quarta-feira, 5 de maio de 2021


Uma nova fase se inicia para gerar mais valor e responsabilidade social, agilizar as discussões e o cumprimento das metas da Carta Compromisso do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) perante a sociedade. A Carta Compromisso é a base de uma ampla proposta de transformação da indústria da mineração brasileira rumo a um setor cada vez mais sustentável e seguro.


O IBRAM acaba de firmar parceria com a empresa de consultoria Falconi para gerar mais valor ao acordo e proporcionar uma gestão mais ágil tanto do documento quanto da evolução das atividades desempenhadas pelo setor mineral a ele relacionadas. Entre outros propósitos, esta nova etapa da Carta Compromisso facilitará o acompanhamento do cumprimento das metas pela sociedade em geral, com transparência e objetividade.

- Carta Compromisso:

A Carta Compromisso foi apresentada publicamente pelo IBRAM em 2019. Ela esclarece a visão do IBRAM sobre como a indústria minerária construirá o futuro do setor de mineração e ampliará os caminhos do segmento. É uma declaração pública de novos propósitos voluntários para a indústria minerária, com metas mensuráveis, verificáveis, reportáveis, críveis, alcançáveis e implementáveis.

Este conjunto de propostas está relacionado a 12 áreas relacionadas à mineração: Segurança Operacional; Barragens e Estruturas de Disposição de Rejeitos; Saúde e Segurança Ocupacional; Mitigação de Impactos Ambientais; Desenvolvimento Local e Futuro dos Territórios; Relacionamento com Comunidades; Comunicação & Reputação; Diversidade & Inclusão; Inovação; Água; Energia; Gestão de resíduos.

- Parceria Falconi e IBRAM:

O acordo entre IBRAM e Falconi irá trazer maior dinamismo às discussões das metas da Carta Compromisso. Segundo o diretor-presidente do IBRAM, Flávio Penido, essa gestão compartilhada terá papel importante para a revisão das métricas, estabelecer indicadores, parametrizar e considerar as boas práticas.

A consultoria pretende fazer reuniões periódicas em diferentes níveis, seja com o grupo interno do IBRAM, seja com os coordenadores dos grupos de trabalhos (GTs) e ainda com os participantes dos GTs. Toda a ação está prevista para acontecer em nove meses. 

"Acreditamos que o setor de mineração tem o dever de se transformar para atender aos anseios da sociedade incorporando de maneira definitiva as melhores práticas expressas em sua Carta Compromisso e se consolidar como um dos setores líderes da transformação ESG no Brasil. 

Estamos muito honrados em poder apoiar o IBRAM a exercer a sua liderança e a promover as mudanças necessárias entre os seus associados para o alcance destes objetivos", afirma André Chaves, Sócio e Head de Infraestrutura e Indústria de Base na Falconi.


Fonte: Gabriel Grunewald

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Quais as melhores práticas do turismo de wellness no pós- Covid-19


                       EHL Campus Lausanne

Novas formas de trabalhar, novos padrões de consumo, novas formas de interagir com os hóspedes e, certamente, novos padrões de limpeza - essas são as normas pelas quais a atratividade dos hotéis serão avaliadas. Quando falamos em spa, essas mudanças serão sentidas especialmente no nível operacional, onde uma infraestrutura rígida que leve à segurança deve ser implementada.

Não há dúvida de que a indústria de bem-estar e spa passará por uma imensa transformação como resultado da pandemia. Afinal, as experiências de wellness estão totalmente atreladas ao serviço personalizado e com o toque humano. No entanto, apesar de todas as mudanças, uma coisa permanecerá: as pessoas ainda querem "se sentir bem".

As operações de wellness e spa não se limitam a uma massagem ou a um tratamento de beleza. O objetivo é fornecer autoconfiança, autonomia e uma fuga de nossas vidas ocupadas e interconectadas. 

Embora a segurança e o saneamento sempre tenham sido essenciais na indústria do bem-estar, as medidas tomadas até agora não serão consideradas suficientes. Novos procedimentos precisarão ser implementados. 

Por um lado, você precisará garantir padrões adicionais de higiene e limpeza. Por outro lado, seus clientes precisarão de tranquilidade e transparência quando voltarem a viajar.

"As pessoas procuram experiências e querem que todos os seus sentidos sejam estimulados. Isto é particularmente relevante para o turismo de saúde e bem-estar, onde os hóspedes têm expectativas e necessidades muito específicas. 

