O Brasil voltou a registrar níveis recordes de inadimplência empresarial. Segundo a Serasa Experian, 8,9 milhões de empresas estavam negativadas em março de 2026, acumulando R$ 212,8 bilhões em dívidas e mantendo o país próximo do maior patamar já registrado na série histórica. Em paralelo, pedidos de recuperação judicial seguem em alta, refletindo um ambiente marcado por juros elevados, crédito mais restrito e pressão crescente sobre o caixa das empresas.
Em muitos casos, porém, o problema não começa apenas na falta de crédito ou no custo financeiro elevado. Especialistas apontam que parte das dificuldades nasce dentro da própria gestão, a partir de um erro ainda recorrente entre empresários: confundir faturamento, lucro e geração real de caixa.
Na prática, empresas podem ampliar vendas, movimentar cifras maiores e ainda assim perder capacidade financeira sem perceber. O crescimento, quando não vem acompanhado de controle operacional e leitura precisa dos números, pode esconder fragilidades e transformar expansão em risco.
Esse é um dos equívocos mais frequentes entre pequenas e médias empresas. Tem muita empresa vendendo mais e ganhando menos sem perceber. O empresário acompanha o faturamento crescendo e entende isso como sinal de saúde financeira, mas não observa margem, custo operacional e fluxo de caixa. É nesse ponto que o problema começa.
O alerta ganha ainda mais relevância em um país onde micro e pequenas empresas concentram a maior parte da inadimplência. Segundo a Serasa Experian, esse grupo responde por cerca de 94% dos CNPJs negativados e enfrenta maior dificuldade para recompor capital de giro em um ambiente de crédito seletivo e juros elevados.
A falsa sensação de estabilidade costuma surgir justamente em fases de expansão, avalia Renan. Muitas empresas aumentam equipe, ampliam operação e assumem novos compromissos sem entender se o resultado acompanha esse avanço. O dinheiro entra, mas parte dele já está comprometida com impostos, folha, fornecedores, crédito e despesas operacionais. Quando falta controle, o negócio trabalha mais sem necessariamente construir lucro.
Esse tipo de fragilidade aparece com mais frequência do que se imagina entre pequenos negócios, justamente os mais expostos às oscilações econômicas e às limitações de capitalização. Levantamento do Sebrae mostra que os microempreendedores individuais apresentam taxa de mortalidade de 29% em até cinco anos de atividade. Entre microempresas, o índice chega a 21,6%. O estudo aponta falhas de gestão e planejamento financeiro entre os fatores associados ao encerramento precoce das operações.
Para o empresário multissetorial Marcos Koenigkan, fundador de negócios ligados aos setores de real estate, crédito e investimentos, o problema muitas vezes está na interpretação equivocada do próprio crescimento. Segundo ele, receita elevada pode transmitir segurança temporária e mascarar fragilidades estruturais que só aparecem quando a empresa passa a depender de crédito ou perde capacidade de sustentar a própria operação. Faturamento alto cria uma sensação de segurança que nem sempre é real. O que sustenta uma empresa no longo prazo é margem, geração de caixa e capacidade de construir patrimônio. Quando isso não existe, crescer pode deixar de ser conquista e passar a representar vulnerabilidade.
Na avaliação de Marcos, decisões estratégicas ainda são tomadas em muitas empresas com base apenas no volume de dinheiro que entra na conta, sem análise consistente de rentabilidade, endividamento e capacidade financeira do negócio. “Muitos empresários ampliam estrutura, contratam mais e assumem novos custos antes de validar se a base financeira suporta esse movimento. Em algum momento, essa pressão aparece no caixa, nos fornecedores ou na dependência de crédito para manter a atividade”, diz.
Para os especialistas, o atual ambiente econômico apenas tornou mais visíveis fragilidades que já estavam presentes dentro de muitas empresas, mas passavam despercebidas em períodos de maior liquidez e consumo aquecido.
Para o empresário multissetorial Marcos Koenigkan, fundador de negócios ligados aos setores de real estate, crédito e investimentos, o problema muitas vezes está na interpretação equivocada do próprio crescimento. Segundo ele, receita elevada pode transmitir segurança temporária e mascarar fragilidades estruturais que só aparecem quando a empresa passa a depender de crédito ou perde capacidade de sustentar a própria operação. Faturamento alto cria uma sensação de segurança que nem sempre é real. O que sustenta uma empresa no longo prazo é margem, geração de caixa e capacidade de construir patrimônio. Quando isso não existe, crescer pode deixar de ser conquista e passar a representar vulnerabilidade.
Na avaliação de Marcos, decisões estratégicas ainda são tomadas em muitas empresas com base apenas no volume de dinheiro que entra na conta, sem análise consistente de rentabilidade, endividamento e capacidade financeira do negócio. “Muitos empresários ampliam estrutura, contratam mais e assumem novos custos antes de validar se a base financeira suporta esse movimento. Em algum momento, essa pressão aparece no caixa, nos fornecedores ou na dependência de crédito para manter a atividade”, diz.
Para os especialistas, o atual ambiente econômico apenas tornou mais visíveis fragilidades que já estavam presentes dentro de muitas empresas, mas passavam despercebidas em períodos de maior liquidez e consumo aquecido.
Hoje não basta vender. A empresa precisa entender exatamente onde ganha, onde perde e quanto sobra no fim da operação. Em muitos casos, o problema não começa na queda das vendas. Começa quando o negócio cresce sem saber exatamente quanto está perdendo no caminho.
