quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Aruba completa dois anos de proibição de elementos plásticos descartáveis



Aruba é conhecida como a "Ilha Feliz do Caribe", não apenas pela beleza de suas praias e pela magia de seu povo, mas porque é também um lugar em que se pode respirar uma atmosfera tranquila e onde o compromisso com o cuidado e o bem-estar de sua natureza é essencial.

Há vários anos, o governo de Aruba, juntamente com a Autoridade de Turismo de Aruba, vem trabalhando em diferentes planos e projetos com o objetivo de tornar a Ilha um lugar 100% sustentável, levando em conta que, com isso, eles buscam ser um modelo de prosperidade econômica sustentável para outras nações insulares.

O produto básico de Aruba é seu meio ambiente, principalmente as praias e águas costeiras. A necessidade global de reduzir os plásticos de um único uso aumenta em uma pequena ilha como Aruba, por razões ambientais e econômicas. Por isso, o Ministério do Meio Ambiente de Aruba deu um passo adiante ao anunciar uma iniciativa histórica que proíbe todo o plástico descartável a partir de 2019, com um período de um ano para fazer a transição e esgotar o estoque para completo. Balões de látex e confetes à base de plástico também estão incluídos na proibição.

Com relação aos sacos plásticos descartáveis, em 28 de junho de 2016, o Parlamento de Aruba votou por unanimidade a favor da proibição que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2017 e que, como afirma Juliet Carvalhal, fundadora e diretora da Impact Blue Foundation, até o momento, foi possível impedir a entrada de 64.800.000 sacolas descartáveis em nossos oceanos. Essas sacolas leves e descartáveis, que levam anos para se decompor, podem causar estragos em ecossistemas frágeis, principalmente ao longo da costa, onde a vida selvagem e a vida marinha são afetadas negativamente.

O Programa Ambiental do Caribe criou um mapa interativo em 2018 para acompanhar as mudanças legislativas relacionadas aos plásticos. Neste, pode-se observar como Aruba se destaca entre as ilhas do Caribe por impedir a proibição de sacolas plásticas, copos e cigarros descartáveis, além de espuma de poliestireno.


Todos os supermercados mudaram para sacos de papel reciclado, e muitos também oferecem bolsas reutilizáveis para comprar a um preço simbólico. Desde que a proibição foi implementada, os cidadãos começaram a reportar os supermercados que oferecem sacolas plásticas proibidas postando imagens nas mídias sociais, ajudando a tornar as árvores e manguezais da "Ilha Feliz" agora livres de plástico.

"Com essas medidas, o país reafirma seu compromisso de cumprir as metas de desenvolvimento sustentável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que afetarão: produção e consumo responsáveis, ação pelo clima, vida marinha e a vida dos ecossistemas terrestres", diz Ronella TjinAsjoe-Croes, diretora geral da Autoridade de Turismo de Aruba.

Além disso, Aruba acrescenta outra conquista aos seus esforços para combater a poluição e a degradação dos recifes de coral com a aprovação de uma nova lei que proibirá a oxibenzona (um composto químico comumente usado em cremes para o sol) em 2020. Com isso, a "Ilha Feliz" interromperá a importação, venda e produção desses materiais e mais uma vez demonstra seu compromisso com o cuidado e o bem-estar da natureza.

Por meio da conscientização e ação, iniciativas atuais e visão de longo prazo: os setores público e privado da ilha estão trabalhando de mãos dadas para proteger o território e seus preciosos recursos naturais. Hoje, por exemplo, a ilha utiliza cerca de 20% de energia limpa e deu um passo gigantesco na produção de energia alternativa com a abertura do parque eólico Vader Piet Wind Park, que gera cerca de 18% das necessidades de eletricidade da ilha.



- Sobre Aruba:

Encontrar o clima perfeito é ideal para quem visita Aruba, nesse sentido, a Ilha Feliz é privilegiada. Nossos visitantes podem desfrutar de uma temperatura média de 25 graus Celsius o tempo todo, na praia ou na cidade, pois temos ventos suaves que refrescam o clima. Em Aruba, sem dúvida, o bronzeamento é garantido graças à sua posição geográfica fora do cinturão de furacões, que permite 365 dias de sol. 


Fonte: Rebecca Menezes

Estudo revela como modelo de desenvolvimento urbano afeta diretamente o ar que respiramos




Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que um mesmo metal, em concentrações idênticas, terá diluições diferentes em fluído pulmonar a depender do tipo de cidade que se mora. Na prática, a pesquisa alerta que determinados elementos químicos presentes na poluição atmosférica, emitidos por fontes de poluentes atmosféricos, em concentrações similares, podem chegar a corrente sanguínea e causar diferentes impactos na saúde a depender do modelo de desenvolvimento urbano adotado pela cidade.

O estudo foi publicado recentemente no periódico Scientific Reports, pertencente ao grupo NATURE. Para chegar à revelação, os pesquisadores realizaram uma análise da bioacessibilidade dos elementos químicos que usualmente são associados ao risco de câncer, entre outras doenças (cobre, cromo, chumbo e manganês). 

