sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Quatro riscos ambientais que podem comprometer o turismo e a economia do Brasil

Áreas naturais possuem grande relevância nas atividades turísticas brasileiras, contribuindo diretamente com a geração de renda e empregos em todo o País

Rico em biodiversidade e paisagens naturais, o Brasil é o País número um em atrativos naturais na América Latina e segundo no mundo, segundo o ranking de 2019 do Relatório de Competitividade em Viagens e Turismo do Fórum Econômico Mundial. O segmento turístico foi responsável por movimentar cerca de 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, totalizando US$ 152,5 bilhões, conforme estudo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em inglês). A pesquisa também aponta que o setor empregou 6,9 milhões de pessoas, correspondendo a 7,5% do total de postos de trabalho criados no Brasil.

Entretanto, eventos que colocam a natureza em risco – muitos provocados pela intervenção humana – podem prejudicar as atividades turísticas e a geração de renda no País. “Há uma clara relação entre a proteção da natureza e o desenvolvimento econômico, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Temos de aproveitar os produtos que a natureza oferece como atrativos turísticos e também desenvolver estratégias para frear problemas ambientais existentes que podem colocar em risco essa oportunidade. 

Para isso, é preciso envolver atores de diferentes setores da sociedade, como empreendedores do turismo, órgãos públicos, pesquisadores, instituições privadas e sociedade civil”, afirma a coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Marion Silva.

- Confira quatro riscos ambientais que podem comprometer o turismo e a economia no Brasil:

1) Derramamento de óleo:

Entre os desastres ambientais mais recentes no Brasil está o vazamento de petróleo no Oceano Atlântico, que chegou à costa em agosto e continua afetando praias do Nordeste. Pesquisadores identificaram que, em alguns casos, haverá um dano permanente para o ecossistema marinho, para a economia local e para a saúde humana, considerando que parte do óleo levará décadas para reduzir sua contaminação química. 

Segundo um estudo do Ministério do Turismo, as atividades relacionadas ao turismo da região movimentam cerca de R$ 45 milhões por ano, baseadas principalmente nas praias e nas paisagens naturais. Os impactos também afetam a pesca e a culinária, já que a absorção de óleo por espécies marinhas resulta em uma cadeia alimentar contaminada.

2) Queimadas:

Em 2019, foi registrado o maior número de focos de queimadas em território brasileiro dos últimos sete anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mais de 100 mil focos de incêndio foram registrados em todo o País, sendo 20 mil apenas no Mato Grosso, especialmente em terras amazônicas. 

De acordo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), as perdas econômicas no bioma derivadas do uso do fogo variam entre US$ 12 milhões e US$ 97 milhões por ano, devido à liberação de toneladas de carbono, perda da biodiversidade, desequilíbrio ecossistêmico, alterações climáticas, erosão do solo e danos ocasionados pela exportação de fumaça para outras regiões. E o problema não fica restrito à Amazônia. Outros biomas, como Mata Atlântica, Pampa, Cerrado e Pantanal, também tiveram aumento do número de focos de incêndio ao longo do ano.

3) Turismo predatório:

Oposto ao turismo sustentável, o turismo predatório é uma modalidade em que a visitação gera impactos ambientais, culturais e sociais negativos aos destinos turísticos. Esse tipo de prática impacta diretamente no desenvolvimento econômico da região. Por um lado, o turismo predatório está associado a turistas que não seguem regras, contribuindo com o esgotamento de recursos naturais, desequilíbrio social e econômico, além da descaracterização cultural. 

Por outro lado, locais turísticos devem ser preparados com infraestrutura adequada para receber visitantes e blindar o patrimônio local, equilibrando a geração de renda e a qualidade de vida. 

Os danos a patrimônios históricos e culturais, recursos naturais e de urbanismo podem ser irreversíveis e os custos com a reparação dos mesmos podem ser mais caros que a construção de infraestrutura para receber os visitantes. O prejuízo econômico torna-se ainda maior caso a região crie uma reputação ruim pela falta de gestão turística, refletindo no declínio de visitantes e da geração de renda.

4) Desmatamento:

Assim como as queimadas, o desmatamento também gera grande impacto econômico, social e ambiental, atuando na perda da biodiversidade, na degradação do habitat e no agravamento da crise climática global. A erosão provocada pelo manejo incorreto do solo foi responsável pela perda de produtividade em 23% da superfície terrestre, o que representa perda de cerca de 10% do Produto Interno Bruto global anual. 

Os dados são do relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU).