Portanto, é importante combinar as vantagens da medicina e da hospitalidade a fim de oferecer aos pacientes e hóspedes uma experiência de alta qualidade em todos os aspectos", comenta Michael Hartmann, CEO da EHL Passugg.

É preciso ter em mente que a indústria de spa pós-COVID-19 não se limitará a estar limpa, mas a ser vista como limpa. Ao preparar novos protocolos e medidas de segurança e fornecer transparência e comunicação clara aos hóspedes, os proprietários e gestores de ativos hoteleiros podem garantir que seus hotéis saiam desta crise fortes e saudáveis.

A Ecole hôtelière de Lausanne (EHL) copilou as melhores e fáceis práticas para adotar em spas e departamentos de bem-estar durante e após o COVID-19.

1)  Conecte-se com seu cliente:

Utilize de suas redes sociais para manter os hóspedes engajados por meio de postagens positivas e motivadoras. Mostre a eles que você está ansioso para recebê-los. Atualize o site com as informações novas, sobre como você pode ajudar os hóspedes e principalmente entrar em contato para futuras reservas ou assinaturas.

2) Prepare sua equipe:

Antes de implementar qualquer nova medida, você deve se familiarizar com os regulamentos implementados por seu estado e governo, e as políticas que foram postas em prática por instituições profissionais. Claro, todas essas ações sugeridas podem variar dependendo dos regulamentos e leis locais. Considere oferecer cursos virtuais sobre como higienizar e preparar o spa para os hóspedes, bem como aulas online sobre a segurança pessoal dos funcionários no trabalho. Além disso, você deve fornecer à sua equipe uma lista de perguntas frequentes sobre como lidar com as dúvidas dos hóspedes sobre novas políticas e regras de saneamento. O Global Wellness Institute oferece recursos práticos para planejar esses cursos.

3) Fluxo de caixa:

Em uma crise, o corte inteligente de custos deve estar na lista de prioridades para proprietários de hotéis e gerentes de ativos. Isso inclui retrabalhar os fluxos de caixa para saber com precisão a trajetória dos recebimentos atuais, bem como aumentar as reservas de caixa e produzir um plano para cada linha do fluxo de caixa. Especificamente para o departamento de spa, isso significa reter a receita de associações, tratamentos pré-pagos e vales-presente. Isso pode ser feito estendendo todas as datas de validade dos vouchers de presente, oferecendo a oportunidade de reagendar tratamentos pré-pagos ou considerando upgrades gratuitos para recompensar os hóspedes por sua fidelidade. Além disso, você pode envolver sua equipe para fornecer alguns de seus serviços virtualmente. Aulas de exercícios e oficinas de massagem são apenas dois dos muitos exemplos.

4) Distanciamento social:

Adapte todas as áreas às novas regras de distância de dois metros. Desde a mobília da sala de espera dos hóspedes, academia e vestiários, até as roupas de cama para sua equipe para tornar o mais simples possível para os hóspedes e funcionários seguirem esta nova regra. Para garantir um fluxo unilateral, deve-se preparar um sistema para monitorar a entrada e saída do hotel e dentro do spa.

5) Viagens domésticas:

Muitos especialistas concordam que os primeiros hóspedes que visitam novamente os hotéis de bem-estar e spa serão os viajantes domésticos. Para capturar essa demanda, você pode considerar aprofundar-se na história e nas tradições de sua localidade. Considere oferecer pacotes com tarifas superiores à sua melhor tarifa e válidos durante as primeiras cinco semanas após a reabertura.

6)Pré-chegada dos hóspedes e clientes:

Inclua informações sobre as medidas de segurança tomadas no e-mail de confirmação enviado aos hóspedes. Confirme novamente que leram a comunicação antes de sua chegada e certifique-se de poder responder a todas as perguntas que os hóspedes possam ter sobre os procedimentos implementados pelo seu hotel. Você também pode incluir uma carta a ser assinada pelos hóspedes, confirmando que leram e aceitaram suas políticas de segurança.

7) Chegada ao Hotel e Spa:

Crie um ritual de boas-vindas reconfortante, incluindo um presente de boas-vindas à chegada. No momento da recepção aos hóspedes, os recepcionistas disponibilizam refrescos, lenços higiénicos para as mãos e toalha húmida, informando-os sobre as medidas de segurança tomadas e o que se pode esperar da estadia no spa do seu hotel.

