sexta-feira, 23 de julho de 2021

Passeios de barco em alto-mar na Ilha da Madeira


A costa da Ilha da Madeira é lar de uma fauna marinha riquíssima, uma vez que o fundo do mar da região ter mais de 3 mil metros de profundidade. Um passeio de barco oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer melhor o arquipélago e ainda avistar golfinhos e baleias. 

Além disso, durante os passeios é possível mergulhar, relaxar e curtir o dia nas praias e ilhas da região. Descobrir as belezas deste destino a bordo de um barco em meio ao Oceano Atlântico é uma experiência rica e divertida para toda a família.



O turista pode, por exemplo, ir até às ilhas Desertas e conhecer o último refúgio do lobo-marinho, espécie que se encontra em recuperação populacional. Os viajantes também são convidados a nadarem em uma agradável baía de águas azuis. 

Desertas é o nome do conjunto de três pequenas ilhas de origem vulcânica, a sudeste da Ilha da Madeira: Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio. Este espaço, que é uma área protegida, é também um importante centro de nidificação de aves marinhas.


Outro passeio de barco imperdível é até Porto Santo, uma ilha de beleza singular, com praias de areia fina e mar tranquilo de cor azul-turquesa. Aliás, o mar e as areias da ilha têm propriedades benéficas para a saúde. O mergulho é outro ponto alto desta visita, graças à boa visibilidade do mar, que chega a 40 metros de profundidade, e seus recifes artificiais.


Passeios para observar golfinhos e baleias são muito comuns na Madeira. Isso porque esses animais costumam aparecer com facilidade e em grupos ao redor da ilha, e é possível vê-los nadando, saltando e brincando. No barco, um biólogo marinho que acompanha o grupo conta um pouco mais sobre os hábitos destes cetáceos incríveis.


Por fim, para quem quer avistar os cetáceos, mas prefere um passeio mais exclusivo, a bordo de um catamarã de luxo, a dica é fazer um tour com a VIP Dolphins. Entre os serviços que eles oferecem estão: champanhe, chef a bordo, registro fotográfico, Wi-Fi e muito mais, tudo incluído. E caso o turista não consiga avistar nenhum animal marinho, eles oferecem uma segunda viagem gratuita.


- Sobre a Ilha da Madeira:

Considerado o melhor destino insular do mundo, a Ilha da Madeira é um pequeno paraíso português situado em meio à imensidão do Oceano Atlântico. De origem vulcânica, sua localização privilegiada proporciona clima ameno e mar com temperatura agradável o ano inteiro, além de impressionantes cenários de montanhas, vales e penhascos, todos cobertos pela exuberante vegetação Laurissilva, nomeada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. 

O arquipélago é formado por um conjunto de ilhas, sendo as principais e únicas habitadas Madeira e Porto Santo. Há excelentes opções em balneários, monumentos históricos e ótimos hotéis e restaurantes, onde se pode provar a deliciosa gastronomia e os premiados vinhos madeirenses. 


Fonte: Jessica Ferreira

Eutanásia: a importância de discutir a morte com dignidade


A eutanásia consiste em se provocar a morte de uma pessoa antes do previsto pela evolução natural da doença, um ato misericordioso devido ao sofrimento advindo de uma doença incurável. A forma de causar a morte do paciente pode se dar de maneira ativa ou passiva, pode se dar de um jeito direto ou indireto, ou como um ato voluntário ou não voluntário do paciente.

Na Espanha, houve recentemente a aprovação para a eutanásia, incluindo também autorização para o suicídio medicamente assistido. Pela lei espanhola, qualquer pessoa paralisada por uma doença "grave e incurável", ou que sofra dores crônicas incapacitantes, pode pedir ajuda médica para morrer e evitar um "sofrimento intolerável". A nova legislação também permite o suicídio medicamente assistido, ou seja, quando o paciente toma uma dose de um produto prescrito para levar à sua morte. A eutanásia também é descriminalizada na Holanda, Bélgica e Luxemburgo.

