segunda-feira, 21 de junho de 2021

O ESG já é uma realidade no Brasil?



A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem referente às questões da emergência climática e à busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais.

Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião que durou dois dias foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros.

Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente, no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance).

O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos.

No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior.

- Mas será que é só uma discussão das redes?

Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG.

Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno.

O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou, segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa.

Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses.

E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas.


- Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia?

A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática.

É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado, como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa.

Estes são os novos tempos pós-pandemia que precisaremos mudar de vez, o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor!



Fonte: Marcus Nakagawa - professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Os três melhores museus para visitar na França



Um dos principais critérios para avaliar a cultura de um povo é o quanto a arte está presente na vida de cada cidadão. A sua valorização se concretiza na importância dos museus, espaços que contam a história da arte e da humanidade como um todo. 

A arte europeia, por exemplo, apresenta a sua trajetória desde a pré-história até a arte contemporânea e moderna, em um período que compreende quase 40 mil anos. Entretanto, foi na Idade Média que foram criadas as principais bases estéticas e técnicas da pintura, que são praticadas até hoje no mundo todo.

“Já estive em muitos lugares do mundo prestigiando a arte, mas nenhum deles me tocou tanto como os museus europeus. A Europa e os europeus respiram arte desde muito cedo. Antes mesmo da escolarização, por exemplo, as crianças já têm contato com a arte”, aponta Marisa Melo, artista, curadora artística, crítica de arte e fundadora da UP Time Art Gallery, galeria de arte itinerante que reúne artistas do Brasil e de países da Europa para democratizar o que há de melhor na arte contemporânea pelo mundo. 

“Nos últimos dois anos, estive mais envolvida em exposições na França e, por isso, vou dividir com vocês os pontos artísticos mais interessantes para se conhecer nesse país incrível”, completa.

Confira:

Museu do Louvre – Paris, França:

O maior museu de arte do mundo, com um acervo de 35.000 obras. As coleções do museu são separadas em oito grupos: antiguidades egípcias, antiguidades gregas, etruscas e romanas, antiguidades do Oriente Médio, arte islâmica, pinturas, esculturas, artes decorativas e impressões/desenhos.


Diferencial: “O museu do Louvre não exibe arte moderna. As obras de arte mais antigas têm 7.000 anos e as mais recentes são do ano de 1840. Esse palácio de arte histórica é para quem realmente tem interesse nas origens artísticas e em apreciar a origem da cultura no mundo”, conta Marisa.

Grand Palais – Paris, França:

Monumento consagrado pela República que chama a atenção para a glória da arte francesa. Foi construído na mesma época que a torre Eiffel e representa uma jóia arquitetônica de Paris. Encontro de cultura, o Grand Palais apresenta exposições que são divididas entre os muitos salões, cada um com uma temática diferente.


Diferencial: “Esse palácio recebe todo tipo de evento cultural francês, desde mostras de artes plásticas, moda, fotografia, música, dança, cinema, teatro e até mesmo esporte, sempre com objetivo de valorizar o que eles têm de melhor dentro do país”.

Palácio de Versalhes - Versailles, França:

O palácio foi uma das construções mais caras e extravagantes já erguidas em todo o mundo. Os reis da França viveram nele por mais de cem anos. Hoje, serve como museu e abre suas portas para que os turistas conheçam os cômodos e apreciem a arte e decoração do que existia de mais luxuoso nos séculos XVII e XVIII, além de terem acesso também ao famoso jardim.



Diferencial: “É interessante perceber que a arte está tão intrínseca no europeu que um monumento tão grandioso requer muita arte para ser considerado sofisticado e luxuoso. Com o pé direito alto, o palácio abriga obras de arte enormes, que ocupam a parede inteira, além dos mínimos detalhes, como louças, todas pintadas à mão”, analisa.

