Em um cenário de crescente pressão sobre os recursos naturais, especialmente nas regiões metropolitanas, a preservação ambiental deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito central para grandes empreendimentos residenciais. Na cidade de Quatro Barras, localizada na Região Metropolitana de Curitiba, onde a Represa do Iraí desempenha papel estratégico no abastecimento de água e no equilíbrio ecológico, projetos urbanísticos que conciliam desenvolvimento e conservação tornaram-se fundamentais. É nesse contexto que o empreendimento Condomínio Fazenda Bayer se consolida como um case relevante de planejamento ambiental responsável.
Com cerca de 1,5 quilômetro de testada voltada para a Represa do Iraí, aos pés da Serra do Mar, o projeto foi concebido desde o início com foco no cumprimento rigoroso das normas ambientais. Quase 50% da área total do empreendimento é destinada à Área de Preservação Permanente (APP), o que inclui a proibição total de acesso à represa, evitando impactos diretos sobre o manancial. O planejamento também contempla um sistema de drenagem pluvial com filtros, dissipadores e dispositivos específicos para impedir que resíduos e poluentes alcancem a água. Além disso, o esgotamento sanitário será garantido por três estações elevatórias conectadas diretamente à rede da Sanepar, eliminando riscos de contaminação.
A definição das áreas de preservação dentro da Fazenda Bayer seguiu critérios técnicos e ambientais alinhados à legislação estadual e aos decretos que regem a Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí”, destaca Ruy Carnasciali, sócio-diretor do empreendimento. Foram integralmente respeitados os mapas de zoneamento, com a preservação de nascentes, bosques de araucárias e áreas de fundo de vale já existentes.
Durante o processo de licenciamento, o empreendimento foi amplamente discutido em reuniões da Câmara de Apoio Técnico (CAT) do Iraí, mantendo diálogo constante com os órgãos ambientais. O Ministério Público também participou das tratativas, assegurando transparência e idoneidade em todas as etapas do projeto.
Um dos pontos mais significativos do empreendimento é a manutenção de mais de 500 mil metros quadrados de áreas preservadas, número que supera as exigências iniciais. Ao longo do processo, o percentual obrigatório de preservação foi ampliado de 20% para cerca de 40% da área total, mudança que exigiu a readequação completa do projeto. A decisão resultou em menor adensamento residencial e em um ganho ambiental considerado expressivo, sem comprometer a viabilidade econômica do empreendimento.
Além de proteger diretamente os recursos hídricos da Represa do Iraí, essa extensa área preservada contribui para a manutenção da biodiversidade, para a estabilidade do solo e para a melhoria do microclima local.
A recomposição das APPs com vegetação nativa da região reforça corredores ecológicos e favorece o equilíbrio ambiental, beneficiando não apenas os futuros moradores, mas toda a população do entorno.
O caso da Fazenda Bayer demonstra que grandes empreendimentos residenciais podem — e devem — assumir protagonismo na agenda ambiental. Ao priorizar o diálogo com os órgãos públicos, respeitar as limitações do território e incorporar a preservação como eixo estruturante do projeto, o empreendimento se insere em um novo paradigma de desenvolvimento urbano, no qual crescimento e sustentabilidade caminham lado a lado.
Fonte: Ruy Carnasciali.