Fonte: Fundação Grupo Boticário

Plástico descartável: proibir para mudar


Ao ser questionado sobre o uso de produtos descartáveis, talvez você não se lembre que provavelmente utilizou na última semana vários deles. Grande parte das atividades humanas modernas utilizam produtos descartáveis feitos de material plástico e, quando paramos para observar o comércio de alimentos e bebidas, vemos que o uso desses materiais é significativamente mais expressivo. 

Anualmente, são geradas cerca de 300 milhões de toneladas de lixo plástico no mundo, sendo 14% desse resíduo encaminhado para reciclagem e apenas 9% efetivamente reciclado. Algumas pessoas possuem a falsa impressão de que todos os resíduos plásticos são recicláveis, porém, produtos químicos acrescentados aos polímeros plásticos e embalagens de alimentos contaminadas com restos orgânicos podem inviabilizar o processo de reciclagem.

Desta forma, fica clara a necessidade de reduzir a geração desse resíduo por meio da redução do consumo de materiais plásticos. Vários países já estão adotando medidas que proíbem a utilização de produtos plásticos descartáveis. O Canadá, a Indonésia e a União Europeia, por exemplo, já definiram uma data para a proibição, e o Brasil, sendo o 4º país que mais gera resíduos plásticos no mundo, precisa acompanhar esse movimento.

Sob o mesmo ponto de vista, temos na utilização de produtos descartáveis em bares e restaurantes uma grande oportunidade de redução de consumo, visto que o volume de itens plásticos utilizados pela maioria desses estabelecimentos é bastante expressivo. Copos, canudos, pratos e talheres descartáveis são utilizados cotidianamente em muitos estabelecimentos e o consumidor, tão acostumado com esse padrão de consumo, não tem por hábito questionar a real necessidade de utilização desses materiais.

É necessário que proprietários de bares e restaurantes comecem a buscar produtos que possam substituir o plástico, exercendo a mesma função, porém formados de material biodegradável. Em contrapartida, a indústria responsável pela produção desses produtos precisa aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento de materiais com baixo impacto ambiental, promovendo a inovação nos seus produtos para a garantia da manutenção dos seus negócios.

Ademais, é importante destacar que nós, como consumidores, podemos adotar uma postura consciente e proativa que não dependa da existência de políticas públicas. O consumidor final é o agente de transformação com maior poder nesta cadeia e podemos impulsionar as marcas que consumimos, os fornecedores que contratamos e os estabelecimentos comerciais que frequentamos a realizar iniciativas de substituição do plástico.

Por fim, partindo do princípio de que nenhuma mudança é fácil, devemos reconhecer, por meio da preferência, aquelas empresas que possuam um posicionamento ativo e comprometido no que diz respeito a iniciativas de baixo impacto ambiental, contribuindo para viabilizar essa mudança de comportamento tão urgente e fundamental para a sustentabilidade do nosso futuro. 


                                               

Fonte: Andréa Luiza Santos Arantes - engenheira ambiental e sanitarista, consultora nas áreas de gestão de processos, qualidade e meio ambiente, é mestre em Gestão Ambiental pela Universidade Positivo e Coordenadora de Sistema de Gestão no Grupo Positivo.

Criar cidades mais saudáveis, seguras e felizes


Como a construção da resiliência em projetos integrados de infraestrutura pode transformar cidades na Ásia-Pacífico lugares mais atraentes para se viver e investir?

As cidades na Ásia-Pacífico têm sido as receptoras de alguns dos maiores choques e tensões dos últimos anos. O processo de urbanização fez com que pessoas se mudassem para as cidades num ritmo mais rápido do que a capacidade de adaptação da infraestrutura. Com a globalização, os desafios de uma cidade cada vez mais se refletem nas outras. E as cidades assentadas em deltas de rios, no litoral e em planícies se tornaram vulneráveis aos piores efeitos da mudança climática. 

Chennai, no sul do estado indiano de Tamil Nadu, é uma cidade que materializa essas questões. Construída em sua maior parte em uma planície inundável, ela foi atingida por severas enchentes em 2005 e 2015. A imigração recente fez dela uma das quatro maiores regiões metropolitanas do mundo. E muitos dos recém-chegados vivem em áreas de alto risco nas periferias da cidade. Enquanto isso, em Bangkok, metade dos 10 milhões de habitantes da cidade vem de outras províncias e outros países em busca de trabalho. Muitos são pobres e vulneráveis.