Outros museus pela Europa:

Alguns dos outros templos sagrados da arte no continente europeu são:

- Rijksmuseum, em Amsterdam – considerado o Museu Nacional da Holanda, é conhecido por ter uma das coleções mais extensas de obras do mundo;

- Museu do Prado, em Madrid - o mais importante da Espanha, onde são encontrados marcos na história da pintura;

- Galleria Degli Uffizi, na Itália – um verdadeiro palácio em Florença, abriga um dos mais antigos e famosos museus do mundo e leva o visitante à diferentes períodos artísticos;

- Hermitage, na Rússia - museu em São Petersburgo com vasta coleções de itens dedicados à arte da história ocidental.

“Falamos de culturas diversas, mas o apreço à arte é um elo comum a todas. Sejam holandeses, espanhóis, italianos ou russos, todos cultuam e respeitam o riquíssimo legado cultural que receberam, eternizando a noção de que a Arte representa algo superior, que nos distingue como seres humanos, em um nível que transcende as diferenças de idiomas, climas e tradições”, finaliza Marisa Melo.


Fonte: Marisa Melo - artista, curadora artística, crítica de arte e fundadora da galeria de arte itinerante UP Time Art Gallery

O impacto da inovação no crescimento e reconhecimento da Biotecnologia



Uma das maiores conquistas que um País pode ter é o investimento em inovação - palavra que significa criar algo novo e que é derivada do termo latino innovatio, e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Tal iniciativa amplia os horizontes do conhecimento e promove o crescimento de diversos setores que são imprescindíveis para a economia regional e global, como tecnologia, ciência e outros.

Neste contexto, em fevereiro de 2020, foram publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, os Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, um importante retrato sobre o cenário brasileiro neste quesito. O levantamento apontou que, apesar do aumento nos investimentos para P&D, o país ainda segue em desvantagem quando comparado a outros países. Uma vez que o país ocupa a 69ª posição no Índice Global de Inovação em ranking com 127 nações.

Entretanto, segundo um estudo do MIT - Innovation in Brazil, Advancing Development in the 21stCntury, ainda que seja desafiador o cenário da inovação e empreendedorismo no Brasil é promissor, sendo melhor do que a maioria dos nossos vizinhos na América Latina. Assim, fica evidente que, a agenda da inovação é mais importante do que nunca e que, cada vez mais, é preciso ampliar investimentos para estimular economia.

Dessa maneira, eventos ou crises de saúde mundiais também são um “divisor de águas” no que diz respeito à ampliação da produção científica, já conhecida por sua importância para o conhecimento de doenças e de seus efeitos, por exemplo, em busca de soluções. Assim, pesquisadores e cientistas no mundo todo, em muitos casos a partir de uma boa coordenação governamental, mobilizam-se e se unem em prol do desenvolvimento de soluções, promovendo diversas ações por parte dos governos para acelerar a pesquisa e a inovação, e outros.

E neste cenário as ações adotadas pelos governos para acelerar pesquisas na área de Biotecnologia têm fundamental importância, uma vez que diversos países do mundo coordenam suas iniciativas de pesquisa internamente e articularam os esforços àqueles identificados pela OMS, ampliando assim, os editais de pesquisa e o domínio da engenharia genética permitindo um crescimento vertiginoso da indústria de biotecnologia.

Hoje, as corporações cujos lucros dependem de conhecimentos científicos e experimentos nessa área tornaram-se gigantes transnacionais e figuram entre as empresas mais lucrativas do planeta. Entre as 100 maiores corporações mundiais, de todos os setores, que figuram no ranking da revista Forbes, sete são empresas classificadas no ramo de “fármacos e biotecnologia” (drugs and biotechnogy): Johnson & Johnson, Pfizer, Cigna CI, Novartis, Roche Holding, Merck & Co. e GlaxoSmithKline. Também vale à pena destacar que, o mundo sempre precisa de soluções inovadoras, rápidas e eficientes, e que nesse contexto as startups de biotecnologia - as biotechs - são fundamentais.

