quarta-feira, 26 de junho de 2019

Cuidar do lixo representa uma importante etapa na luta pela melhoria da qualidade de vida


Nos últimos anos, a consciência sobre o que é feito com o lixo gerado, de que forma ele impacta a vida de todos e o que isso representa para o futuro das próximas gerações representa um grande dilema para a sociedade. Uma prática muito comum das prefeituras brasileiras é a incineração do lixo urbano nos chamados aterros sanitários. Da queima do lixo, são gerados dois elementos tóxicos de origem não natural: o furano e a dioxina, resultando no surgimento de perigosos poluentes. Estes compostos podem estar presente nos alimentos, solo, vegetais, ar, água e animais, classificados pelos pesquisadores como uma das mais graves ameaças ao ambiente. A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) alerta sobre o aumento contínuo do índice de concentração da dioxina no sangue das populações urbanas dos grandes centros. A EPA identificou que esse agente tóxico é cancerígeno e pode provocar outros distúrbios de saúde: deficiências do desenvolvimento infantil e diabetes. A dioxina é transmitida ao bebê através do aleitamento materno.

Sancionada em dois de agosto de 2010, a Politica Nacional Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) estabelecia até o final de 2014 o prazo para que as prefeituras se adequassem às novas regras. Em julho de 2015, o Senado estendeu a data-limite para o fim dos lixões. Além das capitais e regiões metropolitanas, os municípios de fronteira e os que contam com mais de 100 mil habitantes, com base no Censo de 2010, ganharam prazo até 2019. Infelizmente, com a falta de planejamento e a penúria financeira das cidades, mais uma vez o governo será obrigado a prorrogar a data para o fim desses locais de depósito irregular de lixo. Cidades com população entre 50 e 100 mil habitantes têm até 31 de julho de 2020 para resolver essa questão. Já os municípios menores, com menos de 50 mil habitantes, devem estar de acordo com a lei até 31 de julho de 2021.

O lixo impacta toda a região onde ele se acumula. Saber cuidar do lixo representa uma importante etapa na luta pela melhoria da qualidade de vida. Uma cidade mais limpa tem menos doenças; as pessoas economizam dinheiro porque não gastam com hospitais e remédios; com menos doenças a cidade produz mais e melhor e se tornam cada vez mais atraentes para novas indústrias e investidores, fechando assim um círculo em que todos saem ganhando.

O Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo segundo o estudo "Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização", feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Os municípios brasileiros produzem 11.355.220 toneladas de lixo plástico por ano e apenas 1,28% é reciclado. Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar na produção de lixo, seguido pela China (2º) e Índia (3º).

Retirar os resíduos do meio ambiente e reintegrá-los ao ciclo produtivo garante uma redução significativa de custos com matéria-prima. Difundido em indústrias dos mais diversos segmentos no mundo todo, o conceito de logística reversa consiste em duas etapas básicas: coleta + reciclagem e reutilização, e sua relevância para a preservação do meio ambiente tem motivado a criação de novas leis que tornam empresas dos mais variados segmentos legalmente responsáveis por todo o ciclo de vida útil de um produto, promovendo a reutilização ou o descarte correto dos mesmos.

A construção de uma sociedade consciente da sua responsabilidade com a natureza depende muito da postura da sociedade como um todo, é preciso educar, conscientizar, promover e realizar ações neste sentido por parte de todos os elos da cadeia, e iniciativas do setor empresarial como a logística reversa, um exemplo de responsabilidade ambiental e social.


Os cidadãos tem um papel crucial neste processo colaborando com a coleta seletiva. O cenário nacional é preocupante, ou seja, muito lixo que não é lixo acaba misturado ao lixo comum. Os rejeitos, que poderiam ser destinados corretamente por meio da reciclagem ou de processos reversos, acumulam-se na beira dos rios, entupindo galerias pluviais, em baías, no mar e, muitas vezes, são engolidos por animais, que acabam tendo graves problemas, podendo até ser fatal.

A PNRS foi criada para melhorar os processos de destinação final dos rejeitos, o que proporciona um ganho considerável da melhoria da qualidade de vida local e do meio ambiente como um todo. Apesar do avanço da legislação, ainda há um grande caminho a ser percorrido, que vai desde a conscientização sobre o lixo que cada cidadão gera, até as formas mais eficientes de separação.

