Para 84% dos brasileiros problemas financeiros afetam a saúde mental




A inadimplência costuma ser medida em números: quantidade de pessoas negativadas, volume de dívidas ou valor devido. Mas, para quem está do outro lado da estatística, o problema também aparece na rotina. Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, em 2026, mostra que 89% dos brasileiros entrevistados já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros.

O impacto não se restringe à preocupação com o dinheiro. Entre os entrevistados, 71% afirmaram que problemas financeiros já afetaram a qualidade do sono, enquanto 53% relataram impacto no humor, 50% na autoestima e 47% na estabilidade emocional. A falta de dinheiro e a dificuldade para pagar contas estão entre as principais preocupações para 80% dos participantes.

O cenário ganha dimensão diante do avanço da inadimplência. Em julho de 2026, 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o maior número registrado pela série histórica da empresa. O volume mostra que a dificuldade de manter as contas em dia não é um fenômeno isolado, mas uma questão que atinge uma parcela significativa da população.

Nesse contexto, a organização financeira não só ajuda a equilibrar receitas e despesas, mas também pode ajudar a reduzir a sensação de descontrole que acompanha o endividamento. “Quando a pessoa conhece sua situação financeira e consegue visualizar o que precisa ser pago, quais despesas são prioritárias e o que pode ser ajustado, ela passa a ter mais clareza para tomar decisões. Isso não elimina o problema imediatamente, mas reduz a sensação de estar lidando com algo desconhecido.
Anote seus gastos

Um primeiro passo é transformar os gastos em informação. Registrar despesas fixas e variáveis permite identificar para onde o dinheiro está indo e quais compromissos estão pressionando o orçamento. A proposta é entender a estrutura financeira da casa e estabelecer prioridades, ao invés de apenas cortar gastos de maneira indiscriminada.

Reavalie o uso do cartão de crédito:

O cartão de crédito também merece atenção. Parcelamentos sucessivos podem fazer com que compromissos assumidos em meses diferentes se acumulem e reduzam a renda disponível no futuro. O cartão precisa estar dentro de um orçamento que considere não apenas a compra de hoje, mas também os compromissos que continuarão existindo nos próximos meses. Crédito não é renda adicional e precisa ser tratado como uma obrigação futura.

Estude educação financeira:

Outro ponto é buscar informação antes de tomar decisões financeiras. A pesquisa Serasa/Opinion Box mostra que 76% dos entrevistados acreditam que a educação financeira pode contribuir para melhorar a saúde mental, indicando que conhecimento sobre dinheiro também é percebido como uma ferramenta para lidar melhor com as próprias finanças.

Isso inclui compreender juros, modalidades de crédito, condições de pagamento e capacidade real de assumir uma nova parcela. Em situações de endividamento, a prioridade deve ser conhecer o tamanho do problema e evitar decisões tomadas apenas para aliviar uma pressão imediata.

A relação entre dinheiro e saúde mental, não deve se resumir à ideia de que “organizar as contas traz tranquilidade”. Os dados indicam que dificuldades financeiras já estão repercutindo em aspectos concretos da vida cotidiana, como sono, humor e autoestima. Para uma parcela expressiva dos brasileiros, colocar as finanças em ordem é também uma tentativa de recuperar previsibilidade sobre o próprio dia a dia.



Fonte:  Thaíne Clemente - executiva de Estratégias e Operações da Simplic.