Diante de todas as ações e iniciativas citadas acima, concluímos que o cenário mundial e o investimento em inovação potencializaram e muito o crescimento e o conhecimento do segmento da Biotecnologia em todo o mundo. Nada mais justo do que o merecido reconhecimento aos profissionais (pesquisadores e cientistas) que lutam diariamente para solucionar os problemas ligados à saúde e ao bem-estar da sociedade, sem deixar de lado a paixão à Ciência e Inovação. É preciso também que tal processo tenha continuidade e que se invista cada vez mais em pesquisa, para que no futuro, o problema seja resolvido de forma mais rápida e consistente.



Fontes: Rodrigo Moura - Diretor Geral da Thermo Fisher Scientific no Brasil e Bruno Andrade é CEO do BiotechTown.


Qual será o futuro da privacidade de dados?



O futuro da privacidade de dados será um eterno paradoxo. Por mais que o esforço contínuo em prol da segurança das informações seja uma forte tendência favorecida pelos avanços tecnológicos, este mesmo cenário de criação de tecnologias cada vez mais robustas e completas também abre espaço para uma maior vulnerabilidade, com o surgimento contínuo de novas modalidades de roubos.

Hoje em dia, somos monitorados o tempo todo. Por onde quer que passemos, encontramos câmeras em casas, ruas, estabelecimentos ou até mesmo, nas redes sociais, onde compartilhamos nossas rotinas, hábitos e costumes. 

Por mais que essas tecnologias sejam criadas com um propósito positivo, seu mal gerenciamento e falta de cuidado pode causar danos devastadores. Como prova disso, uma pesquisa feita pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), aponta que os vazamentos de dados aumentaram 493% no Brasil só no ano de 2019.

Falar sobre o futuro da privacidade é uma linha tênue entre o seguro e o inseguro. De um lado, os avanços tecnológicos permitirão a melhoria contínua dos firewalls, dos sistemas de monitoramento e de controle de acesso, assim como de diversos protocolos de segurança. 

Mas por outro, essas conquistas também farão com que os fraudadores evoluam e descubram novas técnicas e meios para roubar os dados dos consumidores, criando artifícios, softwares e outros métodos para enganar pessoas e processos.

Neste cenário incerto, as empresas devem se preocupar em armazenar e tratar os dados permanentemente, com foco primordial no treinamento e capacitação dos funcionários. Não adianta ter o melhor sistema de proteção, sem colaboradores que estejam preparados para lidar com essas tecnologias e possíveis vazamentos. Dessa forma, todo o time entenderá a importância de proteger o dado do cliente e as consequências de seu mau gerenciamento.

Por parte do consumidor, também há a necessidade de se atentar aos dados solicitados. Preencha somente os campos necessários, nunca repasse informações que são desnecessárias e, em caso de dúvidas, sempre entre em contato com os responsáveis pela coleta dos dados.

Essas medidas de proteção vão muito além do atendimento a uma determinação legal, imposta principalmente pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). As empresas que se adequarem rapidamente à essas medidas terão uma importante chancela – facilitando, consequentemente, o fechamento de grandes contratos. Quanto maior for a confiança, melhor será o destaque da organização frente à concorrência.

Não há dúvidas de que essas tecnologias, quando aliadas à um time preparado e qualificado, contribuirão para uma redução significativa das fraudes. Contudo, isso não significa que elas serão extintas, já que do outro lado os fraudadores continuarão descobrindo mecanismos de roubo dessas informações.

É uma guerra sem fim. Ao mesmo tempo em que teremos sistemas cada vez mais seguros e com melhores artifícios de autorização, também poderemos sofrer danos devastadores em casos de vazamentos. Estaremos constantemente expostos e a melhor estratégia será sempre a de prevenção.


Fonte: Igor Castro é Diretor de Produtos e Tecnologia na Pontaltech.