Qualificação profissional é tão importante quanto o capital investido




Em novembro de 2026, a Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC) realizará a 200ª edição do Curso de Operador de Fomento Comercial. Mais do que um número expressivo, essa marca representa 43 anos de investimento contínuo na formação profissional e no fortalecimento de uma atividade essencial para a liquidez das empresas brasileiras.

Desde a fundação da ANFAC, em fevereiro de 1982, entendemos que o desenvolvimento do fomento comercial depende não apenas de recursos financeiros, mas também de conhecimento, preparo técnico e profissionais capazes de acompanhar as transformações da economia. Foi com essa convicção que, em 1983, realizamos o primeiro curso, no Rio de Janeiro, na sede do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). A experiência que trouxe do Banco Central contribuiu para estruturar uma formação voltada às necessidades de um setor que começava a se consolidar no país.

De lá para cá, foram 199 edições e 8.813 profissionais diplomados, entre eles 2.024 mulheres. Tenho a satisfação de ter participado e ministrado aulas em todas essas turmas. Ao longo desse percurso, acompanhei mudanças profundas no mercado e vi muitos profissionais formados pelo curso se tornarem empresários bem-sucedidos, contribuindo para a economia brasileira.

Acredito que a qualificação profissional é tão importante quanto o capital investido em uma empresa. Recursos financeiros são indispensáveis, mas é o conhecimento que permite avaliar riscos, tomar decisões consistentes e conduzir os negócios com responsabilidade.

Formação para um mercado em transformação:

A trajetória do curso também reflete a expansão do próprio mercado de recebíveis. O crescimento das transações comerciais e a diversificação dos meios de pagamento ampliaram as oportunidades de atuação e trouxeram novas exigências para as empresas. O fomento comercial passou a operar por meio de diferentes estruturas, como empresas de fomento comercial, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e securitizadoras. Cada uma tem características próprias, mas todas demandam profissionais preparados para lidar com instrumentos de crédito, análise de risco, gestão e operação de recebíveis.

Nesse cenário, a formação não pode se limitar aos conceitos básicos da atividade. É preciso compreender o funcionamento dos negócios, acompanhar as mudanças regulatórias, conhecer novas ferramentas e trocar experiências com quem enfrenta desafios semelhantes no dia a dia.

Por isso, a ANFAC vem atualizando sua programação de educação executiva e corporativa, ouvindo participantes e incorporando as transformações do mercado. Hoje, a Associação oferece uma grade de 25 cursos, voltada ao aperfeiçoamento de profissionais que atuam em diferentes regiões e estruturas empresariais. O objetivo é preparar pessoas capazes de administrar operações complexas, contribuir para a continuidade dos negócios e melhorar indicadores como liquidez, rentabilidade e produtividade.

A distribuição geográfica das edições mostra como essa formação se expandiu pelo país. São Paulo sediou 149 cursos e receberá a 150ª edição na realização do curso de número 200. O Rio de Janeiro recebeu 10 edições; Recife, 5; Porto Alegre, 7; Fortaleza, 5 e Curitiba, 5. Outras cidades também fizeram parte dessa trajetória, levando conhecimento a diferentes mercados regionais.

Um compromisso que continua:

Chegar à 200ª edição é motivo de satisfação, mas também reforça uma responsabilidade. O mercado de recebíveis continuará mudando, e a capacitação precisa acompanhar esse movimento. A atualização permanente e o intercâmbio de experiências são fundamentais para que os profissionais estejam preparados para novas demandas e oportunidades.

Ao longo desses 43 anos, o curso se consolidou como parte da história da ANFAC e do desenvolvimento do fomento comercial no Brasil. Seu valor está tanto no conteúdo transmitido quanto nas relações profissionais construídas e no conhecimento compartilhado entre as gerações que passaram por suas salas de aula.

A 200ª edição, marcada para os dias 9 e 10 de novembro de 2026, em São Paulo, celebra esse caminho e renova nosso compromisso com a formação profissional e o fortalecimento do setor. Deixo meu reconhecimento a todos os alunos, professores, colaboradores e parceiros que contribuíram para essa história. E cumprimento, de maneira especial, os profissionais que passaram pelo curso e hoje conduzem seus próprios negócios ou ocupam posições de responsabilidade no mercado. O sucesso de cada um também faz parte dessa conquista.


 

Fonte: Luiz Lemos Leite - presidente e fundador da Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC), Formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense, É autor do livro Factoring no Brasil, que chegou à 12ª edição, e idealizador do curso de Agente de Fomento Comercial, criado em 1983. Também fundou o Instituto Brasileiro de Fomento Mercantil, voltado à capacitação do setor.