8) Priorize a comunicação digital:

Você precisará remover todos os materiais impressos, como brochuras e menus, de suas operações de spa. Em vez disso, considere o uso de códigos QR que os hóspedes podem escanear para receber informações sobre seus serviços e regras de segurança.

9) Venda de produtos do Spa:

Além de limpar todas as superfícies de hora em hora, todos os testadores devem ser removidos da loja. Isso inclui cremes corporais, maquiagem e roupas. Em vez disso, você pode usar materiais de vídeo e imagem para mostrar seus produtos e informar aos convidados que os testadores estão disponíveis na recepção, mediante solicitação. Além de recusar qualquer troca, um desinfetante deve estar disponível na entrada da boutique e o pagamento sem contato deve ser incentivado.



10) Tratamentos:

Para fazer a transição dos clientes do mundo exterior para a experiência de tratamento, a rotina de boas-vindas pode incluir a lavagem das mãos. Os terapeutas devem fazê-lo por um mínimo de 20 segundos na frente do convidado para oferecer segurança. O ideal é que o hóspede faça isso ao mesmo tempo. Determine se você precisa introduzir tratamentos em diferentes fases (por exemplo, tratamento facial somente após algumas semanas de operação). Certifique-se de que os tratamentos tenham 30 minutos entre eles, para garantir a limpeza, arejamento e higienização adequadas das salas de tratamento.

11) Instalações de saunas e piscinas:

Vários especialistas recomendam manter essas instalações fechadas neste momento inicial. No entanto, acreditamos que é viável com a abordagem adequada: O distanciamento social precisará ser considerado quando você decidir reabrir suas áreas como saunas, jacuzzis ou salas de vapor. Para limitar o número de pessoas que visitam esses espaços simultaneamente, enquanto mantém o tempo de espera no mínimo, incentive os hóspedes a pré-reservar os slots de 30 minutos. Lembre-se de que o planejamento pós-COVID-19 deverá incluir intervalos de 30 minutos entre os intervalos para higienização e preparação das tomadas para os próximos hóspedes. Em relação às suas piscinas, embora não haja evidências de que o vírus possa ser transmitido através do uso de piscinas, o tratamento adequado da água, o controle de manutenção contínua, a operação e a desinfecção devem ser feitos regularmente, e o número de convidados deve ser limitado. Além disso, banhos de sabão antes da visita devem ser obrigatórios.

12)Áreas de relaxamento:

Novamente, o distanciamento social é vital aqui. Reorganize as áreas de assento para implementar a distância necessária de 2 m enquanto remove travesseiros e cobertores extras que não podem ser higienizados após cada uso.

13) Armários e vestiários:

Sua equipe deve atribuir os armários aos seus clientes e hóspedes, mantendo a regra dos 2m em mente, para limitar o número de pessoas que podem usar os vestiários. Uma boa prática é usar apenas a cada três armários e manter os dois do meio trancados. A roupa de cama deve ser colocada em embalagens plásticas e as toalhas usadas devem ser colocadas pelos clientes em área específica, imediatamente após o descarte. Conforme mencionado anteriormente, o fluxo de hóspedes deve ser administrado com cautela, principalmente no que se refere a armários e vestiários. Quando viável, uma circulação unilateral é recomendada. Além disso, o secador de mãos e o secador de roupas de banho devem ser desligados. Por fim, todos os itens pessoais devem permanecer nos armários.

14) Espaço fitness:

Ao definir um número máximo de pessoas para sua área de fitness e colocar sinalização para educar e informar seus convidados sobre como desinfetar o equipamento após o uso, o planejamento das operações do seu spa pode ser simplificado. A adição de paredes de acrílico entre as máquinas também deve ser considerada para fornecer segurança adicional. As academias devem ser limpas pela equipe de hora em hora. As aulas em grupo também podem ser substituídas por cursos ao vivo disponíveis nas TVs dos quartos. Se houver espaço nos quartos, as academias de ginástica (esteiras e pesos para ioga) são uma excelente opção para diminuir o número de pessoas que frequentam a área principal da sua academia.

15) A segurança de sua equipe:

Se possível, as estações de trabalho para tratamentos não devem ser compartilhadas. Treinamento e equipamento devem ser fornecidos para a equipe higienizar completamente as estações antes e depois dos turnos, e para evitar tocar nos itens pessoais dos hóspedes. Os intervalos devem ser planejados em períodos diferentes e, idealmente, as mesmas pessoas devem fazer intervalos juntos sempre que possível.