A nova lei da Espanha, entretanto, impõe algumas condições estritas. São elas: o cidadão deve estar capaz e consciente no momento de fazer o pedido; este pedido deve ser feito por escrito e sem pressão externa e esta solicitação deve ser renovada 15 dias depois. Pelo texto sancionado o médico poderá rejeitar o pedido, se considerar que os critérios não estão sendo cumpridos, ou fazer valer sua objeção de consciência. O pedido terá que ser aprovado por um outro médico e receber a aprovação de uma comissão de avaliação. Na verdade, bem parecido com a legislação dos poucos países que a permitem.

A aprovação do procedimento na Europa nos leva a refletir sobre o tema, que, aliás, envolve aspectos do ponto de vista jurídico, social, cultural, religioso e antropológico. Além da eutanásia, existem também a distanásia e a ortotanásia, no campo da Bioética e do Biodireito. 

A distanásia é o adiamento da morte e acontece quando, por exemplo, o médico ministra ao paciente todas as drogas disponíveis, bem como utiliza toda a tecnologia disponível para prolongar a vida e/ou atrasar a morte, muitas vezes lhe propiciando sofrimentos desnecessários, chamada de obstinação terapêutica. 

Ortotanásia é um meio termo entre a eutanásia e distanásia, também conhecida por morte natural com o mínimo de sofrimento. Dá-se quando, por exemplo, o médico trata o paciente a fim de evitar-lhe sofrimentos mas, em casos terminais, não utiliza artifícios tecnológicos para atrasar a morte do paciente.

Nem todas essas práticas são expressamente aceitas, proibidas ou mesmo regulamentadas pelos órgãos competentes no Brasil. Na verdade, discute-se até onde vai a autonomia do paciente para decidir como será sua morte. Há algumas determinações sobre o assunto e, visando suprir, ainda que parcialmente, essa lacuna, foi que o CFM editou as Resoluções nº 1805/06 e 1995/2012. A resolução nº 1805/06, que versa sobre a ortotanásia, dispõe: “Art. 1º É permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal.”

Todavia, essa resolução foi objeto de questionamento pelo Ministério Público Federal, que propôs Ação Civil Pública visando suspender seus efeitos, sob o argumento de que o referido ato normativo feriria o ordenamento jurídico pátrio. Inicialmente, o juiz responsável pelo caso acolheu a tese da promotoria e suspendeu, temporariamente, os efeitos da resolução. 

No entanto, ao final da ação, o juiz reviu sua posição anterior e julgou válida a resolução do CFM que até hoje permanece vigente. Portanto, o médico, autorizado pelo paciente ou seu responsável legal, pode limitar ou suspender tratamentos exagerados e desnecessários que prolonguem a vida do doente em fase terminal de enfermidades graves e incuráveis.
 
Já a resolução nº 1995/2012 regulamentou o denominado testamento vital, isto é, uma diretiva antecipada de vontade consistente no registro do desejo do paciente em um documento, que dá suporte legal e ético para o cumprimento da orientação, seja no sentido de manter, seja no sentido de dispensar eventual tratamento inócuo. Não obstante ao teor das citadas resoluções, o Código de Ética Médica também aborda o tema é dispõe que é vedado ao médico “utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal”.
 
Sobre as chamadas diretivas antecipadas, há um Projeto de Lei de autoria do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com a exposição clara dos requisitos a ser em observados, em especial quanto ao respeito à autonomia do paciente. Destaca-se o seguinte trecho do Art. 10: É garantido a toda pessoa capaz, nos termos desta lei, o direito de planejar, de modo antecipado, suas decisões ante possíveis hipóteses do que pode lhe ocorrer no decurso de uma enfermidade, mediante instruções prévias a respeito de condutas terapêuticas no momento de privação da manifestação da vontade, deixando expressa suas escolhas sobre consentimento ou recusa em relação a testes diagnósticos, terapias, procedimentos, medicamentos, tratamentos e outras condutas terapêuticas.

De outra vertente, atualmente nossas leis não cuidam dessas situações de maneira clara e objetiva. Em uma primeira visão, somente a eutanásia configuraria crime. No entanto, não há uma previsão específica para essa conduta, de modo que incidiria a regra geral do artigo 121 do Código Penal com uma causa de diminuição da pena, prevista em seu § 1º: “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.”

