Crédito próprio avança como estratégia de fidelização




O avanço da transformação digital está mudando o papel do crédito próprio no varejo brasileiro. Antes restrito ao financiamento de compras, o modelo passa a ser utilizado como instrumento de fidelização, geração de receitas financeiras e inteligência sobre o comportamento dos consumidores, em um movimento impulsionado pela digitalização do sistema bancário.

Os indicadores da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2026 mostram a velocidade dessa mudança. O levantamento aponta que 80% dos bancos priorizam investimentos para melhorar a experiência do cliente, enquanto a digitalização de processos como onboarding, validação de identidade e automação operacional ocupa posição crescente nas estratégias das instituições financeiras. Ao mesmo tempo, 78% das transações bancárias já são realizadas por dispositivos móveis, e os canais digitais concentram 83% de todas as operações financeiras do país

O amadurecimento do Open Finance reforça essa transformação. Segundo a pesquisa, o Brasil alcançou 102,8 milhões de consentimentos ativos, crescimento de 122% em relação ao ano anterior. A ampliação do compartilhamento de dados cria condições para que instituições financeiras e empresas desenvolvam ofertas mais personalizadas, integrem serviços e reduzam o tempo necessário para concessão de crédito.

Essas mudanças alteram a forma como o varejo passa a enxergar suas operações financeiras. Durante muitos anos, o crédito foi tratado apenas como uma forma de viabilizar vendas. Hoje ele se tornou uma poderosa fonte de inteligência de negócios. Cada operação permite compreender hábitos de consumo, prever comportamento financeiro, personalizar ofertas e fortalecer o relacionamento entre varejista e consumidor.

Na avaliação do executivo, a digitalização permite que operações tradicionalmente voltadas ao processamento financeiro passem a gerar informações estratégicas para as empresa

Além do crédito ao consumidor, outro segmento que começa a ganhar espaço na agenda das instituições financeiras é a gestão digital de frotas corporativas. A oferta de cartões destinados ao controle de abastecimento, manutenção, pedágios e demais despesas operacionais vem sendo considerada uma oportunidade para ampliar receitas recorrentes e fortalecer o relacionamento com clientes empresariais.

Segundo estimativas do setor, milhões de veículos corporativos ainda operam com processos manuais para controle de despesas, o que abre espaço para a digitalização dessas operações e para a expansão de serviços financeiros voltados ao mercado B2B. Isso indica que a integração entre meios de pagamento, gestão operacional e acompanhamento das despesas permite reduzir custos administrativos, aumentar a eficiência dos processos e criar novas fontes de receita para as administradoras de cartões e instituições financeiras.

A tendência observada no mercado indica que o crédito e os serviços financeiros embarcados caminham para um modelo cada vez mais integrado às estratégias comerciais das empresas. Ao centralizar toda a operação financeira, o varejista deixa de depender exclusivamente das margens obtidas na venda de mercadorias e passa a capturar novas receitas provenientes dos serviços financeiros oferecidos aos clientes, além de ampliar sua capacidade de conhecer o comportamento de consumo da própria base.

As discussões em torno desse novo cenário deverão ganhar destaque durante o FEBRABAN Tech 2026, evento que reúne bancos, fintechs, empresas de tecnologia e fornecedores de infraestrutura para debater a próxima etapa da transformação digital do sistema financeiro brasileiro.



                                                       

Fonte: André Maniezo - CEO da INFOX Payments.