No mercado a confiança passou a valer mais do que o desconto




Durante muitos anos, o mercado brasileiro travou uma disputa centrada em preço. Promoções agressivas, descontos-relâmpago e campanhas voltadas exclusivamente para atrair consumidores pelo menor valor dominaram o varejo e os serviços. Mas esse comportamento começa a mudar.

O consumidor de hoje está mais atento, mais seletivo e, principalmente, mais desconfiado. Depois de anos convivendo com promessas exageradas, experiências frustrantes e ofertas artificiais, cresce a busca por marcas que transmitam credibilidade, coerência e segurança.

Uma pesquisa recente da AtlasIntel mostrou que, durante a Black Friday, reputação e avaliações de outros consumidores tiveram mais peso na decisão de compra do que o próprio preço. O levantamento também revelou um dado significativo: 94,1% dos brasileiros afirmaram não confiar totalmente nos descontos oferecidos pelas marcas.

O mercado passou anos ensinando o consumidor a comprar pelo menor preço. Agora, o próprio consumidor começa a perceber que preço baixo sem confiança pode gerar prejuízo, frustração e insegurança. A mudança não acontece apenas no varejo. Ela impacta diretamente setores ligados à saúde, serviços e relacionamento, nos quais a experiência do cliente passou a ser tão importante quanto o produto oferecido.

Outro estudo, realizado pela Orbit Data Science, aponta que quase metade dos consumidores brasileiros não confia plenamente nas marcas com as quais se relaciona. Entre os que demonstram desconfiança, parte afirma, inclusive, evitar ou boicotar empresas após experiências negativas. Isso ajuda a explicar porque empresas que sustentam seu crescimento apenas em promoções enfrentam cada vez mais dificuldade para construir marcas fortes no longo prazo.

Preço pode atrair pela primeira vez, mas é a confiança que faz o cliente voltar, indicar e permanecer. Empresas sólidas são construídas pela percepção de valor que conseguem gerar. Essa percepção de valor envolve diferentes fatores: qualidade do atendimento, coerência da marca, transparência, experiência entregue e capacidade de cumprir o que promete.

O consumidor atual também pesquisa mais antes de decidir. Avaliações on-line, reputação digital e experiências compartilhadas por outros clientes passaram a influenciar diretamente o processo de compra. Dados da Nuvemshop mostram que muitos consumidores já preferem comprar diretamente nos canais oficiais das marcas como forma de evitar golpes, falsificações e problemas de atendimento. O comportamento reforça um cenário em que segurança e credibilidade ganham espaço sobre decisões puramente impulsivas.

E as empresas que entenderem essa mudança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Existe uma grande diferença entre vender barato e construir valor. Marcas que conseguem gerar confiança sofrem menos pressão por preço, criam relacionamentos mais duradouros e fortalecem sua reputação de forma consistente.

O mercado começa a entrar em uma nova fase, em que reputação deixa de ser apenas um diferencial e passa a ocupar posição estratégica dentro dos negócios. O consumidor está mais criterioso. Hoje, ele quer saber quem está por trás da marca, se aquela empresa entrega o que promete e se vale a pena continuar se relacionando com ela. A disputa deixou de ser apenas comercial e se tornou uma disputa por confiança.





Fonte: Paulo Zahr - fundador da OdontoCompany, empreendedor e especialista em franquias.