Todo mês de junho (época em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente), anualmente o mundo inteiro se mobiliza, para discutir as mudanças necessárias para a preservação do meio ambiente. O Brasil possui, neste ano, algo incomum: uma lei que já foi alterada.
Desde outubro de 2025, o Decreto nº 12.688/2025 estabelece obrigatoriamente metas de conteúdo reciclado e recuperação para embalagens plásticas. A ciência confirma que essa ação tem um impacto climático. O mercado já tem ciência do que deve ser feito. O que ainda está em falta é toda a cadeia colocar metas em prática.
Os dados comprovam. Pesquisa realizada em 2025, seguindo as normas do GHG Protocol e da ISO 14067 (os padrões internacionais para o cálculo das emissões) revela que cada tonelada de material virgem que é substituída por reciclado evita, em média, 2,059 toneladas de CO₂ equivalente. No que diz respeito aos plásticos, esse número é de 2,128 tCO₂e por tonelada.
Os dados reforçam a relevância ambiental do PET reciclado. Estudo de Análise de Ciclo de Vida coordenado pela ABIPET e conduzido pelo ITAL/CETEA e pela ACV Brasil, publicado em 2024, aponta que as embalagens PET apresentam desempenho superior a outros materiais em categorias ambientais sensíveis, como mudanças climáticas, acidificação, ocupação do solo, material particulado, ecotoxicidade e consumo de água.
No caso das embalagens para refrigerantes, por exemplo, a garrafa PET de 2 litros utiliza 64% menos água que a lata de alumínio e 88% menos que a embalagem de vidro, além de apresentar potencial de mudança climática 44% inferior ao alumínio e 93% inferior ao vidro.
Quando a comparação é feita entre resina virgem e resina reciclada, o ganho também é expressivo: levantamento da Association of Plastic Recyclers, conduzido pela Franklin Associates, mostra que a resina reciclada utiliza 79% menos energia que a virgem.
No caso específico do PET, o potencial de aquecimento global cai de 2,23 kg CO₂e/kg no material virgem para 0,91 kg CO₂e/kg no reciclado, uma redução de 67% nas emissões. O mesmo estudo aponta ainda redução de 70% em acidificação, 75% na formação de smog e 46% em eutrofização, evidenciando que ampliar o uso de PET reciclado não é apenas uma resposta à agenda ambiental, mas uma estratégia concreta para reduzir impactos climáticos, otimizar recursos e fortalecer uma cadeia de embalagens mais eficiente e circular.
A Cirklo, uma das líderes em reciclagem avançada de PET-PCR na América Latina, possui a capacidade de reciclar mais de 115 mil toneladas de plástico anualmente. De acordo com os dados do estudo GHG Protocol/ISO 14067, isso tem o potencial de evitar mais de 240 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, apenas em uma única empresa. Em todo o Brasil, 410 mil toneladas de PET foram recicladas em 2024, de acordo com o 13º Censo da Reciclagem da ABIPET. O potencial impacto climático é colossal. Contudo, esse potencial está sendo subutilizado.
Cada garrafa PET que deixa de ser reciclada significa petróleo extraído desnecessariamente e mais CO₂ lançado sem necessidade na atmosfera. Não se trata de retórica ambiental, mas de ciência. No mês em que celebramos o Dia do Meio Ambiente, o Brasil deve escolher entre aproveitar ou desperdiçar essa oportunidade.
Oito meses depois da publicação do Decreto nº 12.688/2025, o mercado ainda funciona com várias dúvidas sobre a comprovação das metas atingidas, a rastreabilidade da cadeia e aspectos importantes sobre segurança jurídica necessária para que as empresas possam firmar contratos de longa duração. Isso pode resultar em diminuição da procura por resina reciclada, redução da capacidade das empresas de reciclagem, e empregos em risco, desde os catadores até os operadores das fábricas.
O próprio Ministério do Meio Ambiente admitiu, no Comunicado LR-DGR/MMA Nº 002/2026, de maio deste ano, ter recebido “diversas dúvidas de interpretações jurídicas e técnicas”, e sublinhou que seus entendimentos “podem ser alterados”.
O paradoxo se torna ainda mais evidente quando se leva em conta o contexto: o Brasil foi o anfitrião da COP30 e se posicionou diante do mundo como um líder na agenda climática. Para diminuir emissões por meio da reciclagem de plástico, não precisamos de novas tecnologias, tratados ou recursos. É necessário ter uma regulamentação eficaz e empresas que respeitem as obrigações já existentes. A ferramenta está disponível. O que está em falta é utilizá-la.