Remova todos os pontos de contaminação na recepção, fornecendo a cada funcionário uma caneta pessoal e um desinfetante para as mãos. Todas as maçanetas, computadores, telefones e áreas de alto contato devem ser limpas pelo menos a cada 30 minutos. Pagamentos sem contato e faturas digitais devem ser implementados.

Além de fornecer a cada membro da equipe um gel desinfetante pessoal e caneta, terapeutas, treinadores, cabeleireiros e todos os demais funcionários deverão usar máscaras. Torne isso o mais confortável possível para eles, fornecendo máscaras descartáveis ​​suficientes que podem ser trocadas após cada tratamento (ou no mínimo a cada 4 horas). O ideal é que os funcionários que trabalham próximos a clientes, como cabeleireiros ou manicures, recebam máscaras protetoras faciais.

Fonte:  Grupo EHL 

A era dos humanos


O valor efetivo do patrimônio representado pelos ecossistemas, biomas, biodiversidade e recursos naturais, nunca computado no PIB dos países, é enfatizado no relatório sobre Contabilidade Ambiental no Brasil e América Latina, divulgado em abril. 


O trabalho, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e elaborado pelo Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (WCMC), deixa claro que os ativos da natureza e a qualidade do habitat têm valor tangível e, mais do que isso, são fundamentais para a economia sustentável e um futuro viável para a Terra.

A importância do tema é tamanha, que o relatório indica que a maneira como se está lidando com a questão ambiental significa o ingresso em um período geológico inteiramente novo, o Antropoceno, ou Era dos Humanos. A ousada definição é, a rigor, um alerta para que todos os países redefinam suas estratégias e agendas para o desenvolvimento, levando em conta os riscos aos quais o planeta tem sido exposto pelas atividades implementadas pelo homem.

Considerando que a contabilidade ambiental visa computar os ativos da natureza, como a água, as florestas e a energia, de modo a dimensionar os benefícios que proporcionam à economia e à sociedade, creio ser oportuno avaliar a questão sob o prisma ecológico urbano, meio no qual vive a grande maioria dos habitantes da Terra. 

A ONU estima que, em 2050, mais de 70% da população mundial estará nas cidades, cujo impacto é grande nos recursos hídricos, biodiversidade, ecossistemas e biomas.

Esse recorte analítico é pertinente porque o Brasil tem oportunidade histórica de promover expressivo avanço no meio ambiente urbano, com a sanção do renovado Marco do Saneamento (Lei 14.026/2020) e a manutenção, em março último, pelo Congresso Nacional, dos vetos presidenciais a itens que mitigavam sua eficácia. 

A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE) lutou muito para a aprovação e manutenção do texto em consonância com os interesses maiores da sociedade, da sustentabilidade e da economia nacional.

A síntese de como ficou a parte mais importante da lei evidencia como pode ser efetiva e ampla sua contribuição para a melhoria ambiental das cidades e, portanto, das extensas áreas não urbanas influenciadas por elas: todos os serviços de água, esgoto, coleta, tratamento, transporte e destinação final de resíduos deverão ser objeto de licitações públicas, com livre participação da iniciativa privada. Também é garantida a viabilidade econômico-financeira dessas atividades, com a possibilidade de tarifas, como as que já pagamos pela água, energia elétrica, gás, internet e telefonia, por exemplo.

Depois de esperar quatro décadas por uma solução ambientalmente adequada para o meio urbano, a sociedade brasileira tem a oportunidade de resolver a precariedade sanitária que atinge 100 milhões de pessoas. 

São 35 milhões que ainda não têm acesso à água potável e precisam deste serviço e quase 70 milhões que continuam convivendo com lixões existentes em mais de 3,2 mil cidades. Estes insalubres e anacrônicos receptáculos precisam ser extintos de imediato. 

Tal perspectiva torna-se mais viável agora, com um adequado marco regulatório, que possibilita participação livre da iniciativa privada nas licitações, acabando com os antigos contratos de programa, que, na verdade, eram atestados de autorização para o oligopólio das companhias públicas.

Que a Era dos Humanos seja para os brasileiros um período não de avaliação de riscos medidos pela contabilidade ambiental, mas sim um período histórico delimitado pelo advento de cidades mais sustentáveis e capazes de proporcionar vida de melhor qualidade aos seus habitantes.

