Networking só gera valor quando deixa de ser informal




Minha trajetória profissional não começou em salas de conselho nem em apresentações estruturadas. Foi no contato direto com pessoas, no comércio de rua, onde negociação, leitura de contexto e tomada de decisão são imediatas. Foi ali que aprendi algo que carrego até hoje: negócios são feitos por pessoas e a escala só acontece quando há articulação.

Essa formação prática moldou minha carreira desde o início. Antes de falar em estratégia, aprendi a ouvir. Antes de buscar crescimento acelerado, aprendi a resolver problemas concretos. Quando me mudei para Salvador, passei a lidar com empresários de diferentes setores e percebi que muitos entraves não estavam na operação, mas na falta de conexão entre quem decide, quem executa e quem investe.

Ao longo desse processo, atuei em áreas como saúde corporativa, seguros e expansão comercial, sempre próximo da gestão dos negócios. Foi nesse ambiente que ficou evidente que a ausência de articulação gera custos extras. Decisões atrasam, negociações travam e oportunidades se perdem não por falta de mercado, mas por falta de alinhamento.

Deste então, comecei a estruturar ambientes de relacionamento com método. Não como encontros sociais, mas como espaços de decisão. A lógica era simples: quando as pessoas certas se encontram, com interesses claros, o ciclo de negociação encurta, o risco diminui e a execução ganha previsibilidade. Esse modelo passou a influenciar diretamente a gestão comercial dos negócios envolvidos.

A experiência no varejo também foi decisiva para esse amadurecimento. Vivi ciclos de expansão rápida, pressão por resultado e momentos de ruptura. Esses períodos deixaram um aprendizado claro: crescer sem estrutura cobra um preço alto. Escala exige governança, processo e clareza na tomada de decisão.

Essa lógica se aplica de forma ainda mais evidente ao mercado imobiliário. Projetos não avançam apenas por viabilidade técnica ou financeira. Eles dependem de articulação entre investidores, operadores, parceiros e, muitas vezes, poder público. Quando esse alinhamento é bem conduzido, decisões ganham escala e projetos saem do papel com mais segurança e menor custo de erro.

Ao longo da minha trajetória, entendi que networking só gera valor quando deixa de ser informal. Relações precisam de curadoria, método e responsabilidade. Quando bem estruturadas, elas reduzem ruídos comerciais, ampliam acesso a decisores e fortalecem a governança dos negócios.

Hoje, olhando para esse percurso, vejo um fio condutor claro. Do comércio de rua às mesas onde decisões empresariais ganham escala, a construção sempre passou por entender pessoas, organizar relações e criar ambientes onde decisões possam ser tomadas com mais eficiência. Em um mercado cada vez mais complexo, essa capacidade deixou de ser acessória e passou a integrar o núcleo da estratégia empresarial.



Fonte: Felipe Guimarães - empresário com atuação consolidada no Brasil, reconhecido pela articulação de ecossistemas empresariais e projetos de networking executivo de alto impacto.