"Fizemos a investigação com material particulado obtido no ambiente, e não de fontes específicas como, por exemplo, uma indústria ou apenas fonte veicular. Coletamos o material particulado real, misturado, que as pessoas de fato respiram", explica Theotonio Pauliquevis, professor do Departamento de Ciências Ambientais da Unifesp e coautor do estudo.

As amostras foram coletadas em Manaus, na região Amazônica, e Curitiba, na região Sul do país. "Essas cidades foram escolhidas justamente por terem diferentes localizações geográficas, climas e estratégias de desenvolvimento urbano. Manaus impulsiona sua industrialização por meio da política da zona de livre comércio e Curitiba adota uma economia centrada em serviços impulsionada por sustentabilidade", descreve Pauliquevis.

Ao comparar as amostras de particulado atmosférico das duas cidades e dissolvê-los em fluído pulmonar artificial, os pesquisadores identificaram que elementos como cobre, cromo e chumbo tiveram solubilidade muito diferentes. 

"Cromo e chumbo tiveram solubilidade bem mais alta quando usadas as amostras de Manaus. Em Curitiba, houve solubilidade mais alta de cobre, fruto do distinto modelo urbano de desenvolvimento e industrialização", destaca o professor da Unifesp. 

"Essa diferença de solubilidade é devido ao fato de que são diferentes as fontes que emitem cada um desses metais nas duas cidades que participaram do estudo. Em Manaus, por exemplo, à época da amostragem, havia um predomínio de termoelétricas próximas produzindo eletricidade. Já em Curitiba, a cidade basicamente é alimentada por hidroeletricidade", explica o professor da Unifesp.

- Necessidade de governança e de fiscalização:

Como os motores que giram as economias de cada cidade e cada região permanecerão em funcionamento, são dois os caminhos para minimizar os efeitos nocivos da poluição atmosférica: governança, por parte da iniciativa privada, e fiscalização, por parte dos órgãos competentes.

De acordo com o professor Theotonio Pauliquevis, "sem governança, fiscalização e pesadas multas não há como controlar a poluição. É verdade que houve progresso ao se estabelecer níveis de poluentes específicos nas normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Entretanto, a legislação tem que ser sempre atualizada, os emissores de poluentes fiscalizados e as multas aplicadas. Afinal, sem monitoramento, as emissões podem ser altíssimas", alerta o pesquisador.

"Esse cuidado vale não apenas para as duas cidades onde o estudo foi baseado, mas para todas, independentemente da região e do porte. É notório que a socioeconomia, a localização geográfica e a estratégia de desenvolvimento urbano têm um impacto profundo na qualidade do ar. As consequências do contínuo desenvolvimento urbano e do crescimento desequilibrado são a perda de áreas verdes, o aumento da densidade de tráfego, da demanda de energia e da industrialização, bem como da geração de resíduos. O efeito combinado dessas consequências resulta em baixa qualidade do ar, o que evidentemente tem um impacto negativo na saúde humana", conclui Pauliquevis.


Fonte: Theotonio Pauliquevis - professor do Departamento de Ciências Ambientais da Unifesp e coautor do estudo.

Qual o valor do trabalho voluntário?


Foi em 1985 que a Organizações das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 5 de dezembro como Dia Internacional do Voluntário. De lá para cá é inegável que houve grande avanço na promoção de ações de voluntariado em todas as esferas da sociedade em todo o mundo. E no Brasil não é diferente. Mas ainda é preciso despertar em cada cidadão o sentimento de que é possível fazer a diferença individualmente.

Os brasileiros formam um exército silencioso de quase 7,5 milhões de voluntários - o equivalente a 4,4% da população com mais de 14 anos. Os dados são da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE. Mesmo assim, o Brasil foi o pior colocado na América Latina em 2018, segundo World Giving Index. Trata-se da maior pesquisa sobre doação e mede o grau de solidariedade de várias nações.

Dessa forma, esse despertar para o protagonismo do brasileiro é um dos principais desafios do voluntariado hoje. Com tanta notícia ruim chega a ser natural pensar que não há nada a ser feito. Essa sensação de impotência geralmente prejudica nosso bem-estar e qualidade de vida, porque provoca sentimentos infelizes.

E está mais do que provado cientificamente que ajudar alguém traz reações fisiológicas que desencadeiam uma série de benefícios ao corpo e à mente, como menos reatividade ao estresse, menor resistência à insulina, níveis mais altos de colesterol HDL ("bom"), melhor sono e padrões de atividade cerebral que foram associados a níveis mais baixos de depressão.

Um bom modo de promover uma reflexão sobre esse protagonismo é começar por entender a definição da palavra “voluntário”. Antes de mais nada, vale a pena recorrer ao dicionário. No Houaiss, aprende-se que "voluntário" significa aquele que age por vontade própria. Daí a importância da data ao celebrar a pessoa que decide integrar o voluntariado.

Outra reflexão necessária é sobre a causa para a qual se decide atuar. As primeiras perguntas que devem ser respondidas passam por qual motivação; o que gosta de fazer; quais os seus valores; que habilidades e talentos serão oferecidos; qual disponibilidade de tempo; com que público gostaria de atuar; em que área e local irá contribuir; e, finalmente, qual ação ou atividade a se realizar.

