terça-feira, 21 de maio de 2019

Caminhos da fé: um roteiro de viagem inspirado em Corpus Christi para renovar a fé



País majoritariamente católico, o Brasil abriga templos, santuários e celebrações que reúnem milhões de devotos. O turismo religioso está em alta e é uma ótima dica para quem deseja aproveitar o feriadão de Corpus Christi no dia 20 de junho. 

- Roteiro com cinco dicas para renovar o espírito. Confira:

- Aparecida (São Paulo)
                             

A 168 quilômetros de São Paulo, a cidade de Aparecida é destino obrigatório para o turismo religioso por abrigar a Basílica de Nossa Senhora da Aparecida, considerada a segunda maior do mundo. O local guarda a imagem original da santa resgatada por três pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717 e, desde então, é motivo de adoração por conta de milagres e graças alcançadas. 

Além do Santuário Nacional, o turista pode visitar a Matriz Basílica, a primeira igreja que ficou com a imagem, e o Porto Itaguaçu, local onde foi encontrada. Para os turistas, o aeroporto mais próximo é o de São José dos Campos, com aproximadamente uma hora de viagem de carro. Outra opção é descer em São Paulo e seguir viagem de carro, com duração média de duas horas.

- Nova Trento (Santa Catarina):



A canonização de Santa Paulina em 2002, considerada a primeira santa brasileira, elevou a pequena cidade catarinense de 13 mil habitantes ao status de segundo principal destino religioso do Brasil. Todos os meses, mais de 20 mil peregrinos desembarcam por lá para participar de romarias e missas, segundo o Ministério do Turismo. Nascida em Vigollo Vattaro, região que à época pertencia ao Império Austro-Húngaro, Santa Paulina viveu grande parte de sua vida em Nova Trento, onde emitiu seus votos de freira. 

Atualmente, é o único município do Brasil que possui dois santuários reconhecidos pela Igreja Católica: o de Madre Paulina e o de Nossa Senhora do Bom Socorro. Para visitar, os turistas de outros estados podem descer no aeroporto de Florianópolis, a cerca de 80 quilômetros de distância.

- Juazeiro do Norte (Ceará):



Terceira maior cidade cearense, Juazeiro do Norte é conhecida pela devoção ao Padre Cícero. O sacerdote ficou famoso em 1889 por conta do “milagre do século”, quando uma hóstia teria sangrado na boca de uma beata. Excomungado pela Igreja Católica na ocasião, ele recebeu o perdão do Vaticano apenas em 2015. Mas nem isso diminuiu a veneração do povo à figura do Padre Cícero, que ocupou o cargo de primeiro prefeito da cidade em 1911. 

Um ponto obrigatório para o turista é a estátua de 27 metros em sua homenagem. Além disso, é possível visitar o Museu Padre Cícero e a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde estão os restos mortais. Muito distante de Fortaleza, capital do estado, Juazeiro possui um aeroporto que liga o município às principais regiões do país.

- Guaratinguetá (São Paulo):



A canonização de Frei Galvão em 2007, o primeiro santo nascido no Brasil, impulsionou o turismo religioso em Guarantinguetá, cidade paulista localizada no Vale do Paraíba. Nascido na cidade, ele ficou famoso por suas “pílulas” (pedaços de papel enrolados e que contêm orações) e pelos milagres que elas realizam. 

Para celebrar a vida de Frei Galvão, o município criou um roteiro especial que inclui a Catedral de Santo Antônio, marco inicial de Guaratinguetá, a casa onde ele nasceu o Santuário e o Seminário criados em sua homenagem. O aeroporto mais próximo é o de São José dos Campos (SP), com uma hora de viagem de carro.

- Santiago de Compostela (Espanha):



A pequena cidade espanhola de quase 100 mil habitantes é o ponto final de uma das principais rotas de peregrinação da tradição católica. É lá, mais especificamente na Basílica de Santiago de Compostela, que pessoas de todo o mundo encerram uma peregrinação que percorre mais de 800 quilômetros. O local abriga os restos mortais de Tiago, um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Há doze séculos os devotos recriam a jornada de diversos pontos, conhecidos como “Caminhos de Santiago”. 

Não há um percurso específico, mas o mais famoso deles é o “Caminho Francês”, que cruza a fronteira entre França e Espanha no sopé das montanhas Pireneus. O desembarque em solo europeu depende, essencialmente, do caminho a ser seguido pelo turista. Uma boa alternativa é descer em uma das capitais (Paris ou Madrid) por conta das facilidades de acesso.


Fonte: ViajaNet - agência de viagens online 

A riqueza de tamanhos e cores das nossas abelhas




Para celebrar o Dia Mundial da Abelha, ontem, 20 de maio, a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas lançou pôster de divulgação científica com 30 espécies de abelhas sem ferrão das mais diferentes regiões do Brasil.

“O cartaz surgiu para atender uma carência por materiais informativos que apresentem a riqueza de tamanhos e cores desse grupo de abelhas nativas do Brasil”, explica Ana Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A..

