Padrão global transforma obras de alto padrão




A reforma do lobby do Grand Hyatt São Paulo evidencia fatores que caracterizam obras de hotelaria de alto padrão: prazos comprimidos, exigências técnicas internacionais, operação contínua do hotel e utilização de materiais importados.

O projeto arquitetônico Lobby & Restaurant Renovation foi desenvolvido nos Estados Unidos, pela Gensler, gerenciamento feito pela JLL Tetris, seguindo diretrizes globais da rede Hyatt. A execução das obras no Brasil ficou sob responsabilidade da Zaffarani Design Build, que adaptou o projeto a alguns materiais e normas brasileiras e às condições operacionais locais, mantendo os padrões internacionais da marca.

A obra foi concluída em aproximadamente três meses e meio, sem interromper as atividades do hotel, um prazo considerado extremamente curto para reformas em áreas comuns estratégicas. Estudos da consultoria JLL indicam que projetos de retrofit em hotéis de alto padrão costumam levar entre seis e doze meses, especialmente quando envolvem lobbies, bares e áreas de convivência.

- Operação contínua e governança:

Em reformas com o hotel em funcionamento, o planejamento da obra é integrado à rotina do empreendimento. A execução ocorre em janelas de tempo reduzidas, muitas vezes noturnas, garantindo segurança, limpeza e continuidade dos serviços. Segundo o SindusCon-SP, obras desse perfil apresentam custos indiretos mais elevados, associados à gestão de risco, controle de qualidade, logística fracionada e governança de processos — podendo representar até 20% a mais que reformas convencionais.

No caso de marcas globais, cada etapa precisa estar em conformidade com padrões auditáveis. A atenção aos detalhes assegura a entrega com qualidade e segurança, mesmo em prazos desafiadores.

- Importação de materiais e qualidade técnica:

Parte dos materiais, como porcelanatos específicos aplicados na área posterior do bar, foi importada para atender às especificações do projeto internacional. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a dependência de insumos importados em obras de alto padrão vem crescendo, especialmente em projetos ligados a marcas globais. Em alguns casos, materiais mais sofisticados, importados podem representar até 70% dos custos de acabamento, além de demandar planejamento antecipado e logística diferenciada.

Quando o padrão é global, a escolha do material não é somente estética: é técnica. Planejamento cuidadoso garante que o padrão seja atingido sem comprometer prazos ou qualidade.

- Execução local de projetos globais:

Para viabilizar a execução do projeto no Brasil, a Zaffarani Design Build realizou leitura detalhada do projeto original, como desenvolvimento de detalhamentos de produção de produtos especiais, compatibilização técnica e coordenação entre engenharia, arquitetura e fornecedores. Esse modelo, projetos concebidos no exterior e executados localmente — vem se tornando cada vez mais comuns com a expansão de redes internacionais no país. Dados da CBIC indicam que esse tipo de obra exige maior nível de governança, rastreabilidade de materiais e controle de processos, reduzindo margem para improviso e elevando o custo do planejamento.

A reforma do lobby do Grand Hyatt São Paulo demonstra como prazos curtos, operação contínua e padrões internacionais podem ser gerenciados de forma estratégica, elevando o nível de execução e aproximando a hotelaria brasileira das práticas globais de excelência.



Fonte: Celso Zaffarani - CEO da Zaffarani Design Build.