A meta a ser atingida através de uma grande mobilização social é exigir o cumprimento da Lei nº 12.305/10, causando um efeito multiplicador positivo, seja capaz de mobilizar desde o grande gerador de rejeitos até o cidadão comum.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista, economista, administradora de empresas e editora da Revista Ecotour News & Negócios. 

Mar de albatrozes: cerca de 300 aves são avistadas em frente ao Rio de Janeiro


Em um sábado de junho com vento gelado, sol e céu azul, um grupo de birdwatchers liderados pelo biólogo e mestre em Biodiversidade e Sociedade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Igor Camacho, teve uma bela surpresa. A cerca de 45 km da costa, próximo à praia de Itacoatiara, em Niterói, puderam observar, entre outros animais, pardelas e diversas aglomerações de albatrozes-de-nariz-amarelo, espécie ameaçada de extinção protegida pelo Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras.

As aves sobrevoavam um barco de pesca de arrasto em busca de alimento, entre os peixes descartados pela embarcação. De acordo com o guia da expedição, foram contados cerca de 300 albatrozes-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos), 40 pardelas-de-sobre-branco (Ardenna gravis) e dois petréis-pequenos (Puffinus puffinus).

Segundo Camacho, o número de aves observadas na expedição é atípico para esta região, fato que surpreendeu os birdwatchers e fez com que registrassem em fotos o ‘mar de albatrozes’ com o Pão de Açúcar ao fundo.



“Nas expedições, sempre avistamos três ou quatro albatrozes, mas nunca havíamos encontrado um arrasto como aquele nesta época”, conta. “Inclusive, o biólogo que pilotava nossa embarcação nunca havia visto um bando tão grande como esse, mesmo indo para o mar há quase 30 anos para fazer pesca oceânica”.

Conforme o coordenador científico do Projeto Albatroz, Dr Dimas Gianuca, apesar do número incomum de aves encontradas, essas espécies são frequentemente avistadas nesta época do ano, quando vêm ao litoral brasileiro para buscar alimento. 


“A pardela-de-sobre-branco e o albatroz-de-nariz-amarelo se reproduzem nas ilhas de Tristão da Cunha e Gough. Por conta disso, são observadas no sudeste brasileiro com mais frequência do que outras espécies que nidificam em regiões subantárticas. Por isso, são avistadas com mais frequência no litoral do Rio de Janeiro”, explica.



No caso dos petréis-pequenos, completa, é comum encontrá-los pela região porque estão migrando de volta às colônias de reprodução da espécie, em ilhas próximas à Inglaterra e Escócia.

- Expedição memorável:

Além dos albatrozes e pardelas avistadas pelo grupo da Canindé Birdwatching durante a ‘Saída Pelágica’, também chamou atenção o encontro com três baleias jubarte no litoral fluminense. Após se alimentarem na região Antártica, elas rumam para o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, onde se reproduzem durante o inverno brasileiro. Além disso, os birdwatchers também avistaram atobás, fragatas, tubarões e cardumes de dourados.
                                   

Segundo Camacho, até mesmo àquela distância da costa era possível avistar manchas de poluição e lixos plásticos, que colocam em risco a sobrevivência não somente das aves, mas de toda a biodiversidade observada ali. “A pesca predatória com espinhel, super exploração dos recursos pesqueiros e a poluição dos oceanos fazem momentos como este mais raros de se contemplar”, finaliza.

Projeto Albatroz no Rio de Janeiro:

Desde 2014, o Projeto Albatroz mantém uma base avançada de pesquisa na Universidade Veiga de Almeida (UVA), no campus de Cabo Frio (RJ). Por meio da parceria com o Grupo de Estudos da Pesca (GEPESCA), conseguimos ampliar nossos estudos para o Porto de Cabo Frio, rota de diversas embarcações de pesca de espinhel com a qual albatrozes e petréis interagem e pela qual são capturados. Também desenvolvemos ações de educação ambiental com os pescadores e público em geral da região.


Para estreitar ainda mais os laços com o estado, o Projeto Albatroz mantém uma parceria com a Prefeitura de Cabo Frio para construir, nos próximos anos, o Centro de Visitação Pública e Educação Ambiental Marinha do Projeto Albatroz, em uma área cedida pelo poder público no Parque Municipal Dormitório das Garças, às margens da Lagoa de Araruama.

