unidade de Utilities do Venturus

Excesso na abertura dos critérios para posse de armas e seus riscos



O Decreto 9685/2019 altera alguns dispositivos do Decreto 5123/2004 – que regula a aplicação da Lei 10826/2003 (Estatuto do Desarmamento). Diversos pontos podem ser objeto de análise, mas aqui reservaremos o comentário para apenas dois incisos (III e IV do art. 12, § 7º) do Decreto, os quais têm o efeito prático de permitir, em tese, a qualquer pessoa pleitear a posse de arma de fogo. Até então, o requisito mais difícil de preencher era a demonstração de “efetiva necessidade” para se ter em casa uma arma. A partir de agora, considera-se efetiva necessidade, dentre outros, residir em zona rural ou residir em zona urbana em estado com determinado índice anual de homicídio.

O primeiro guarda um risco social muito grande. Os conflitos em torno da distribuição de terras lidam com nuanças complexas. Muito mais do que a simplificação polarizada das redes sociais, são questões referentes à distribuição de terras, política de reforma agrária, direito de (e à) propriedade e sua função social. Diante do baixo interesse político por tocar em pauta tão delicada, muitos movimentos populares encontram na ocupação de terras um mecanismo para gerar pressão política. 


Com a abertura para armar os proprietários de terra (que muitas vezes já o faziam, apesar da proibição legal), os conflitos agrários podem se tornar ainda mais letais. Se isso acontecer, corremos o risco de caminhar para uma de duas possibilidades: os integrantes dos movimentos podem reagir agravando a violência nas ocupações (isso gera um círculo vicioso de incremento da reação violenta), o que permite aprofundar a criminalização daqueles; ou desmobilizar de forma sensível a luta pela distribuição de terras e paralisar a política de reforma agrária prevista na Constituição.

Com relação ao segundo, a indicação de um requisito cumulativo (residir em região urbana e UF com determinado índice de homicídio) pode parecer salutar, mas o critério é efetivamente vazio. O relatório do IPEA mencionado no texto do Decreto aponta que todas as Unidades da Federação possuem índice registrado de homicídio acima de 10 por 100 mil (São Paulo é detentor da menor taxa – 10,9). Como não há, no relatório, um levantamento por Município, a norma usa como referência a estatística estadual. Eis aí a insanidade do critério: todos os Estados têm índices superiores ao referido no texto normativo, logo todas as áreas urbanas no Brasil se enquadram no requisito.

Apenas com esses dois incisos, o requisito da “efetiva necessidade” se aplica para todos os que residem em área urbana ou rural – o que significa essencialmente todo o residente no Brasil. O principal limite que resta é o econômico: os custos de armas, cursos e demais formalidades são proibitivos para a maior parte da população.

Em síntese, por meio do Decreto, temos o esvaziamento unilateral da Lei 10826/2003, cujo efeito prático é um retorno à forma anteriormente vigente. Isso é institucionalmente perigoso, pois, indiretamente, o Poder Executivo neutraliza uma decisão que compete ao Legislativo. Em segundo lugar, pavimenta um caminho de grandes riscos aos conflitos fundiários rurais no Brasil. A tendência é perniciosa em todos os cenários: aumento da letalidade no campo, mais abertura para criminalização dos movimentos sociais e anulação da pauta da reforma agrária.



Autoria: Felipe Heringer Roxo da Motta - professor do curso de Direito do Centro Universitário Internacional Uninter.

Marco legal do saneamento na berlinda


No apagar das luzes de 2018, o presidente Michel Temer publicou a Medida Provisória (MP 868/18) que altera o marco legal do saneamento básico do país. A atitude nada mais é do que uma tentativa de ressuscitar a MP 844/18, editada pelo governo em julho e que perdeu a validade em novembro por falta de acordo para votação. Assim, fica para o novo governo a responsabilidade de dar encaminhamento dessa proposta. 

Considerada polêmica, a MP 868/18 traz os mesmos vícios da anterior como a falta de um amplo debate democrático com entidades de saneamento, setores público e privado, além de especialistas. Ela mantém ainda grande insegurança jurídica ao legar à Agência Nacional de Águas (ANA) a responsabilidade pelo gerenciamento dos recursos hídricos e regular a prestação dos serviços públicos de saneamento, competências constitucionais dos municípios. 