Ainda assim, apesar de terem visto os danos que desastres naturais podem causar, e a pressão que o rápido crescimento de populações coloca sobre os sistemas e serviços, poucas cidades na Ásia-Pacífico estão desenvolvendo a resiliência como parte de seus projetos de infraestrutura. Em vez disso, elas focam em projetos bem básicos que prometem trazer um grande retorno econômico. 

Acreditamos que está na hora de uma nova abordagem. As cidades na região deveriam mirar-se no exemplo de suas semelhantes ao longo da Nova Rota da Seda, assim como em Bangkok e Semarang, para ver como integrar resiliência em projetos que resolvem múltiplos desafios e trazem benefícios sociais e econômicos no longo prazo.

- Quatro grandes questões sobre cidades resilientes na região da Ásia-Pacífico

1. Qual é o problema?

As cidades na região da Ásia-Pacífico estão se apressando em atingir os padrões mínimos em seus projetos de infraestrutura. Ao fazer isso, desconsideram a resiliência, o que as deixa indefesas a choques e tensões no futuro. E seus cidadãos mais novos e mais pobres pagam um preço desproporcionalmente alto.

2. Quais são os custos?

A enchente de 2011 em Bangkok e a fraca gestão de inundações em Quy Nhon, Vietnã, são exemplos de como o fato de não planejar integralmente o que fazer em uma situação de desastre pode custar extremamente caro.A enchente de Bangkok causou um prejuízo estimado em US$ 45 bilhões à cadeia global de suprimentos, dos quais apenas US$ 10 bilhões estavam sob seguro. E quando o tufão Mirinae atingiu Quy Nhon, em 2009, as inundações subsequentes causaram cerca de US$ 21 milhões de prejuízo.

3. Por que o problema existe?

A iniciativa 100 Cidades Resilientes identificou as três maiores razões para essa falta de planejamento adequado: urbanização, globalização e mudança climática.O processo de urbanização é particularmente problemático na Ásia-Pacífico. 

Enquanto as pessoas estão deixando as cidades no Ocidente, mais de 400 mil mudam-se para as cidades no Leste Asiático por semana. Das 10 cidades que crescem mais rapidamente no mundo, seis encontram-se na Ásia.

A região viu muitas políticas e gastos realizados pelo governo em resposta ao alardeado déficit de gastos de US$ 1 trilhão por ano. Isso significa que as cidades estão hesitantes em questionar as políticas, ou em falar com clareza se elas não estão mirando no futuro.

As cidades também tendem a estar isoladas em sua maneira de fazer negócios. O Departamento de Obras Públicas pode não estar trabalhando com as pessoas ligadas a investimento econômico ou investimento estrangeiro direto, logo, as pessoas que promovem diferentes zonas de desenvolvimento econômico podem não estar considerando as enchentes ou a drenagem em seus planos.

Por fim, as cidades menores da região não têm o mesmo acesso ao capital privado que as maiores. Algumas não têm qualquer acesso aos mercados de capital e têm que recorrer aos seus governos nacionais.

Os que têm acesso se acostumaram a priorizar projetos de infraestrutura básica, porque pensam que isso vai lhes dar mais chance de garantir financiamento.

4. Como você pode motivar cidades e atores do ambiente da construção a investir em fazer as coisas de outra maneira?

Construir cidades resilientes é algo que demanda uma nova abordagem. Os projetos de infraestrutura precisam ser integrados, de modo que eles enfrentem os desafios urbanos de maneiras que beneficiem tanto os cidadãos quanto os investidores.

A cidade holandesa de Rotterdam é um bom exemplo. Ela investiu € 100 milhões em medidas inovadoras de mitigação de eventos climáticos, como parquinhos de crianças que se transformam em sistemas de drenagem de água quando há chuvas fortes.

Cidades que escolhem essa abordagem tornam-se lugares onde as pessoas querem viver, trazendo investimentos e aumentando o valor dos imóveis. Na cidade de Nova York, o desenvolvimento desencadeado pelo projeto High Line deverá trazer US$ 4 bilhões em investimento privado e US$ 900 milhões em receitas para a cidade pelos próximos 30 anos. A construção de um viaduto nunca traria esses benefícios mais amplos.

As cidades situadas ao longo da Nova Rota da Seda já começaram a reconhecer essa correlação. Yiwu, na província chinesa de Zhejiang, está considerando como desenvolver uma vida cultural que dê suporte aos trabalhadores que fazem a cidade crescer 13% ao ano.