- Projeto Albatroz:

Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores.


A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos (SP), é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. 

O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.

Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC), Itaipava (ES), Rio Grande (RS) e Cabo Frio (RJ).


Fonte: Projeto Albatroz / fotos: Biólogo Igor Camacho

terça-feira, 25 de junho de 2019

Evolução, respeito, sustentabilidade e a contrapartida necessária ao mercado de eventos


Em mais de duas décadas dedicados à cenografia, tive a oportunidade de participar de eventos de todos os portes, para todos os tipos de público e de clientes, e também acompanhei de perto o crescimento de muitos dos envolvidos neste setor. Vi muita gente começar, vi outros tantos desistirem, vi a própria GTM Cenografia celebrar seus 25 anos de atividades. 

Clientes, parceiros, fornecedores e demais players do mercado ajudaram a transformar o Brasil em referência em grandes eventos, só que, apesar da seriedade com que a maioria de nós trabalhamos, ainda somos confrontados por situações que comprometem o sucesso, a imagem e o legado de cada trabalho.

O setor de eventos é repleto de oportunidades e recompensador para quem trabalha com afinco. Agora, por mais que tenhamos o entendimento de que é preciso lutar, dia após dia, para manter um alto padrão de qualidade, é preciso que todos ajam com bom senso, evitando o desequilíbrio e gerando, de lado a lado, contrapartida.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que é preciso prestar muita atenção em quem você contrata. Muitas vezes, os seus fornecedores não têm atitudes coerentes com o que suas marcas pregam e valorizam, e isso não só depõe contra você, mas também traz prejuízos, mesmo que a longo prazo. Vamos a um exemplo: como falar em bem-estar se os prazos são cada vez mais apertados? É verdade que “de vez em sempre” é preciso fazer um milagre e, por outro lado, é preciso haver uma contrapartida. 

O mínimo que precisamos é que haja planejamento, e que este seja cumprido. Ou melhor: que nós tenhamos margens e possibilidades para cumprir tudo a tempo. Em suma, quem quer qualidade precisa não só entender que a pressa é a inimiga da perfeição, mas também que a criatividade não flui num estalar de dedos. Por mais que as coisas aconteçam num passe de mágica neste nosso universo particular, é preciso considerar que o fator humano está intrinsecamente envolvido.

E, como não poderia deixar de ser, o fator humano merece dignidade e respeito. Isso é inegociável. Não fornecer equipamentos de segurança aos funcionários, ou submetê-los a condições insalubres nos processos de produção e montagem é igualmente preocupante. Isso também é falta de respeito, não só com o mercado e com o contratante, mas também com as vidas de todos os envolvidos. Não raro, nos deparamos no campo de montagem com banheiros pouco ou nada higienizados. Operários fazendo suas refeições pelo chão. Lanchonetes em pavilhões sem alternativas de lanches com bons custos benefícios e adequados ao público que ali atua. 

É dever das montadoras zelar pelo bem-estar do seu time, assim como conscientizar clientes finais e organizadores que não se pode economizar quando se trata destes itens básicos que garantem o bem-estar de quem está trabalhando para dar forma às suas ideias. E sempre vem à mente uma pergunta que não quer calar: A marca contratante tem consciência das condições sob as quais seus projetos estão tomando forma? Tais atitudes correspondem aos valores e princípios defendidos e comunicados por suas organizações?

Outra preocupação não menos crucial, é a preocupação com a sustentabilidade sócio-econômico-ambiental dos negócios. Se buscamos uma contrapartida justa entre nós, também temos o dever moral de devolver ao planeta tudo o que ele nos dá. Parece bobo e, eventualmente, soa demagógico, mas o fato é que tudo tem um limite, e até mesmo a natureza tem o seu. 

Como podemos falar em reciclagem e em um mundo melhor, se muitos de nós não têm tempo para, por exemplo, desmontar os estandes após uma feira? Fico verdadeiramente estarrecido quando vejo desperdício de materiais durante a montagem, e acho que jamais compreenderei uma empresa que preza a preservação da natureza optar por um fornecedor com zero preocupação ambiental. Reaproveitar materiais e otimizar recursos não só é uma questão de inteligência financeira, é bom senso no sentido pleno do conceito. Ou, como preferem os ecologistas, uma questão de sobrevivência e de preservação das próximas gerações.

