Banco do Japão decidiu elevar a taxa de juros para 1,25%




Hoje, o que está repercutindo nos mercados, principalmente, é a decisão de juros no Japão. O Banco do Japão decidiu elevar a taxa em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, o maior nível desde 1995. Essa também foi a primeira movimentação desde março de 2024, quando o Japão iniciou o processo de normalização de sua política monetária.

Ainda assim, o iene começa o dia em queda. E por que o mercado está reagindo dessa forma? Principalmente porque havia expectativa de um tom mais hawkish por parte do presidente do Banco do Japão. Na comunicação, porém, ele deixou muito claro que as próximas reuniões seguem em aberto, sem nenhuma decisão previamente tomada.

Além disso, a decisão não foi unânime. Dois integrantes preferiam manter a taxa de juros em 1%. Com isso, a possibilidade de um novo aumento nas próximas reuniões se torna um pouco mais complexa. Há, inclusive, quem volte a falar na possibilidade de intervenções conjuntas do Japão e dos Estados Unidos para tentar sustentar o iene.

Outra questão que repercute nesta manhã é o petróleo, que registra o terceiro pregão consecutivo de queda. Ontem, tivemos uma iniciativa da Arábia Saudita envolvendo a transferência de petróleo entre navios, mas também um relatório bastante importante do JPMorgan, divulgado no fim do dia.

O banco afirmou que não vai mais tentar prever o preço do petróleo, diante da dificuldade de incorporar aos modelos os impactos do conflito no Oriente Médio. Segundo a instituição, o cenário tornou as projeções para a commodity extremamente difíceis.

A combinação entre a queda do petróleo e o recuo dos yields dos Treasuries americanos tem ajudado a melhorar o ânimo do mercado acionário. O rendimento do Treasury de dez anos, por exemplo, voltou para abaixo de 5%, recuando para 4,93%, uma queda de cerca de 7 pontos-base. Esse movimento tem contribuído para um desempenho mais positivo das ações nos Estados Unidos.

Por fim, no Brasil, foi anunciado que teremos hoje leilões do Banco Central. A operação prevê uma linha de até US$ 1 bilhão em venda de dólares à vista, com compromisso de recompra futura, com o objetivo de prover mais liquidez ao mercado e conter a pressão sobre o dólar.


Fonte: Fernando Saad Benati - Estrategista Global da Avenue.