Em síntese, aquele que, visando cessar o sofrimento de determinado paciente cujo estado de saúde é irreversível (relevante valor moral), responderia pelo crime de homicídio, mas com uma pena reduzida.

A aceleração de casos da Covid-19 no Brasil provocou um novo fenômeno nos hospitais: a mistanásia aguda. Definida como uma modalidade de término de vida, ocorre quando um indivíduo vulnerável socialmente é acometido de uma morte prematura, miserável e evitável. É possível caracterizar essa condição como o oposto da eutanásia. Esse quadro foi observado na segunda onda da epidemia pela falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de vagas de enfermarias no atendimento aos doentes com coronavírus em diferentes regiões do Brasil. E como alguns hospitais ficaram sem leitos, as equipes e profissionais da área da saúde foram obrigadas a escolher, de certa forma, quem deveria morrer ou não.

Na verdade, não é novidade no SUS que pacientes precisem muitas vezes serem escolhidos, segundo sua gravidade e chance de sobrevivência, para ocupação de um leito. O fenômeno da mistanásia não representa um abandono de paciente, mas sim uma consequência do colapso do sistema. A escolha não exime o profissional de oferecer ao paciente preterido de todos os cuidados no leito de enfermaria, mas uma chance de sobrevivência pode ser perdida pela ausência de cuidados intensivos. 

É uma decisão drástica criada pela completa saturação dos recursos da UTI no país e do "gargalo" no atendimento à população. E, na maioria dos casos, apesar de parecer cruel, a análise do atendimento é feita não só pela ordem na fila, mas também pela chance de sobrevivência.

Normalmente, a mistanásia atinge indivíduos excluídos do seio social que dependem das políticas públicas de saúde na garantia de sua dignidade. Já a eutanásia abarca pacientes de todas as classes sociais. À exceção da mistanásia, o que se discute é a autonomia do paciente. Importante frisar que a República Federativa do Brasil tem por fundamento a dignidade da pessoa humana. 

Disso conclui-se que todo ser humano tem direito a ter uma vida digna, inclusive no momento de seu término, ou seja, na morte. Em pacientes terminais cuja doença esteja em situação irreversível, a dignidade consiste no controle da dor e de outros sintomas indesejáveis e desconfortáveis ao paciente.

Dessa forma, os cuidados visando o bem-estar do ser humano passam a ser a prioridade, e não a luta contra algo que, inevitavelmente, não se tem mais condições de combater – no caso, a doença e o fim da vida. 

No entanto, vale ressaltar, a decisão final sobre manter ou não um tratamento quando o paciente já não reúne mais condições de reversão em seu quadro clínico, deve ficar sempre nas mãos do próprio paciente e, somente na sua impossibilidade de decidir, caberá à família essa importante decisão.

Não seria o caso de ampliarmos a discussão sobre morte digna nosso país, afastando-se o estigma do tema, já que a morte é condição natural? Sim, o tema é delicado, mas dessa discussão necessária muito se pode criar até políticas para se viver melhor para morrer com dignidade e escolhas.
 

Fonte: Sandra Franco - consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, doutoranda em Saúde Pública, MBA/FGV em Gestão de Serviços em Saúde.

O ESG está sendo acelerado pela tecnologia



Nestas últimas semanas de junho, o mês do Meio Ambiente, participei de vários debates e lives com empresas, acadêmicos e governos, ou seja, para os mais variados públicos. Fico muito feliz pela oportunidade e pela temática do ESG (Ambiental, Social e Governança, acrônimo ASG em inglês) estar cada dia mais em alta.

Foram diálogos muito produtivos, entretanto, ainda precisam ser inseridos no dia a dia das organizações, escolas, governos, casa das pessoas etc. É necessário avançar nesse processo, pois estamos na década da ação da Agenda 2030 da ONU, com os nossos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos pontos que muito se questiona é o quanto a tecnologia pode acelerar o método de utilização nos processos e projetos, nas empresas e no governo. Neste caso, o livro “Como Evitar um Desastre Climático”, de Bill Gates, fundador da Microsoft, traz cinco perguntas para falar do clima: Como ligamos as coisas na tomada? Como fabricamos as coisas? Como cultivamos as coisas? Como transportamos as coisas? Como esfriamos e aquecemos as coisas?