O Brasil possui legislação, infraestrutura, tecnologia e conhecimento científico. Tem até uma das maiores taxas de reciclagem de garrafa PET do planeta. Não podemos ter mais um mês do meio ambiente comemorando o que poderia ser realizado, enquanto ignoramos o que já é possível fazer.
Fonte: Irineu Bueno Barbosa Junior - CEO da Cirklo.
Os dados comprovam. Pesquisa realizada em 2025, seguindo as normas do GHG Protocol e da ISO 14067 (os padrões internacionais para o cálculo das emissões) revela que cada tonelada de material virgem que é substituída por reciclado evita, em média, 2,059 toneladas de CO₂ equivalente. No que diz respeito aos plásticos, esse número é de 2,128 tCO₂e por tonelada.
Os dados reforçam a relevância ambiental do PET reciclado. Estudo de Análise de Ciclo de Vida coordenado pela ABIPET e conduzido pelo ITAL/CETEA e pela ACV Brasil, publicado em 2024, aponta que as embalagens PET apresentam desempenho superior a outros materiais em categorias ambientais sensíveis, como mudanças climáticas, acidificação, ocupação do solo, material particulado, ecotoxicidade e consumo de água.
No caso das embalagens para refrigerantes, por exemplo, a garrafa PET de 2 litros utiliza 64% menos água que a lata de alumínio e 88% menos que a embalagem de vidro, além de apresentar potencial de mudança climática 44% inferior ao alumínio e 93% inferior ao vidro.
Quando a comparação é feita entre resina virgem e resina reciclada, o ganho também é expressivo: levantamento da Association of Plastic Recyclers, conduzido pela Franklin Associates, mostra que a resina reciclada utiliza 79% menos energia que a virgem.
No caso específico do PET, o potencial de aquecimento global cai de 2,23 kg CO₂e/kg no material virgem para 0,91 kg CO₂e/kg no reciclado, uma redução de 67% nas emissões. O mesmo estudo aponta ainda redução de 70% em acidificação, 75% na formação de smog e 46% em eutrofização, evidenciando que ampliar o uso de PET reciclado não é apenas uma resposta à agenda ambiental, mas uma estratégia concreta para reduzir impactos climáticos, otimizar recursos e fortalecer uma cadeia de embalagens mais eficiente e circular.
A Cirklo, uma das líderes em reciclagem avançada de PET-PCR na América Latina, possui a capacidade de reciclar mais de 115 mil toneladas de plástico anualmente. De acordo com os dados do estudo GHG Protocol/ISO 14067, isso tem o potencial de evitar mais de 240 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, apenas em uma única empresa. Em todo o Brasil, 410 mil toneladas de PET foram recicladas em 2024, de acordo com o 13º Censo da Reciclagem da ABIPET. O potencial impacto climático é colossal. Contudo, esse potencial está sendo subutilizado.
Cada garrafa PET que deixa de ser reciclada significa petróleo extraído desnecessariamente e mais CO₂ lançado sem necessidade na atmosfera. Não se trata de retórica ambiental, mas de ciência. No mês em que celebramos o Dia do Meio Ambiente, o Brasil deve escolher entre aproveitar ou desperdiçar essa oportunidade.
Oito meses depois da publicação do Decreto nº 12.688/2025, o mercado ainda funciona com várias dúvidas sobre a comprovação das metas atingidas, a rastreabilidade da cadeia e aspectos importantes sobre segurança jurídica necessária para que as empresas possam firmar contratos de longa duração. Isso pode resultar em diminuição da procura por resina reciclada, redução da capacidade das empresas de reciclagem, e empregos em risco, desde os catadores até os operadores das fábricas.
O próprio Ministério do Meio Ambiente admitiu, no Comunicado LR-DGR/MMA Nº 002/2026, de maio deste ano, ter recebido “diversas dúvidas de interpretações jurídicas e técnicas”, e sublinhou que seus entendimentos “podem ser alterados”.
O paradoxo se torna ainda mais evidente quando se leva em conta o contexto: o Brasil foi o anfitrião da COP30 e se posicionou diante do mundo como um líder na agenda climática. Para diminuir emissões por meio da reciclagem de plástico, não precisamos de novas tecnologias, tratados ou recursos. É necessário ter uma regulamentação eficaz e empresas que respeitem as obrigações já existentes. A ferramenta está disponível. O que está em falta é utilizá-la.
O Brasil possui legislação, infraestrutura, tecnologia e conhecimento científico. Tem até uma das maiores taxas de reciclagem de garrafa PET do planeta. Não podemos ter mais um mês do meio ambiente comemorando o que poderia ser realizado, enquanto ignoramos o que já é possível fazer.