Esta MP está ainda em conflito com as mudanças definidas pelo presidente Bolsonaro, que determinou que a ANA será subordinada ao Ministério de Desenvolvimento Regional, sendo que a medida provisória define que a agência ficará vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Outro ponto a ser discutido da medida é a forma como está estabelecida a possibilidade de financiamento e parcerias. Da maneira como está, a MP pode desequilibrar os investimentos na área de saneamento no país. A aplicação de recursos financeiros por parte de companhias privadas é positiva para desenvolver o setor, mas, da forma como está, a MP faz com que os grandes municípios sejam muito mais atrativos do que as pequenas cidades. O saneamento básico precisa de uma modelagem que contemple, de forma mais equilibrada possível, os municípios de médio e pequeno porte.

Uma solução para este problema seria criação de uma modelagem regional. Com um sistema integrado entre municípios, é possível ampliar a escala com prestação de serviço e construção de empreendimentos reunindo essas localidades por bacias hidrográficas, unidades regionais e até mesmo estaduais, dependendo da avaliação técnica para cada caso. A revisão na legislação do setor precisa deixar claro a possibilidade dessa formatação.

Os representantes do setor esperam que o novo governo acerte o passo com o saneamento brasileiro. A escolha de Gustavo Canuto para o Ministério do Desenvolvimento Regional, pasta criada no atual governo e que reuniu os antigos ministérios das Cidades e da Integração Nacional, é uma boa sinalização. De perfil técnico, o novo ministro conhece a importância do planejamento e a necessidade de evitar decisões de afogadilho.

Os governos anteriores deixaram uma herança para ser aprendida e não repetida. A falta de planejamento de curto, médio e longo prazos esteve presente nas últimas gestões, com prioridades para atender a clientela de prefeitos e governadores, com o único intuito de fazer política. Por outro lado, o atual governo já sinalizou por um viés técnico, com as prioridades sendo definidas tecnicamente.

O próprio Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) é um instrumento de planejamento e que deve ser referência para a nova gestão. Ele ainda é embasado em informações não confiáveis, por serem declaradas pelos municípios e não auditadas pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento). 

Para resolver essa questão, o próprio plano estabelece que 23% do valor previsto para o saneamento devem ser aplicados em ações estruturantes, como planejamento, projetos, capacitações e assistência técnica, que são as primeiras ações que devem ser priorizadas para garantir a efetiva implementação do sistema de saneamento. 


Fonte: Luiz Pladevall - presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Turquia: um destino para todos os gostos


As múltiplas faces da Turquia a transformam em um destino único: praias belíssimas, ruínas de impérios antigos e grandes cidades cosmopolitas revelam um mosaico cultural surpreendente a um preço acessível para o turista brasileiro.

A Abreu, operadora de turismo especialista em levar turistas aos melhores destinos ao redor do globo, apresenta seis motivos que seduzem o brasileiro neste país que já conquistou os viajantes, sejam eles novatos ou experientes.


1- Culinária surpreendente:

Cada região da Turquia tem sua própria cultura culinária, incluindo ingredientes distintos e modos de preparo peculiares. A cozinha turca vai muito além dos saborosos kebabs e conta com frutos do mar frescos servidos nas mais variadas apresentações, sobremesas deliciosas e cafés da manhã que mais se assemelham a banquetes de um líder do império otomano.

2- Praias paradisíacas:

A Turquia possui algumas das mais belas praias da Europa, com opções que vão desde praias isoladas, que mais parecem cenário de filmes de Hollywood, até praias badaladas, com infraestrutura completa. Ou seja, uma infinidade de alternativas que passam pelo Mar Mediterrâneo e pelo Mar Egeu.


3- Banhos turcos:

A experiência do “banho turco”, mais conhecida como hamam, é a atividade favorita entre muitos visitantes. O ritual é antigo e teve seu início nos primórdios da civilização turca, quando os mercadores chegavam cansados depois de uma longa jornada de trabalho. A experiência de hamam envolve sauna, massagem e um banho relaxante com espuma.

4- Sítios arqueológicos:

Testemunha de muitos impérios e civilizações, a Turquia tem uma quantidade notável de sítios arqueológicos espalhados por todo o país. Dos palácios e mesquitas de Istambul às ruínas de Éfeso e cidades subterrâneas da Capadócia, a Turquia é um paraíso para os entusiastas da arqueologia e da história.


5- Excelentes museus:


Com tanta história, a Turquia também tem muitos museus fantásticos que preservam descobertas de sítios arqueológicos em todo o país. Desde o maior museu de mosaicos do mundo em Gaziantep, até os museus do Palácio do Império Otomano de Istambul, há muito o que visitar.
                                  

6- Viagem econômica:

Em comparação aos outros destinos europeus, a Turquia é uma opção extremamente econômica: os pacotes exclusivos da Abreu para Turquia incluem café da manhã, almoço e jantar em quase todos os dias do programa.



Fonte: Luciana Paulino