Fantástico uma das pessoas mais ricas do planeta, que teve toda a sua trajetória mudando o mundo por meio da tecnologia, transformando o modus operandi da forma de trabalhar, criando um império em cima de bits e bytes, ter passado mais de dez anos estudando as causas e os efeitos das mudanças climáticas. E o bacana é que ele teve acesso aos principais especialistas mundiais para debater e ainda se preocupou em colocar de uma forma bem fácil de entender as repostas dessas perguntas.

Será que pessoas como ele, envolvidas nessa temática, podem abrir “janelas” (trocadilho para Windows) para que possamos nos desenvolver de forma inclusiva, acessível e justa, preservando e regenerando o planeta?

Essas cinco perguntas acima servem para nos questionarmos pessoalmente e perguntarmos para todas as empresas e governos. Mais do que isso, ir atrás dessa temática como uma oportunidade de negócios e melhorias dentro das companhias, não esquecendo que os grandes investidores estão de olho em perfis organizacionais que aprimoram sempre os seus indicadores de ESG.

Pensando nesses desafios como oportunidades, o Distrito Dataminer ratifica esse raciocínio na pesquisa com o título Inside ESG Tech, de 2021, explicando as questões atuais e entrevistando vários profissionais da área. Além disso, o relatório do estudo mostra um mapeamento totalizando 740 startups que estão trabalhando e tendo impacto diretamente em algumas das áreas do ESG.

Em 2000, eram somente 23 startups. Atualmente, no tema Social são 36% de startups, no Ambiental 35% e 29% na Governança, sendo que na última década as 260 startups sociais receberam aproximadamente 1 bilhão de dólares.

Ainda nesta pesquisa, aparecem muitas dessas startups trabalhando para resolver problemas sociais, ambientais e de governança das empresas, ou seja, no B2B. Sendo que 17,4% delas são para as questões de água e energia e 14,52% para Martech, diversas soluções para o relacionamento, comunicação e transparência com os consumidores, indicador importante relacionado ao social no ESG.

E, finalizando, o estudo apresenta empresas na área ambiental, como a Moss.Earth, fintech em crédito de carbono tokenizado; a Trashin, uma cleantech focada na gestão de resíduos 360 graus.

No social, apresenta a Zenklub, plataforma on-line que presta serviços de bem-estar e saúde emocional dentro das empresas; Opinion Box, startup de pesquisa digital dedicada às soluções de pesquisa de mercado; Incentiv.me, que atua na área de inovação tributária, criada para incentivar projetos de impacto social por meio da transformação dos impostos, em investimentos que gerem benefícios para a sociedade.

E na área de governança está descrito a Egalitê, que auxilia as pessoas com deficiência a entrarem no mercado de trabalho, além de as empresas a cumprirem a lei de cotas com um recrutamento assertivo; a Datarisk, que oferece uma plataforma de modelagem preditiva focada na concessão de créditos e análises de dados para gestão de riscos dos investimentos das empresas; a Ecotrace, que foca na rastreabilidade de alimentos ao longo da cadeia produtiva no Agronegócio; Eureciclo, que fica como o braço de compliance de logística reversa da New Hope Ecotech; e a Plataforma Verde, especializada no gerenciamento de resíduos por meio de blockchain.

Ótimos exemplos para respondermos às perguntas do Bill Gates e termos esperança de que conseguiremos sim, aliar a tecnologia ao ESG. Porém, precisamos acelerar e investir mais em empresas como essas. Mais do que isso, educar e informar uma quantidade maior de pessoas, sobre o movimento do desenvolvimento sustentável e a importância da tecnologia.

E você e a sua empresa, o que estão fazendo?


                                   

Fonte: Marcus Nakagawa - professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS).

