sexta-feira, 17 de maio de 2019

Dia da Biodiversidade: o que temos para comemorar?


Às vésperas do Dia Internacional da Biodiversidade, comemorado em 22 de maio, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES) que aponta que um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçados de extinção no planeta.

Com a participação de cientistas de 50 países, é o levantamento mais detalhado sobre a interferência humana no meio ambiente feito até hoje e destaca que as principais causas da perda de biodiversidade são: as alterações no habitat natural dos animais, as mudanças climáticas, a exploração inadequada de recursos naturais, a poluição e as espécies invasoras. Ou seja, os cientistas participantes tornaram evidente que a perda de biodiversidade não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão de ordem econômica e social que interfere diretamente na nossa própria sobrevivência.

Em 2019, o Dia Internacional da Biodiversidade, criado pela ONU para conscientizar a sociedade a respeito do valor e da representatividade do tema no mundo, também nos faz lembrar que o tratado internacional chamado Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), assinado por 196 países no Rio de Janeiro durante a famosa Eco-92 e que entrou em vigor em 93, completa 26 anos. Dentre todos os pilares da CDB, destacamos o uso sustentável da biodiversidade por envolver elos extremamente importantes para nós: de um lado os consumidores finais e de outro as cadeias produtivas oriundas da biodiversidade, o que nos leva ao conceito de sociobiodiversidade.

Sociobiodiversidade é a relação entre a comunidade local e suas formas de trabalho e conhecimento com a biodiversidade. Nesse quesito, a empresa se torna aliada dos produtores, valorizando seus conhecimentos tradicionais e promovendo a conservação dos recursos naturais.

Esse tema tem cada vez mais destaque na CDB e foi um dos aspectos mais comentados na Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica, a chamada COP, realizada em novembro de 2018 no Egito. As COPs visam o acompanhamento do compromisso dos países signatários com a conservação da biodiversidade no âmbito da CDB. Participam do evento representantes de cada país, organizações da sociedade civil e também empresas com importantes cases de sustentabilidade.

O Grupo Sabará participa da COP desde a 11ª edição, em 2012 na cidade de Nagoya, no Japão, em virtude de suas ações positivas nas cadeias produtivas de sua unidade de negócios Beraca. E, no ano passado, na COP 14, recebeu um convite duplo, visto que a Concepta Ingredients também marcou presença no Business and Biodiversity Forum e pode apresentar o que vem fazendo em prol da conservação da biodiversidade brasileira.

Na ocasião, a Concepta Ingredients ressaltou a forma que insere a biodiversidade no seu modelo de negócios dentro do segmento de alimentos, não apenas referente à utilização das matérias-primas, mas também no que faz para mitigar os impactos no meio ambiente. Já a Beraca apresentou aos países participantes a maneira proativa com a qual insere a biodiversidade em sua cadeia de suprimentos dentro do setor de cosméticos.

No Business Forum ficou evidente o papel que o consumidor final exerce para que as organizações de todos os setores se posicionem de forma ainda mais consciente em relação à sociobiodiversidade e à rastreabilidade de tudo que produzem, mobilizando as empresas a se engajarem com o tema biodiversidade. E, possivelmente, essa é a razão pela qual o varejo em geral é mais atento a sua cadeia produtiva do que empresas de outros setores.

O desafio que fica agora até 2020 na COP 15, que ocorrerá na China, para todos os países signatários, é melhorar a implementação das metas para conservação da biodiversidade. Para o Grupo Sabará, o caminho rumo a esse objetivo é fortalecer ainda mais suas parcerias na construção de suas cadeias de valor. E, quando se fala de parceria, vale lembrar que para manter a “floresta em pé” e preservar sua biodiversidade, é necessário um trabalho conjunto entre todos os atores da sociedade.



Fonte: Por Thaís Hiramoto e Érica Pereira


A curiosa relação entre Sergio Moro, Donald Trump e David Bowie, pela Biologia

Lavajatus moroi

Há uma relação curiosa entre o ex-juiz e atual Ministro Sergio Moro, o presidente americano Donald Trump e o ex-jogador Ronaldinho, além de tantas outras personalidades conhecidas no Brasil e no mundo. Eles serviram de inspiração para nomes científicos de animais, plantas e até de fóssil – caso do cantor David Bowie, falecido em 2016, após a descoberta do mais antigo mamífero conhecido já encontrado em terras brasileiras, a partir de um único fóssil. 

De acordo com os pesquisadores, a espécie (Brasilestes stardusti) faz alusão a Ziggy Stardusti, um personagem criado pelo cantor para o lançamento de um trabalho, em 1972.

O sistema de classificação dos seres vivos foi criado pelo botânico sueco Carl Nilsson Linnaeus no século XVIII, para que cada espécie animal ou vegetal ficasse com uma designação única e não fosse confundida com outra. E a designação era dada de acordo com alguma carac­terística da espécie, como a região em que vivia ou alguma parte marcante do cor­po. 