No Brasil já foram descritas cientificamente cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão, que, apesar de formarem colônias e produzirem mel, são menos populares do que a abelha-africanizada (Apis mellifera), abelha exótica que possui ferrão e é mais utilizada para a produção comercial.

A seleção das 30 espécies levou em conta a distribuição geográfica nas cinco regiões do país. “Assim todos poderão reconhecer ao menos uma espécie com ocorrência em seu Estado”, comenta Assad.

Diversidade:

A coordenação científica do pôster foi feita por Kátia Aleixo, bióloga e consultora da A.B.E.L.H.A.. A seleção considerou a riqueza de tamanhos, cores e comportamentos dos polinizadores. “Há abelhas pequeninas, como a lambe-olhos (Leurotrigona muelleri) e a Trigonisca nataliae, e abelhas maiores, como a tiúba (Melipona fasciculata) e a uruçu (Melipona scutellaris)”, descreve Aleixo.

 As espécies também possuem relevâncias distintas para nós humanos. “Algumas espécies no pôster, como a jataí (Tetragonisca angustula) e as do gênero Melipona, produzem méis deliciosos. Outras são responsáveis pela polinização de cultivos agrícolas e garantem a riqueza de alimentos que consumimos diariamente.”

No rodapé, o pôster traz um código QR que fornece informações adicionais sobre os insetos. Apontando o celular, é possível conhecer a distribuição geográfica de cada espécie nos Estados brasileiros, além de quais delas têm participação na polinização de plantas e cultivos agrícolas.

A seleção inclui ainda espécies que são pouco recomendadas para a criação devido ao seu comportamento, mas que ainda possuem um importante papel na polinização de plantas nativas, garantindo a manutenção dos ecossistemas naturais.

Abaixo, destacam-se algumas dessas abelhas que possuem comportamentos peculiares:


Caga-fogo, tataíra (Oxytrigona tataira) – é muito agressiva e libera uma substância ácida que causa queimaduras na pele.

Iratim, limão (Lestrimelitta limao) – é cleptobiótica, ou seja, rouba alimento de ninhos de outras espécies de abelhas sem ferrão.

Mombuca carniceira (Trigona hypogea) – é necrófaga, ou seja, se alimenta da carne de animais mortos como fonte de proteínas, o que torna o mel impróprio para consumo.

Guira, guiruçu, mombuca (Geotrigona mombuca); guiruçu, iruçu, iruçu-do-chão (Schwarziana quadripunctata) – têm o hábito de fazer os ninhos no solo.


O pôster está disponível em versão digital no site da A.B.E.L.H.A. e pode ser baixado para impressão por quem tiver interesse. Será produzido um número limitado de cópias impressas, no formato 60cm x 90cm, para distribuição gratuita, destinado principalmente para grupos de pesquisa que atuam no tema, associações de apicultores e meliponicultores, órgãos governamentais e interessados nas abelhas sem ferrão.


Fonte: Guilherme Castellar

Saneamento com segurança jurídica


Os dados sobre saneamento no Brasil revelam que os investimentos aplicados em empreendimento do setor estão aquém das reais necessidades para a universalização dos serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água. Mesmo com a entrada em vigor da Lei do Saneamento Básico (Lei nº 11.445/07), que estabeleceu o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) os projetos e obras não decolam e a previsão inicial de investimentos acima de R$ 500 bilhões em 20 anos não deve se concretizar, adiando a universalização dos serviços de 2033 para apenas depois de 2050, com impactos diretos principalmente na saúde da população.

Os percalços do setor passam por prefeituras despreparadas para elaborar licitações adequadas para contratação de projetos e serviços. Mais de 80% das cidades brasileiras sequer contam com um profissional de engenharia capaz de contribuir com orientações para elaboração desses procedimentos. Em muitos casos, há disponibilidade de recursos financeiros, mas os entes federativos não conseguem cumprir com as exigências.

Outro desafio essencial a ser superado pelo setor está diretamente ligado à regulamentação da prestação do serviço. A titularidade do saneamento é municipal conforme definido no Artigo 30 da Constituição Federal. Porém, nas regiões metropolitanas, acordão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2013 reafirmou que o poder concedente de serviços do setor nessas localidades deve ser compartilhado entre Estado e município.

A criação de agências reguladoras é outro desafio às prefeituras. Precisamos encontrar uma solução para os mais de 1.100 operadores municipais ou privados de saneamento. Isso implicaria criar estruturas com grandes impactos nas finanças públicas. A titularidade municipal induz a criação de agências reguladoras nas cidades, multiplicando país afora o número de agentes para atender essa demanda. Além das dificuldades dessas localidades para o cumprimento dessas regras com a agilidade necessária, essa formatação invariavelmente vai inviabilizar os sistemas de saneamento, causando impactos diretos nas tarifas cobradas pelas companhias de saneamento, além do aumento de custos desses serviços públicos.