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Viajar ganha novo significado no pós-pandemia



“Viajar! Perder países! / Ser outro constantemente, / Por a alma não ter raízes / De viver de ver somente!”, bradava Fernando Pessoa em um de seus poemas mais conhecidos, escrito em 1933. Quase cem anos mais tarde, os versos do poeta se renovam em um espírito aventureiro que parece ser compartilhado por tantos de nós, depois de tantos meses impossibilitados de ver muito além dos metros quadrados de nossas próprias casas e apartamentos.

Uma série de estudos feitos em todo o mundo têm demonstrado que, conforme a vacinação avança, as pessoas começam a olhar novamente para além de suas esquinas. Isso se traduz em uma nova onda de buscas por passagens, hospedagens e passeios. 

Mas se engana quem pensa que tudo será como antes, porque as viagens pós-pandemia devem servir a propósitos muito mais profundos e duradouros que simplesmente “perder países”. Pesquisas nos Estados Unidos revelaram que ficar perto da família é a prioridade para a maioria dos entrevistados: 32% mencionam esse tipo de viagem como o mais importante.

Os efeitos de mais de um ano de conexões majoritariamente virtuais serão os propulsores de viagens à procura do afeto e do acolhimento humanos. Durante esse tempo, fomos capazes de compreender a importância da socialização para nossa saúde mental. Agora, prestes a ficarmos livres do necessário distanciamento social, procuraremos experiências que nos permitam fortalecer laços com aqueles que amamos.

Enquanto o Google registrou 131% de aumento nas buscas por viagens solitárias entre 2016 e 2019, neste momento, a tendência é outra. Estar perto, compartilhar risadas, paisagens e refeições, aproveitar a companhia de amigos e familiares podem parecer objetivos singelos, mas adquiriram um imenso significado para quem tem sentido o impacto da solidão na rotina do dia a dia, antes tão cheia de rostos e vozes.

Sentir-se só é um fardo ainda mais pesado para um povo como o brasileiro, acostumado aos apertos de mãos, beijos no rosto e abraços espontâneos. E essa não é uma observação empírica ou hipotética, mas uma estatística devidamente mensurada. 

O Instituto Ipsos ouviu mais de 23 mil pessoas em 28 países e descobriu que, no Brasil, metade das pessoas afirmam ter sentido solidão “muitas vezes”, “frequentemente” ou “sempre” ao longo da pandemia.

A procura por novas experiências que permitam esticar as pernas e expandir a mente - de preferência acompanhado - é, então, uma fagulha de esperança para muitos. Há, atualmente, uma atmosfera que é, ao mesmo tempo, de suspensão e expectativa. Mesmo com a vacinação a passos lentos no país, a demanda por viagens já começa a apresentar tendência de alta, até mesmo no Google Trends. 

O mesmo aconteceu no fim de 2020, quando o número de casos estava mais baixo e a Covid-19 parecia dar uma trégua, o que gerou um pico de pesquisas pelo termo “pacote de viagem”. Isso significa que estamos só aguardando condições seguras para nos lançarmos a jornadas de descobertas e coletividade.

Com o fim da pandemia, nossa necessidade de convivência pode nos levar por agradáveis caminhos rumo à reconexão com o próximo. Excursões em grupo, por exemplo, podem estar no horizonte de muitos de nós como uma forma de dividir essa maravilhosa sensação de estarmos novamente no mundo. 

Tomaremos pelas mãos quem nos é caro e os levaremos para ver e experimentar tudo aquilo de que fomos privados pelo vírus. Fomos todos transformados pelo trauma e pelos inúmeros sacrifícios que precisaram ser feitos em 2020 e 2021.

Não há como descolar nosso futuro dessas vivências que foram, em maior ou menor grau, dolorosas para todos. São justamente elas, portanto, que nos levarão a um novo estágio do nosso aprendizado enquanto seres sociais e ávidos por explorar novas fronteiras físicas e metafóricas. 

Vacina no braço, será hora de, descobrindo novos destinos e possibilidades, lado a lado com quem nos fez tanta falta durante esses tempos, reencontrarmos aqueles que somos de verdade.



                                 

Fonte: Adonai Aires de Arruda Filho - diretor da Serra Verde Express