O papel da fantasia no desenvolvimento das crianças




Com a chegada da Páscoa, muitas famílias voltam a fazer a mesma pergunta todos os anos: é certo deixar as crianças acreditarem no Coelhinho da Páscoa? Para educadores, a resposta está menos em dizer se a fantasia é verdadeira ou não e mais em compreender o papel que ela exerce no desenvolvimento infantil. 

Assim como outras figuras simbólicas da infância, o Coelhinho, assim como a Caça aos Ovos ajudam a estimular a imaginação, a criatividade e a construção de referências emocionais importantes para o aprendizado dentro e fora da escola.

O papel da fantasia no desenvolvimento das crianças é amplamente estudado por especialistas. O artigo “A Fantasia e a Imaginação no Desenvolvimento da Linguagem na Educação Infantil e Anos Iniciais”, publicado em 2025 na revista Aracê, destaca que o contato com narrativas imaginárias contribui para o desenvolvimento de diferentes formas de linguagem, como a oral, a artística e a simbólica. Outro estudo recente, publicado na Revista Tópicos, aponta que histórias e personagens fantasiosos têm papel importante na formação cognitiva, emocional e social, ao permitir que a criança experimente sentimentos, regras e situações de forma segura.

Tradições como a do Coelhinho da Páscoa funcionam como ferramentas naturais para esse processo. A fantasia permite que a criança exercite a imaginação, construa hipóteses e organize suas emoções. Personagens simbólicos, como o Coelhinho da Páscoa, ajudam a desenvolver criatividade, autonomia e até a capacidade de lidar com expectativas, algo muito importante nessa fase.

Além do aspecto lúdico, datas comemorativas também ajudam a trabalhar valores. A espera pelos ovos de Páscoa, a troca de doces, explicações sobre a data, brincadeiras e as celebrações em família podem estimular sentimentos como paciência, generosidade e cooperação, além de fortalecer vínculos afetivos em um período marcado por descobertas sociais e emocionais.

Trabalhando a fantasia da Páscoa de forma saudável

Omais importante é que a fantasia seja conduzida de maneira positiva, sem ameaças ou cobranças excessivas. O ideal é que a história do Coelhinho esteja ligada a momentos de alegria e convivência, e não a punições ou medo. Quando a fantasia é usada para controlar o comportamento da criança, ela perde o sentido lúdico e pode gerar ansiedade.

Assim como acontece com outras crenças da infância, como Papai Noel ou Fada do Dente, a descoberta de que o personagem não é real costuma acontecer naturalmente, conforme a criança amadurece. Segundo especialistas, esse processo faz parte do desenvolvimento e não deve ser apressado pelos adultos.

As crianças vão construindo o próprio entendimento com o tempo, seja pelo contato com colegas, seja pelo próprio raciocínio. O papel dos adultos é respeitar esse momento e aproveitar a fase da fantasia para estimular a imaginação, o pensamento e a segurança emocional.

O mais importante é lembrar que personagens como o Coelhinho da Páscoa não são apenas uma tradição cultural, mas também uma oportunidade de aprendizado. A fantasia é uma forma de a criança compreender o mundo de maneira gradual. Quando bem conduzida, ela fortalece a criatividade, a autonomia e a confiança, que são bases importantes para o desenvolvimento dentro e fora da escola.


Fonte: Andréa Piloto - diretora pedagógica da Escola Vereda.