Ainda que as agendas ESG tenham ganhado mais espaço e visibilidade, a ausência de diálogo estruturado com territórios, povos indígenas, comunidades tradicionais e demais stakeholders segue como um fator crítico de risco para empresas e projetos.
Segundo levantamento de fontes oficiais do Ministério Público Federal e de Ministérios Públicos estaduais existem pelo menos 23 casos distintos de atuação ministerial relacionados a projetos conduzidos sem Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI).
As ocorrências envolvem setores como infraestrutura de transporte, mineração, energia, créditos de carbono, resíduos sólidos, celulose e turismo, evidenciando como falhas na comunicação, escuta e transparência podem escalar para ações civis públicas, recomendações, suspensão de licenças, paralisação de obras e danos reputacionais.
Diante desse contexto, a Tewá 225 – consultoria que realiza estudos e projetos para enfrentar problemas socioambientais de empresas, organizações e governos – atua na organização desses processos, apoiando as companhias na construção de diagnósticos participativos, devolutivas comunitárias, planos de ação e articulação com stakeholders públicos, privados e comunitários, estabelecendo uma cadeia de comunicação preventiva, contínua e estratégica com o território.
Um dos equívocos mais recorrentes das organizações é tratar projetos desenvolvidos com territórios e unidades apenas como uma variável operacional ou jurídica, e não como um espaço de relação contínua. Empresas ainda atuam a partir do receio de perder controle sobre a relação com os territórios. Existe medo de abrir espaço para demandas que talvez não consigam atender. Mas a ausência de diálogo não reduz conflitos, na verdade aumenta o risco reputacional, a tensão social e a insegurança operacional.
Na prática, muitas empresas ainda buscam compreender territórios apenas por meio de dados públicos, relatórios técnicos ou análises feitas à distância. Embora essas ferramentas sejam importantes, elas não substituem a presença no território, o diálogo e a devolutiva às comunidades.
O território não é uma planilha. A empresa pode ter um diagnóstico tecnicamente correto e, ainda assim, propor uma ação completamente desconectada daquilo que a comunidade reconhece como prioridade. Muitas vezes, a população local não espera que a empresa resolva todos os problemas. O que ela quer é ser vista, ouvida e considerada nas decisões que impactam sua vida.
Entre as principais dores enfrentadas pelas empresas nesse cenário estão a dificuldade em antecipar conflitos antes que eles se tornem crises, o distanciamento entre áreas corporativas de ESG e equipes que atuam na ponta, além da falta de integração entre sustentabilidade, comunicação, relações governamentais, jurídico e operação.
A partir dos conflitos recentes e da experiência da Tewá 225 em diagnósticos participativos e escuta social qualificada, aponto aspectos que devem ser analisados por empresas que atuam em territórios sensíveis:
- Escuta não é promessa: ouvir comunidades não significa assumir todas as demandas, mas compreender prioridades, dores e expectativas antes de tomar decisões;
- Devolutiva é parte do processo: diagnósticos que coletam informações e não retornam ao território tendem a ampliar desconfiança e sensação de instrumentalização;
- Relacionamento permite pactuar limites: dizer “não” sem relação construída pode soar como omissão ou afronta. Com a comunicação preventiva e estratégica, existe confiança no relacionamento com a população e o limite pode ser compreendido como parte de uma negociação transparente;
- Dados não substituem comunicação ativa: indicadores e tecnologia que apoiam análises, como uso de IA e ferramentas que automatizam leituras de dados, não capturam sozinhos vínculos, percepções, tensões históricas e prioridades comunitárias, o que tende a gerar distorções e decisões desconectadas da realidade local;
- ESG precisa chegar à ponta: estratégias corporativas não se sustentam se a operação local não estiver preparada para dialogar com comunidades;
- A empresa está no território, então é parte dele: mesmo quando não é responsável diretamente por um problema, sua presença, influência e capacidade de articulação fazem parte da dinâmica local e podem possibilitar ganhos tanto a população como ao a empresa;
- Crises territoriais têm impacto financeiro e reputacional: conflitos podem afetar licença social para operar, continuidade da operação, relação com investidores, cadeia de valor e percepção pública da marca.
Quando a relação com o território é acionada apenas no momento da crise, a empresa já chega atrasada. Crises territoriais não começam necessariamente em grandes tragédias. Em muitos casos, elas surgem de problemas cotidianos negligenciados, pela falta de comunicação e confiança. O nosso papel é organizar expectativas, limites e caminhos possíveis, para que projetos não sejam impostos, exista melhoria na tomada de decisão e tanto empresa como territórios sejam beneficiados.
Quando a relação com o território é acionada apenas no momento da crise, a empresa já chega atrasada. Crises territoriais não começam necessariamente em grandes tragédias. Em muitos casos, elas surgem de problemas cotidianos negligenciados, pela falta de comunicação e confiança. O nosso papel é organizar expectativas, limites e caminhos possíveis, para que projetos não sejam impostos, exista melhoria na tomada de decisão e tanto empresa como territórios sejam beneficiados.