Fonte: Luiz Gonzaga Alves Pereira - presidente da ABETRE (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes).

ESG e a ansiedade da comunicação



Recentemente, ouvi um diretor bastante envolvido nas questões ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) dizer que muitas empresas estão só querendo passar de ano, sem aprender a matéria. 

A afirmação resumia sobre a necessidade de as empresas quererem divulgar rapidamente seus relatos de sustentabilidade, sem ao menos terem feito a lição de casa, o que significa seguir alguns passos, como mapear o que é material, engajar stakeholder, definir metas e estabelecer as ações, entre outras etapas importantes.

É muito animador ver toda a movimentação que o tema ESG está gerando, principalmente aos olhos de quem está envolvida com o tema e se preocupa com questões ambientais, inclusive mudando o estilo de vida e de consumo, como é o meu caso. Sair do âmbito pessoal e poder trabalhar com isso gera uma satisfação enorme. 

Mas, daí, vem a realidade e mostra que nem todo mundo está buscando a sustentabilidade de maneira genuína. Então, quando recebo uma demanda dizendo "quero ser uma empresa ESG, quanto custa?", toda a minha satisfação fica um pouco abalada.

Para não achar que somente o meu ponto de vista é o que faz sentido, faço um exercício para poder entender quem quer pegar o fast-pass e não gastar tempo na fila. Afinal, é importante saber o que as empresas pensam, quais são suas dores, os seus objetivos e quem está patrocinando o assunto. 

Coletando as principais motivações das inúmeras empresas com as quais tive contato nos últimos meses, entre elas aquelas que querem comunicar os seus relatórios, é possível constatar alguns pontos em comum.

Muitas entendem que já possuem as iniciativas que as tornariam "elegíveis" ao título de sustentável. Com isso, bastaria colocar no papel e gerar o relatório. Afinal, "já possuímos ações de responsabilidade social, como doações à comunidade do município, onde temos uma planta industrial". Iniciativas como esta são excelentes e trazem um impacto positivo. 

Porém, será que são suficientes? O que mais é relevante ao negócio? Como sua estratégia conversa com o que é material para o seu setor? E, além da comunidade, tem algo em sua cadeia de valor e na distribuição dos seus produtos que gerem impactos ao meio ambiente, por exemplo? Como está sua governança?

Outro aspecto observado é a necessidade de mostrar a alguns stakeholders, como investidores, acionistas, ou mercado em geral, que a empresa já está com ações ESG em andamento, possivelmente para captar recursos, ou mirando um futuro IPO, por exemplo. 

Os investidores já estão bem atentos em relação a um possível "ESG-washing", ou seja, quando uma empresa aplica um posicionamento, mas não o faz. Então, relatórios bem diagramados, com fotos espetaculares, não vão necessariamente dizer o que os investidores querem ouvir.

Temos, também, as empresas que precisam se adaptar por exigência de seus clientes. Para alinhar seus objetivos ao longo da cadeia de fornecimento, muitos clientes estão requisitando que seus fornecedores tenham práticas sustentáveis. 

Vale lembrar que ter um relatório não implica em ter práticas de impacto positivo. Se o cliente tem instrumentos efetivos para monitorar e auditar seus fornecedores, não será o relatório por si só que garantirá à empresa estar adequada às exigências de seus clientes.

O processo para a elaboração do relatório de sustentabilidade tem que ser visto como um instrumento de gestão, que pode influenciar a tomada de decisão. Lembrando que para o relato ser equilibrado, não se pode divulgar somente as contribuições positivas, ignorando impactos negativos relevantes. 

Outro ponto é ficar atento ao que chamamos de cherry-picking, termo que, resumidamente, significa selecionar as metas que são mais fáceis, em detrimento do que realmente é impactante. Assim, podemos dizer que o relatório é a consequência de um trabalho que não se resolve em poucas semanas.

Mesmo diante do cenário descrito, é importante reconhecer todo o esforço e engajamento que tem ocorrido nas empresas. É animador saber que este momento chegou, finalmente. E isso é muito legítimo. 

Cabe a todos, diretores, conselho, acionistas e consultores, acharmos o tom para que essa causa seja tratada de forma séria e que traga mudanças concretas. Afinal, todos (ou pelo menos a maioria) querem tornar o mundo um lugar melhor.

                                   


Fonte: Daniela Coelho - diretora associada de riscos e performance na ICTS Protiviti.