Como a maioria desses recém-chegados é de estrangeiros, os responsáveis pelo planejamento de Yiwu também estão usando uma abordagem inclusiva. Além de pensar na infraestrutura, eles estão pensando nas instituições e sistemas que irão apoiar a infraestrutura. Por exemplo, criaram tribunais mistos, assim, em uma disputa comercial, as pessoas apresentam seus casos a um júri que é 50% chinês e 50% estrangeiro.


Fonte: Fundação Rockefeller - por mais de 100 anos, a missão da Fundação Rockefeller tem sido promover o bem-estar da humanidade ao redor do mundo. 

As empresas brasileiras e os erros financeiros


Uma unanimidade entre os brasileiros diz respeito a dificuldade de empreender no país. Além da grande burocracia encontrada pelos empresários, a falta de preparo da grande maioria deles acaba trazendo grandes problemas para as empresas, principalmente no que se refere a gestão financeira. 

Pequenos erros neste setor são capazes de destruir qualquer sonho e acabar, até mesmo, com negócios consolidados. Eles acabam minando empresas, dificultando o crescimento e, até mesmo, levando elas para a inadimplência e para a falência.

O erro começa pela ausência de um planejamento de negócios bem feito. Planejamento de negócios - seja operacional, financeiro ou estratégico - ajuda uma organização a traçar um caminho para a realização de seus objetivos. 

Toda vez que uma empresa não realiza previsões financeiras, operacionais ou deixa tarefas e decisões para a última hora, está potencialmente afetando o desempenho. O planejamento é parte fundamental na tomada de decisão da gestão.

Além disso, as empresas brasileiras têm por hábito negligenciar a importância de uma contabilidade bem organizada e conectada com o resto da companhia. Isso resulta normalmente em demonstrativos financeiros que não refletem a realidade, ocasionando furos de caixas e inventário, além de abrir margem para fraudes e sonegações. 

Esses erros fazem com que as empresas trabalhem no “achismo”, entrando em uma verdadeira furada. Projeções e orçamentos financeiros não devem basear-se em "achismo", mas sim em informações sólidas e robustas com base na análise de dados e benchmarks de mercado. Portanto, as premissas devem seguir a regra dos ‘3 P’s’: elas devem ser possíveis, plausíveis e prováveis.

As dívidas, também, são tratadas de maneira equivocada pela grande maioria dos empresários brasileiros. Elas nem sempre são ruins. Para que uma empresa seja operacional ela precisa de ativos, sejam eles equipamentos, instalações ou até mesmo pessoas trabalhando. Existem algumas formas de financiar/pagar esse ativo. 


Dívidas, quando bem estruturadas, podem ser uma ótima fonte de financiamento e quando falamos em dívida não necessariamente são bancárias, podem ser dívidas com seus próprios fornecedores.

- Para completar, além de todos esses aspectos levantados, existem quatro dicas bem básicas que podem fazer toda a diferença para o sucesso de uma empresa:


1 - Cuidado com o Lucro: Diversas empresas veem seus lucros crescendo ano a ano, mas nunca conseguem entender para onde este dinheiro foi, pois, lucro é diferente de caixa. Devemos tomar muito cuidado ao analisar os dados financeiros e contábeis para que exista geração de caixa e não somente lucro contábil.

2 - Pagamento à vista: Novamente no assunto dívida, os gestores muitas vezes preferem realizar pagamentos à vista por “não ficar com pendências” ou até mesmo para “evitar a utilização errônea do caixa”, o que se mostra claramente um erro. Seus fornecedores podem dar prazo para o pagamento, consequentemente gerando dívidas para a empresa, o que é ótimo, pois deixa mais caixa disponível para investimento na operação, fazendo com que a empresa cresça.

3 - Governança Corporativa: Um erro trivial entre as corporações de médio porte é considerar que Compliance e Governança Corporativa são instrumentos que só devem ser utilizados por grandes empresas do mercado e que irão “engessar” a gestão, não aplicando medidas simples de controles para evitar desvios internos, erros humanos e principalmente criando processos para que a empresa seja menos dependente de pessoas e passe a ser dependente dos processos.

4 - Crescer é bom, mas cresça com saúde: Empresas que crescem muito rápido e não possuem planejamento, tendem a ter problemas. Isso acontece por diversos motivos, sendo os principais: a necessidade de caixa cada vez maior e investimentos exagerados, que posteriormente podem gerar capacidade ociosa.



Fonte: Henrique Tarasiuk - consultor financeiro e fundador da Legacy Partners.