El Niño intensifica eventos extremos no Brasil


A conservação ambiental deve integrar o planejamento das cidades.


O Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), informou que havia mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte .Há probabilidade de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027.

Este fenômeno natural provoca impactos diferentes nas regiões brasileiras: no Sul, chuva acima da média e recordes, segundo o Inmet; já no Nordeste, o Cemaden prevê expansão da seca severa e extrema; enquanto isso, no Sudeste, 89% da região sofreu com algum grau de seca em julho e a expectativa é de um período de chuvas intensas e altas temperaturas, destaca o Climatempo; na Amazônia, os efeitos serão déficit de chuva, risco de prolongamento da seca e incêndios, conforme aponta o Cemaden/ANA.

O Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM), alerta que o El Niño em curso poderá tornar-se num dos mais severos registados desde 1950. A comunidade global prevê que além dos efeitos climáticos, o aquecimento das águas do Pacífico pode afetar indicadores sociais das comunidades, da saúde à educação.

De acordo com o Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn, a instabilidade climática tem potencial para desencadear impactos diretos na saúde da população, indo desde desastres relacionados a enchentes e inundações até o aumento na incidência de doenças transmissíveis.

“Embora o comportamento das chuvas passe por variações conforme a região, aumentando em algumas e diminuindo em outras, o alerta principal recai sobre a combinação de umidade e calor, cenário propício para a proliferação de vetores de zoonoses, especialmente as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya”, destaca o especialista.

O fenômeno poderá repercutir na agricultura, nos níveis dos reservatórios, na geração de energia e nos preços dos alimentos. O monitoramento do El Niño depende da coleta e transmissão contínua de dados atmosféricos e oceanográficos provenientes de satélites, sensores e boias oceânicas. Esse comportamento se aplica ao agronegócio, onde a conectividade possibilita transportar dados de campo para plataformas de análise que auxiliam na tomada de decisão. Desta forma, o produtor poderá acompanha as condições da área e receber os alertas.

A mudança climática já está produzindo novos desafios para as cidades brasileiras. Adaptar as cidades é uma questão de planejamento, é importante encontrar, no presente, caminhos que aumentem a capacidade de enfrentar os cenários futuros.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista, ambientalista, administradora de empresas, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.