Geração Z começa a aparecer no mercado imobiliário




Durante anos, o mercado imobiliário brasileiro concentrou sua estratégia em um perfil relativamente previsível de comprador: famílias entre 30 e 45 anos em busca do primeiro ou do segundo imóvel. Nos últimos anos, porém, um novo público começa a ganhar espaço nas estatísticas do setor: os jovens da geração Z.

Nascidos a partir da segunda metade dos anos 1990, esses consumidores começam a entrar no mercado imobiliário impulsionados por novas formas de renda, empreendedorismo digital e, em muitos casos, pelo apoio familiar na construção de patrimônio.

Segundo especialistas do setor, embora ainda representem uma parcela menor das transações, os jovens compradores já começam a influenciar a forma como imóveis são apresentados e comercializados.

O comportamento dessa geração tem características muito diferentes das observadas em ciclos anteriores do mercado: a geração Z cresceu em um ambiente totalmente digital e tem uma relação diferente com informação e tomada de decisão. Eles chegam ao processo de compra muito mais informados e com expectativas diferentes sobre atendimento e experiência.

O público de 21a 28 anos lidera a intenção de compra de imóveis no Brasil, buscando segurança financeira e patrimônio, ao mesmo tempo que prioriza tecnologia, sustentabilidade, localização central e espaços compactos/flexíveis. Muitos já enxergam o imóvel como investimento e estilo de vida, pressionando o mercado por soluções digitais e sustentáveis.

Outro fator que tem impulsionado esse movimento é a mudança na forma como muitos jovens constroem renda e patrimônio. Profissionais ligados à economia digital, ao empreendedorismo ou a carreiras mais flexíveis têm buscado no mercado imobiliário uma forma de diversificar investimentos.

Os influenciadores tornaram-se peças-chave na jornada de compra da Geração Z, com 51% desses jovens sendo influenciados por criadores de conteúdo no Instagram ao tomarem decisões no mercado imobiliário. Eles atuam principalmente como educadores financeiros e validadores de estilo de vida, ajudando a diminuir a insegurança de um público que, embora queira comprar, esbarra em barreiras como a falta de capital para entrada.

Esse novo perfil de comprador e esse panorama de desejo e compra exige que incorporadoras e imobiliárias repensem não apenas seus produtos, mas também a forma como estruturam suas equipes comerciais: não é apenas uma mudança de idade do comprador. É uma mudança de comportamento. Empresas que entendem essa dinâmica conseguem se comunicar melhor com esse público e criar estratégias de venda mais eficazes.

Á medida que essa geração avança na vida profissional e aumenta sua capacidade de investimento, a presença desses jovens no mercado imobiliário tende a crescer de forma consistente nos próximos anos.


Fonte: Andressa Machado - especialista em estruturação de equipes de vendas no mercado imobiliário.