As agências reguladoras de saneamento podem manter o mesmo papel, inclusive com resultados muito mais eficazes, se forem estruturadas de forma a atender não apenas um município. Para algumas localidades, a solução pode se dar por meio de bacias hidrográficas ou regiões. Em outras, a abrangência estadual pode ser a melhor resposta para esse problema.

Acreditamos que as agências têm papel essencial para a operação de sistemas eficientes e devidamente regulados. Caso contrário, podemos enfrentar dificuldades para atrair importantes investimentos para os empreendimentos em saneamento. A segurança jurídica é indispensável para fortalecer definitivamente o setor e preencher as lacunas para a universalização do tratamento de esgoto e abastecimento de água.

O país tem uma dívida imensa com a população desabastecida desses serviços essenciais para a sobrevivência humana. O investimento em saneamento tem retorno direto na melhoria da saúde pública. Temos que avançar na oferta desses serviços ou vamos continuar relegando para as futuras gerações um imenso déficit capaz de comprometer seriamente o desenvolvimento do país nos próximos anos.


Fonte: Luiz Roberto Gravina Pladevall -  presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

A sustentabilidade e a perpetuação do turismo


Sustentabilidade é uma palavra que cada vez mais aparece como acompanhamento. Empresa sustentável, iniciativa sustentável, produto sustentável e, também, turismo sustentável.

Esse último vem em uma discussão crescente e o ano de 2017 foi dedicado a ele pela Organização das Nações Unidas (ONU) devido sua importância financeira – o turismo representa cerca de 10% das atividades econômicas mundiais e emprega uma a cada 10 pessoas no mundo – e também cultural, uma vez que é agente motivador da troca de culturas e experiências nas diferentes nações.

Essa troca ocorre em escala cada vez maior: no ano passado, 1,3 bilhão de pessoas foram chamadas turistas, número em constante crescimento desde a crise econômica de 2008. Com a ascendência das viagens, se intensificam também as preocupações ambientais e sociais, em tempos que o turismo massivo vem sendo cada vez mais criticado e rejeitado nos maiores destinos receptores, como em Barcelona, na Espanha, e em Veneza, na Itália, pensar a atividade de forma sustentável se torna cada vez mais essencial.

Motivados pela cultura pop, aéreas low-cost e vontade de conhecer o diferente, diversas cidades do mundo viram o número de visitantes multiplicar nos últimos anos. Em Dubrovnik, na Croácia, depois do sucesso da série Game Of Thrones, que teve cenas gravadas em seu centro histórico, a prefeitura decidiu limitar a quantidade diária de turistas na região para evitar que o local, tombado como patrimônio histórico, sofresse danos irreparáveis com o elevado número de visitantes.

Já na questão ambiental, o turismo também tem vez, uma vez que é responsável por 8% das emissões de gases do efeito estufa, quando considerados os meios de transporte e a pegada ambiental deixada pelos turistas, de acordo com pesquisa divulgada em 2018, pela Universidade de Sydney.

É fato: políticas de compensação ambiental estão sendo implementadas, assim como as empresas que compõe o setor tem se importado cada vez mais com o seu papel e sua responsabilidade na cadeia produtiva. Elas vêm desenvolvendo projetos próprios para melhorar a comunidade em que estão inseridas, bem como seu entorno, de modo a garantir o futuro próspero do segmento.

Quando pensamos em desenvolvimento sustentável, temos que levar em conta um tripé que engloba o sucesso econômico, social e ambiental e, trabalhar o turismo nessas três frentes se torna um desafio, porém quando bem-sucedido auxilia na conquista de três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU – Trabalho Decente e Crescimento Econômico, Consumo e Produção Responsáveis e Vida na Água. 

Neste contexto, não há dúvidas de que a consolidação de uma forma sustentável de fazer viagens trará mais benefícios para a indústria, com geração de mais empregos, riqueza e perpetuação de seus pontos de interesse como praias, sítios históricos e monumentos culturais.

Por definição, o desenvolvimento sustentável do turismo requer a participação ativa de todos os envolvidos na cadeia produtiva. Dos agentes de viagem aos governos, passando pelos turistas, prestadores de serviços e pela sociedade, todos devem ter em mente que a continuidade da atividade passa pela utilização consciente dos recursos naturais, humanos e econômicos e, novas formas de alcançar esse ideal são sempre bem-vindas e devem ser fomentadas.

Em tempos em que o consumo consciente está cada vez mais em pauta, com 75% dos brasileiros acreditando que a obtenção excessiva de bens está colocando o meio ambiente em risco, de acordo com pesquisa divulgada em 2015 pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em parceria com a HAVAS, pensar e praticar o turismo de forma responsável é essencial e urgente.

Os tempos são outros e a hora é agora: de pequenas ações que impactem diretamente a vida na comunidade local, a grandes projetos que interfiram positivamente na vida de muitos, tudo é válido para que essa atividade tão importante e que afeta diretamente tantas pessoas possa continuar existindo e sendo benéfica para o engrandecimento pessoal e nacional de todos aqueles que atravessam delimitações territoriais.


Fonte: Adonai Aires de Arruda Filho