Quem faz trabalho voluntário tem consciência de que não consegue resolver todos os problemas, mas que pode fazer muita diferença para um determinado grupo. É essa visão, de que vale a pena se aproximar de quem é diferente, de se importar com o outro, que faz o voluntário ser cada vez mais valorizado por todas as organizações.

O movimento do voluntariado é um dos principais pilares do terceiro setor, que atua para promover o desenvolvimento social. Esse voluntariado engajado não deve ser confundido com nenhum tipo de assistencialismo, pois tem como objetivo despertar as pessoas para os seus direitos como cidadãos e também para a força que elas passam a ter quando se organizam.

Como se vê, os desafios são muitos, mas esses fatores acima descritos precisam ser amplamente compreendidos para dar força ao movimento. É uma troca, ganha quem recebe apoio e também ganha quem é solidário.

- 7 dicas para ser um voluntário:

✔ Doe tempo e talento

✔ Tenha a sua causa e o seu porquê

✔ Faça junto e não sozinho

✔ Pense no longo prazo

✔ Opte pela transformação

✔ Busque Instituições sérias e de confiança

✔ Aproveite, utilize e potencialize os meios a sua disposição



FONTE: Giuliana Preziosi - sócia da consultoria Conexão Trabalho, graduada em Comunicação Social com especialização em Planejamento Estratégico pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), MBA em Gestão da Sustentabilidade e mestranda pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou na área de Sustentabilidade e na criação de Programas de Voluntariado de grandes companhias e é membro organizadora do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresar

Como fazer mapeamento de riscos nas organizações em um mundo VUCA?



No mundo atual, as tecnologias se renovam a todo instante e a cada minuto hábitos de consumo são criados ou transformados, gerando incertezas e causando mudanças constantes no mercado. Com esse cenário desafiador, podemos considerar que este ambiente conturbado pode ser o novo modelo de normalidade.

VUCA é um conceito que define bem este momento, o termo originou-se nos anos 1990 com estudantes americanos do US Army War College para descrever o contexto pós-Guerra Fria. O mundo VUCA, que em português significa Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, foi incorporada ao vocabulário corporativo recentemente, quando os gestores financeiros começaram a perceber que o planejamento estratégico convencional não estava mais dando conta de prever os cenários prováveis do mercado.

A adaptabilidade e o preparo para as mudanças que o mercado exige são qualidades cruciais para manter-se competitivo. Portanto, entender o contexto em que cada organização se encontra é imprescindível para a sustentabilidade do negócio, pois afeta diretamente a maneira como a empresa planeja o futuro, gere seus riscos, toma decisões, executa mudanças e resolve intercorrências.

- Entendendo o conceito do mundo VUCA e o mapeamento de riscos nas organizações

Na era digital, a informação viaja a uma velocidade surpreendente. Atualmente, quase toda a população tem um celular com acesso à internet e perfis nas redes sociais, plataforma disseminação de dados em massa.

Um exemplo claro é a origem da primavera árabe, que foi fomentada pelo ato de protesto suicida de um vendedor tunisiano que ateou fogo no próprio corpo por ter tido o lucro do dia (aproximadamente U$ 7,00) confiscado pelas autoridades.

Naquele momento, em 17 de dezembro de 2010, se as pessoas não tivessem seus celulares para filmar e fotografar aquele ato do vendedor de frutas chamado Mohamed Bouazizi, a situação talvez não servisse de combustível para os jovens iniciarem uma revolução. Algo que foi possível graças aos milhares de compartilhamentos e acessos que as cenas ganharam.

O mapeamento de riscos nas organizações deve levar em consideração tais preceitos de Volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, para entender situações, que, como aconteceu no exemplo citado, não aconteceriam ontem, da mesma forma como podem acontecer amanhã. Dada a questão tecnológica, o mundo hoje está ainda mais sujeito a black swans (cisnes negros), eventos possíveis mas até há pouco inimagináveis. Este termo tem origem na época em que os primeiros navegadores chegaram ao continente australiano e se depararam com cisnes negros, animal sem registros para os viajantes europeus.

Por mais recente que o mundo VUCA seja, os exemplos que servem como base de analise para entender os prováveis movimentos do mercado mudam com muita velocidade, quantas situações como a primavera árabe aconteceram tendo como linha de entendimento estes preceitos?

Para saber como fazer o mapeamento da sua organização de acordo com o mundo VUCA algumas perguntas devem ser respondidas: O seu modelo de negócios pode ser fortemente afetado por variações nas taxas de câmbio, juros? Decisões políticas? Escândalos e decisões judiciais?

Sendo assim, estar suscetível a mudanças é um fato imutável, contudo, o planejamento e organização prévios, são medidas cautelares capazes de conter grande a imprevisibilidade do mercado que o mundo VUCA oferece. Muito mais cuidado deve ser dado aos riscos desconhecidos, pouco prováveis mas de grande impacto (cisnes negros) do que aos riscos conhecidos do dia a dia, que têm impacto de baixo a moderado.


Fonte: Julio Cardozo - diretor executivo de Riscos no Banco Cooperativo Sicredi