“Mas, depois, em homenagem a cientistas e pesquisadores da área, elas passaram a ganhar nome de pes­soas. Até que celebridades como roqueiros, cantores, atores e mesmo personagens fictícios passaram também a ser homenageadas“, conta o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).

A homenagem ao atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi feita para nomear um molusco (Lavajatus moroi) descoberto no Brasil em 2013, mas identificado somente como uma nova espécie recentemente. Segundo os pesquisadores, a transparência da concha do animal é que foi a característica marcante e que serviu de referência ao trabalho do ex-juiz à frente da Operação Lava-Jato. 


Já o nome de abelha (Eulaema quadragintanovem), descoberta em 2012, teve como referência o número da camisa do jogador Ronaldinho Gaúcho, usada por ele no Atlético Mineiro.


                                  Eulaema quadragintanovem

Já entre algumas personalidades internacionais, pela semelhança de uma roupa usada pela cantora Byoncé no clipe da música Bootylicious; uma mosca com um abdômen inferior dourado foi batizada de Scaptia beyonceae; em homenagem a cantora colombiana Shakira, uma vespa de cintura fina foi designada Aleiodes shakirae; e uma mariposa nativa do sul da Califórnia, de topete loiro, recebeu o nome científico de Neopalpa donaldtrumpi, em referência ao Trump. 

E na ficção, até o super-herói Batman, em que um peixe descrito em 2016, por à alusão ao símbolo do personagem por sua nadadeira caudal, serviu de inspiração para o nome Otocinclus batmani.


Fonte: Marco Berringer


Maio amarelo é uma campanha educativa em prol da segurança no trânsito


O trânsito é a principal causa de morte por acidente de crianças e adolescentes de zero a 14 anos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. A segurança no trânsito é marcada pela campanha do Maio Amarelo. Promovido desde 2013 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária no Brasil, a campanha tem como objetivo dar visibilidade à violência no trânsito, promovendo ações em várias partes do mundo para incentivar as boas condutas no trânsito visando à segurança viária.

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) estabeleceu seis principais fatores de risco para acidentes de trânsito, expostos em sua publicação Salvar VIDAS, destaca: alta velocidade; não usar sistema de retenção para crianças; distrações; não usar capacete; dirigir sob efeito do álcool; e não usar cinto de segurança.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os acidentes de trânsito tiram a vida de mais de 1,3 milhão de pessoas todos os anos. Além disso, os traumas causados em acidentes são a principal causa de morte de pessoas entre cinco e 29 anos.

Os números de crianças e adolescentes internados por acidente de trânsito é bastante expressivo. Só em 2018, o Brasil registrou 11.037 internações, de acordo com o Datasus. Dessas, 3.596 representam meninas e meninos que se encontravam em condição de pedestre, 2.634 representam acidentes em que a criança ou o adolescente em motocicleta e 2.483 crianças em bicicletas.

A legislação brasileira recomenda que, até os 10 anos de idade, as crianças sejam transportadas no banco traseiro do veículo automotivo, usando cinto de segurança. E, até os sete anos e meio elas precisam usar um dispositivo de retenção veicular (bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação). Quando usados e instalados corretamente, esses dispositivos reduzem em até 71% a chance de morte de uma criança em caso de acidente de trânsito. Os acidentes têm consequências mais sérias com crianças e adolescentes porque seus corpos são mais frágeis que um corpo adulto. Isso acontece porque eles ainda estão se desenvolvendo.

Muitas campanhas são criadas campanhas visando estimular uma série de atitudes simples podem ser tomadas para mudar essa estatística com foco em educação, conscientização e medidas mais seguras para o trânsito. O transporte adequado de animais, cada vez mais presentes nas atividades diárias das famílias, também precisa ser ressaltado. Existem muitas opções de acessórios para o transporte seguro de pets: - caixas de transporte, cinto de segurança e cadeirinha para pet, para cães de pequeno e médio porte (até 15 kg).

Segundo informações da Sleepypod, se um veículo sofrer uma colisão a uma velocidade de apenas 48 km/h, por exemplo, um cão de 35 kg projeta mais de uma tonelada de força durante o impacto.


De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não é permitido conduzir animais nas partes externas do veículo (exceto em casos devidamente autorizados) ou com a cabeça para fora do veículo, o que caracteriza uma infração grave (multa e cinco pontos na carteira). Dirigir com animais no colo, no meio das pernas ou do lado esquerdo do motorista é considerado infração média (multa e quatro pontos na carteira). E, por fim, animais soltos dentro do carro, multa e três pontos na carteira do motorista.


