Erros de precificação que podem aumentar seu risco tributário




A precificação é uma das decisões mais estratégicas para qualquer negócio. Além de impactar diretamente a competitividade e a margem de lucro, a definição incorreta dos preços pode elevar significativamente os riscos tributários da empresa. Quando impostos e demais regras fiscais não são considerados adequadamente, o resultado pode ser o pagamento indevido de tributos, inconsistências contábeis e até autuações por parte do fisco.

Muitas empresas ainda tratam a precificação apenas sob a ótica comercial, sem avaliar os impactos tributários envolvidos. A formação de preços precisa considerar toda a estrutura fiscal da operação. Um erro aparentemente pequeno pode comprometer a rentabilidade do negócio e gerar passivos tributários relevantes no futuro.

Cinco erros de precificação que podem comprometer o risco tributário de uma empresa. São eles:

- Ignorar a carga tributária na composição do preço

Um dos erros mais comuns é calcular o preço de venda sem considerar todos os tributos incidentes sobre a operação. Dependendo do regime tributário e da atividade da empresa, impostos como ICMS, PIS, Cofins, ISS e IPI podem representar uma parcela significativa do valor final. E a partir de 2027, teremos mudanças consideráveis no tipo, na forma de cobrança (split payment) e percentuais de impostos incidentes.

Quando os impostos não são incorporados corretamente, a empresa pode estar calculando de forma errada suas margens ou até vende produtos e serviços com prejuízo.

Quando a empresa define seus preços sem uma visão completa dos encargos fiscais envolvidos, corre o risco de comprometer a rentabilidade da operação. Muitas vezes, o faturamento cresce, mas o retorno financeiro não acompanha esse movimento porque os tributos não foram considerados adequadamente na estratégia de precificação.

- Utilizar alíquotas fiscais incorretas:

A legislação tributária brasileira é complexa e varia conforme produto, estado, segmento e enquadramento fiscal. Utilizar alíquotas desatualizadas ou classificações incorretas pode resultar em recolhimento inadequado de impostos e divergências perante os órgãos fiscalizadores.

É fundamental manter a atualização constante das regras tributárias e contar com sistemas que reduzam o risco de erros operacionais.

Agora com a Reforma Tributária uma revisão geral das alíquotas do novo CBS que incidirá substituindo PIS e Cofins é fundamental para garantir visibilidade dos impactos tributários que cada produto vai sofrer.

- Não revisar os preços diante de mudanças na legislação:

Alterações tributárias são frequentes e podem impactar diretamente os custos das empresas. No entanto, muitas organizações deixam de revisar sua política de preços após mudanças fiscais, absorvendo aumentos de custos sem perceber.

Essa prática reduz a competitividade e compromete o planejamento financeiro, além de gerar distorções nos resultados do negócio.

Mais uma vez, no próximo ano, todas as empresas têm um “dever de casa” que é revisar e simular os impactos do CBS na atual cascata tributária existente.

Desconsiderar benefícios e incentivos fiscais:

Diversas empresas deixam de aproveitar incentivos fiscais disponíveis por desconhecimento ou falta de análise estratégica. Como consequência, acabam formando preços acima do necessário ou perdem oportunidades de aumentar sua competitividade.

A correta identificação dos benefícios fiscais pode gerar economia relevante e permitir uma precificação mais eficiente, sem comprometer a margem de lucro.

Esse cenário também poderá ser bastante modificado a partir do próximo ano, com vários benefícios e regimes especiais sendo eliminados ou reduzidos com os novos impostos. Porém, cada caso é um caso, e toda empresa precisará validar o que segue valendo e o que deixa de ser benefício fiscal.

- Falta de integração entre áreas fiscal, financeira e comercial:

A precificação não deve ser responsabilidade exclusiva da área comercial. Quando não existe integração entre os setores fiscal, financeiro e de vendas, aumentam as chances de inconsistências nos cálculos e decisões baseadas em informações incompletas.

A colaboração entre as áreas é essencial para garantir preços alinhados à realidade tributária e financeira da empresa. Principalmente em empresas que possuem programas de bonificação / “rebates” ou cash back para os clientes.

Uma estratégia de preços eficiente depende de uma visão integrada do negócio. Quando cada área trabalha de forma isolada, a empresa perde capacidade de identificar impactos fiscais e financeiros que influenciam diretamente a rentabilidade. O alinhamento entre os times permite decisões mais precisas, reduz riscos e garante maior segurança na gestão dos resultados

- Precificação estratégica reduz riscos e fortalece resultados:

Em um ambiente de constante transformação regulatória, adotar uma estratégia de precificação baseada em dados, inteligência tributária e o uso de tecnologia tornou-se um diferencial competitivo. Além de minimizar riscos fiscais, a prática contribui para a sustentabilidade financeira e o crescimento das organizações.

A precificação precisa ser vista como uma ferramenta de gestão estratégica. Empresas que entendem seus custos e obrigações tributárias conseguem tomar decisões mais seguras, proteger suas margens e crescer gradativamente.


Fonte: Frederico Zornig - CEO da Quantiz, consultoria especializada em pricing e Revenue Management (RGM),