Indo além, sustentabilidade não tem a ver apenas com o meio ambiente. Tem a ver com o nosso business. Como falamos, para manter a qualidade é preciso planejar, para planejar é preciso se comprometer, para se comprometer é preciso ser ético, e para ser ético é preciso enxergar além de si mesmo.

Ao invés de nos deixarmos levar por falsos propósitos e por teorias rasas ou mesmo vazias, que tal promover uma reflexão acerca destes problemas? Pensar é saudável, admitir enganos é inteligente, trabalhar em acertos é sabedoria. Encare para si a missão de garantir a sustentabilidade do nosso mercado - ao trabalhar o macro, você garante o micro, afinal, só é possível evoluir onde há inovação.


                                   

Fonte: Rodrigo Barros - Diretor Geral da GTM Cenografia

Complexidade fiscal: como monitorar as regras tributárias?


É um desafio cumprir com todas as obrigações tributárias no Brasil, pois o Sistema Tributário Brasileiro é bastante complexo. Dessa forma, as empresas encontram dificuldades para elaborar o correto cenário tributário para que possam emitir suas Notas Fiscais, sem nenhuma inconsistência nas informações prestadas ao Fisco.

Além disso, os contribuintes precisam conhecer e se organizar para entregar as inúmeras obrigações tributárias, principais e acessórias, para as três esferas: federal, estadual e municipal. Esse trabalho foi facilitado com a Escrituração Fiscal Digital (EFD), mas ainda é árduo.

Além de serem diversos tipos de tributos existentes em nosso ordenamento jurídico-tributário, cada qual com sua legislação específica, há uma quantidade muito grande de normas que são publicadas diariamente que mudam a tributação e acompanhar essas alterações, por vezes, acaba se tornando um trabalho insano e muito oneroso para as empresas, que precisam manter uma área somente para atuar na leitura e interpretação dessas normas, a fim de manter as regras atualizadas. Nesse contexto de complexidade tributária, três regras de tributação causam maior preocupação para os contribuintes:

1) Substituição Tributária: 

Para que seja possível monitorar os elementos necessários para manter as regras de ST, é preciso monitorar pelo menos duas normas – o Convênio CEST vigente atualmente (Convênio ICMS nº 142/2018) e o RICMS de cada Estado. Dependendo do Estado, pode haver ainda uma terceira base legal, como Portaria ou Instrução Normativa. Se a operação tiver origem em outro Estado é preciso ainda analisar se há algum acordo vigente entre os Estados envolvidos, como Convênio ou Protocolo ICMS.

2) ICMS: 

Todo Estado possui uma alíquota padrão, mas determinados produtos podem ter alíquotas específicas, a depender se são essenciais ou supérfluos. Nesse caso, é preciso acompanhar a Lei do ICMS de cada Estado, na parte que instituiu as alíquotas específicas, além do RICMS se houver regulamentação mais específica. Pode ocorrer de ser necessário analisar mais normas que tragam ainda mais detalhes, como condições para determinados produtos.

3) PIS/COFINS: 

Embora não sofra tanta alteração legal como os itens anteriormente apresentados, a legislação que envolve esse tributo é bastante complexa, pois as normas que tratam desses tributos são esparsas e exige conhecimento aprofundado, para que a operação seja corretamente enquadrada na regra. Dessa forma, uma única mercadoria com a qual o contribuinte faz operação, pode implicar em ter que acompanhar no mínimo 10 bases legais.

De acordo com IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o Brasil edita cerca de 760 normas por dia. Para piorar, impostos e taxas podem representar mais de 60% da lucratividade das companhias, segundo o Instituto.

Por isso, as empresas têm buscado o apoio da tecnologia para auxiliá-las no cumprimento da entrega de obrigações, além de oferecer serviço de monitoramento das normas, de modo que os sistemas internos que fazem o cálculo tributário estejam sempre de acordo com a legislação vigente. 

Os benefícios de contar com uma solução completa incluem gestão de todas as etapas do processo, apuração de tributos retidos, monitoramento de todos os eventos gerados e maior segurança da transmissão dos dados enviados ao Fisco. Com isso, é possível reduzir o risco de enviar as declarações com inconsistências e de ser autuado. 


Fonte: Por Leonel Siqueira - Gerente Tributário da SYNCHRO