Sete erros que mais atrasam processos de cidadania




O sonho de obter o passaporte europeu pode se tornar um pesadelo burocrático se o requerente não estiver atento aos detalhes, pois é preciso ter muito mais do que apenas ter um sobrenome estrangeiro. De acordo com o relatório anual da Goal (Global Outreach & Asset Liaison) divulgado no início de 2026, o volume de processos de cidadania pendentes na Europa ultrapassou a marca de 700 mil pedidos, um reflexo direto das mudanças legislativas ocorridas na Itália e em Portugal em 2025.

O recorde de pedidos é o resultado de uma transição para o digital nos consulados, somada ao endurecimento dos critérios de prova de vínculo. Esse cenário faz com que o sistema seja extremamente sensível: qualquer falha documental hoje pode significar anos de espera adicional.

Além disso, a falta de assessoria especializada ou o desconhecimento das regras atuais de cada comune também leva a erros fatais que exigem a reinicialização do processo.

- 7 erros que mais atrasam a obtenção da cidadania. Confira:

1. Divergências nos dados das certidões

Diferenças de grafia entre documentos como o clássico "Giuseppe" que se torna "José", erros de nome ou de datas, exigem retificações em cartório, o que pode paralisar o processo. Isso porque a documentação exigida é extensa e deve ser apresentada de forma completa e correta. Qualquer erro ou omissão pode atrasar o processo ou até mesmo impedir o reconhecimento.

2. Documentos não atualizados

Um erro recorrente é acreditar que documentos guardados na família possuem uma longa validade em relação ao processo de cidadania. No entanto, certidões antigas não são aceitas, sendo obrigatório emitir novamente, geralmente com emissão inferior a 1 ano — ou seis meses, dependendo da jurisdição — para garantir que não existam averbações de óbito, divórcio ou alterações de estado civil não registradas. Essa exigência força o requerente a um planejamento financeiro rigoroso, pois o vencimento de uma única certidão pode invalidar todo o processo.

3. Certidões de batismo no lugar de nascimento

Em muitos casos, se o antepassado nasceu antes dos registros civis, a certidão de batismo é aceita, mas a falta de um modelo padronizado ao invés de inteiro teor ou de reconhecimento da assinatura do pároco na cúria atrasa a validação. Essa falta de cuidado com esse documento específico é bastante comum. Contudo, não basta possuir o papel da paróquia, uma vez que, sem essa validação hierárquica da Igreja, o documento não possui fé pública para o processo de cidadania, o que gera notificações de exigência que interrompem o fluxo por meses. Além disso, em alguns casos, o registro religioso isolado não basta: é necessário comprovar, por meio de certidões negativas de nascimento, que de fato não existia registro civil disponível naquela localidade e época específica.

4. Falta de Apostila de Haia (ou apostila errada)

Muitos processos travam na etapa final de preparação por confusões no apostilamento de Haia. Assim, é preciso que os documentos brasileiros tenham essa apostila para ganharem validade internacional. No entanto, apostilar o documento errado, não apostilar todos os documentos necessários ou apostilar tradução e não o original (ou vice-versa) é um erro comum. Assim, em 2026, com a digitalização dos selos, qualquer inconsistência entre o código QR da apostila e o conteúdo do documento original resulta na devolução imediata do dossiê pelas autoridades europeias.

5. Traduções simples (não juramentadas)

As traduções feitas por conta própria ou por tradutores não registrados devidamente em junta comercial são rejeitadas. Sendo assim, devem ser juramentadas, validando fielmente o documento. Por conta de ferramentas de tradução automática, muitos requerentes tentam economizar realizando a versão dos documentos por conta própria ou por meio de tradutores não habilitados.

6. CNN (Certidão Negativa de Naturalização) Incompleta

Para cidadania italiana, a CNN do antepassado deve abranger todas as variações de nome do imigrante. Se o nome estiver diferente na certidão de nascimento e em outros registros que o antepassado é mencionado, pode ser necessário emitir mais de uma CNN, atrasando o processo. Assim, se o imigrante teve variações de nome ao longo da vida (como "Giuseppe" no nascimento e "José" no óbito), a CNN deve abranger todas essas variações. Se houver um nome de fora, o consulado ou tribunal entenderá que aquela pessoa específica pode ter se naturalizado brasileiro, exigindo retificações e novas buscas que paralisam o pedido.

7. Enviar documentos incompletos ou errados (processo "incompleto")

Tentar pular etapas, esquecer a certidão de óbito do antepassado, ou não enviar o "inteiro teor" digitado quando exigido (comum no reconhecimento via administrativa ou judicial) gera pendências que travam o processo por meses. No entanto, em 2026, as autoridades têm sido implacáveis: esquecer uma certidão de óbito de um ascendente ou não enviar o "inteiro teor" digitado quando solicitado compromete a análise, correndo risco de suspensão ou indeferimento do pedido.

Por fim, o processo judicial continua sendo a alternativa mais estratégica para garantir o direito, mas enviar um processo incompleto gera exigências que travam o trâmite por meses, anulando a vantagem da velocidade judicial. Ao evitar erros, é economizado não só tempo e recursos financeiros, mas garante que o legado da família seja reconhecido sem obstáculos desnecessários.

 

Fonte: Rafael Gianesini - CEO e cofundador da Cidadania4U.