Minerais raros incrementam o desenvolvimento econômico e tecnológico



Os minerais raros são essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos de defesa e tecnologias ligadas à transição energética. Elementos de terras raras é um grupo de dezessete metais estratégicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração.

Elementos como neodímio, disprósio e praseodímio, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alta performance, tornaram-se essenciais para setores que vão da mobilidade elétrica à automação industrial.

A demanda global por esses materiais cresceu em ritmo acelerado: em 2020 foram extraídas cerca de 240 mil toneladas de óxidos de terras raras, volume que saltou para 390 mil toneladas em 2024, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, ou United States Geological Survey).

Dados do U.S. Geological Survey mostram que a China responde atualmente por cerca de 60% da mineração mundial de terras raras e mais de 85% do processamento e fabricação de ímãs de alta performance.

Os países consumidores, EUA, União Europeia, Japão, Coreia, buscam reduzir a dependência da China e escolhem parceiros com base em três critérios: abundância de reservas, estabilidade institucional e competitividade de custos.

O Brasil tem cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio e a segunda maior reserva global de terras raras. Estudos indicam que o país possui cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras em reservas, aproximadamente 23% das reservas mundiais, a segunda maior proporção global, atrás apenas da China.

As principais áreas brasileiras mapeadas como detentoras de minerais raros distribuem-se em estados como Goiás, Minas Gerais, Amazonas e Bahia. Apesar dessa riqueza natural, a produção nacional ainda é insignificante, em torno de 1% da oferta mundial.

Segundo Marco Giroto, especialista em educação tecnológica e fundador da SuperGeeks, há uma oportunidade real de o Brasil ocupar um espaço estratégico na nova economia global. Mas isso só será possível se formarmos pessoas preparadas para operar e desenvolver tecnologias de ponta. A base da inovação é humana. Sem profissionais qualificados, continuaremos fornecendo insumos e importando valor.

O debate sobre minerais estratégicos ganhará importância à medida que for intensificada uma estratégia de cooperação internacional capaz de ampliar a aproximação do Brasil com o mercado global de tecnologias emergentes. 


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista, economista, administradora de empresas e editora da Revista Ecotour News & Negócios.