Autoria: Vininha F. Carvalho

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Israel, permanente valorização da educação e das novas tecnologias


Esquadrinhamos 2.000 km desse pequeno país (10% do território paranaense), com apenas 71 anos de independência, 8,9 milhões de habitantes e mais de 3.000 anos de história. História de superação e tenacidade. Uma produtiva viagem de 8 dias, adrede bem planejada, munidos de aplicativos, sem guias e sem incidentes, em um automóvel com mais três familiares, todos com formação cristã. Abundantes são as informações turísticas nas rodovias, concomitantemente em três idiomas: hebraico, árabe e inglês, nesta ordem.

À guisa de uma artéria principal, numa das margens das estradas, o aqueduto nacional, que conduz para todo o país água doce do Mar da Galileia e água dessalinizada do Mediterrâneo. A balança comercial agrícola de Israel é deficitária em apenas 5%, um feito notável, pois 80% de suas terras não eram originalmente agriculturáveis. Se é assim, o solo é apenas suporte e adubo nele. 


O índice pluviométrico é baixíssimo? Pois bem, a água para a irrigação provém do tratamento dos esgotos das cidades, demandada por tubos de polietileno até à raiz das plantas, estas em boa parte distribuídas em estufas. 

O gotejamento é uma técnica criada em Israel em 1965, sendo adicionados à água nutrientes como superfosfato, cálcio e potássio. Nesse ecossistema, sem uso de agrotóxicos, um hectare está produzindo 30 vezes mais que a média mundial, fruto de um amplo desenvolvimento acadêmico e tecnológico.

Israel possui a maior quantidade de artigos científicos e um dos maiores índices de registro de patentes per capita do mundo. Quando se coteja o número de adultos com formação universitária, Israel ocupa o 2.º lugar, com 48%, enquanto o Brasil está na 100.ª posição, com apenas 15%. Os gastos públicos em educação de ambos os países são equivalentes: 5,7% do PIB. Embora raramente ultrapassaram 0,5% da população mundial, 19% dos prêmios Nobel foram concedidos a cidadãos de ascendência judaica.

Para esse conspícuo desempenho intelectual, há várias justificativas, das quais duas merecem destaque: a ênfase ao estudo e a continuidade dos valores morais dos judeus; e o patrimônio intelectual lhes propiciou a sobrevivência e a adaptação no longevo decurso de sua história de diásporas, guerras, invasões, perseguições e desterros. O historiador americano Paul Johnson se faz oportuno: “Nenhum outro povo mostrou-se mais fecundo em fazer da desgraça um uso criador”.

Israel é uma nação com eleições livres – por isso recebe o epíteto de oásis democrático, envolto por vários países com regimes autoritários e fundamentalistas. Internamente, a sensação é de segurança, quando se perambula pelas suas cidades, inclusive à noite. Até mesmo na Cisjordânia, onde fizemos um tour de dois dias. 

Nada mais desejável e sensato que o reconhecimento de um Estado Palestino convivendo ao lado de Israel, sem conflitos, pois uma agressão aos olhos são os 700 km de muros, feitos de placas de concretos com 6 m de altura, separando as duas regiões.

Onipresentes, soldados e soldadas com fuzis a tiracolo, pistolas e equipamentos eletrônicos na cintura; serviço militar obrigatório por três anos para eles e dois para elas, em seus uniformes fashion, poderosas e sensuais, cabelos e rostos bem produzidos, como que a humanizar esse ecossistema militarizado. 



No deserto de Neguev, muitos postos militares (testemunhamos exercícios com tanques). É um Estado militarizado, de intimidação, enfim, a materialização do preceito romano: Si vis pacem, para bellum (se quiseres a paz, prepara-te para a guerra).

Desde a independência de Israel, em 1948, foram cinco guerras. A mais feroz foi em seu primeiro ano de vida, tendo como adversários cinco países árabes com o escopo anunciado de lançar ao mar o Estado recém-criado. Nesses três milênios, nenhuma cidade superou Jerusalém em ataques – 52 vezes.

Apesar desse histórico de conflitos e do aparato militar, o Estado preza por manter uma aparência de normalidade em tudo. Por exemplo, é comum presenciar crianças de 8 a 10 anos andando sozinhas pela rua com mochilas a tiracolo, em direção à escola ou classes infantis brincando em praças acompanhadas por uma ou duas professoras, porém vigiadas de perto por uma dupla de militares.

Jerusalém foi por duas vezes destruída, uma das quais, no ano 70 d.C., com quase um milhão de judeus mortos pelos romanos. Tantas nações sucumbiram, enquanto Israel mais uma vez renasce das cinzas, tal Fênix. 

Qual o segredo dessa longevidade? Difícil responder, mas certamente, entre outras razões, estão a perseverança e a resiliência de um povo diante das adversidades, bem como o zeloso investimento na educação para a formação das futuras gerações pela família e pelo Estado.


Fonte: Jacir J. Venturi - coordenador na Universidade Positivo, membro do Conselho Estadual de Educação e Cidadão Honorário de Curitiba.