A agenda ESG como pilar para a longevidade empresarial




Em um cenário de negócios em constante transformação, a forma como medimos o sucesso corporativo evoluiu, consolidando a agenda ESG como um imperativo estratégico para empresas que visam crescimento e perenidade. No entanto, esse movimento enfrenta, hoje, um teste de resistência. Em meio a debates que questionam o retorno de tais investimentos, emerge uma clareza fundamental: recuar dessa agenda é ignorar a transformação mais profunda e irreversível de todas — a do próprio papel das corporações na sociedade.

Consumidores, investidores e, principalmente, talentos, passaram a exigir das empresas um compromisso genuíno com a ética, a transparência e as boas práticas. Responder a essa demanda, portanto, tornou-se a mais importante condição para a relevância e competitividade no longo prazo, especialmente em um ambiente que testa a solidez desses valores.

Essa transformação é confirmada por dados recentes do mercado brasileiro. Pesquisas como a da Amcham Brasil indicam que mais de 70% das empresas no país já adotam práticas ESG em suas operações. Além disso, o estudo “A Maturidade ESG nas Empresas Brasileiras: Avanços e Desafios 2024”, conduzido pela Beon ESG e Aberje, destaca que 64% das organizações já consideram sustentabilidade como prioridade estratégica. Esses números evidenciam um ponto de inflexão: a agenda ESG deixou o campo do discurso para se tornar uma ação concreta na gestão, firmando-se como um pré-requisito de competitividade e maturidade de negócio, mesmo diante de um cenário global complexo.

Deste modo, os alicerces de empresas longevas são a credibilidade e a confiança. Uma governança corporativa madura, que preza pela transparência nas decisões e pela responsabilidade em suas ações, traduz-se em relações mais sólidas com todos os seus públicos. Afinal, é justamente em períodos de incerteza que uma governança sólida se revela o principal ativo para manter o curso, guiando a empresa por meio de valores claros e de uma visão de futuro que não se abala por turbulências momentâneas.

Nesse contexto, a geração de valor adquire uma nova dimensão. Empresas que integram os princípios ESG em sua essência não os tratam como uma tendência ou obrigação regulatória, mas como um motor para fortalecer sua reputação, mitigar riscos e identificar novas oportunidades. Isso se torna ainda mais claro quando observamos as pressões da crise climática e da escassez de recursos.

Recuar dessa agenda sob a justificativa de otimização de custos ou para se esquivar de debates polarizados é uma visão de curto prazo que ignora o risco reputacional e a perda de um diferencial competitivo duramente construído. A gestão de recursos naturais, a transição para uma economia de baixo carbono e a promoção da economia circular deixaram de ser temas periféricos para se tornarem vetores de eficiência e inovação. A otimização do consumo de energia, a redução de desperdícios e o desenvolvimento de cadeias de suprimentos mais resilientes a eventos climáticos são, na prática, fontes de vantagem competitiva e de fortalecimento da marca. O verdadeiro legado empresarial reside na capacidade de gerar impacto positivo contínuo.

No centro de toda estratégia bem-sucedida estão as pessoas. Em um ambiente de alta competitividade por talentos, as novas gerações buscam mais do que um emprego; elas buscam propósito. Uma cultura organizacional forte, que promove um ambiente saudável e valoriza o desenvolvimento humano, torna-se um diferencial decisivo. Questionar investimentos no pilar social, por exemplo, é arriscar-se a perder a conexão com os profissionais que construirão o futuro da organização. Atrair e reter os profissionais certos, alinhados aos valores e aos princípios da organização, é fundamental para construir negócios mais humanos, inovadores e preparados para os desafios do futuro.

Por fim, navegar a jornada ESG, com suas correntes de apoio e seus desafios, exige uma evolução contínua e, acima de tudo, resiliência estratégica. As empresas que liderarão o futuro são aquelas que compreendem que o crescimento consciente não é um custo, mas o investimento mais seguro na construção de um legado de valor duradouro para seus acionistas, colaboradores, clientes, para o planeta e sociedade como um todo.


Fonte: Luiz Alexandre Garcia - presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar