Mercado financeiro amplia o acesso aos investimentos




O mercado brasileiro de investimentos vive um paradoxo. Nunca houve tantas opções de produtos, estruturas, regimes tributários, exceções regulatórias e estratégias disponíveis e, ainda assim, investir parece cada vez mais difícil para o investidor comum e mais operacionalmente complexo para quem o assessora.

Esse cenário levanta uma reflexão inevitável: a indústria financeira está, de fato, democratizando o acesso aos investimentos ou apenas sofisticando a complexidade?

Para a Smartbrain, empresa de tecnologia voltada à infraestrutura da assessoria de investimentos, o setor atravessa um ponto de inflexão. O mercado está migrando de um modelo centrado no produto para um modelo centrado no cliente. O desafio é fazer essa transição sem aumentar ainda mais a fricção para investidores e consultores.

Na avaliação da empresa, a multiplicação de produtos e regras não veio acompanhada da mesma evolução na forma como informações são organizadas, analisadas e entregues. O resultado é um ecossistema fragmentado, em que dados estão espalhados entre bancos, corretoras, custodiante e assets, dificultando uma visão clara e integrada do patrimônio do cliente.

A fragmentação de dados hoje é insustentável. Sem consolidação, não há clareza. E sem clareza, não há boa tomada de decisão.

É nesse contexto que a tecnologia passa a exercer um papel estrutural, não como um fim em si mesma, mas como meio para simplificar. Para a Smartbrain, o caminho para democratizar de fato os investimentos passa por três pilares: consolidação, inteligência e experiência.

A consolidação da carteira é vista como o centro do processo de consultoria. É a partir dela que o assessor consegue controlar, analisar e comunicar informações relevantes ao investidor. Sobre essa base, entram camadas de inteligência de dados, automação e inteligência artificial, capazes de transformar um volume excessivo de informações em recomendações contextualizadas e compreensíveis.

A IA não vem para substituir o consultor, mas para potencializar suas capacidades. Ela libera tempo, automatiza tarefas repetitivas, aumenta a precisão analítica e permite que o profissional foque no que realmente gera valor: relacionamento, estratégia e personalização.

Outro ponto-chave é a integração ao ecossistema de Open Finance. Ao unificar dados financeiros do cliente em um único ambiente, torna-se possível oferecer uma visão 360° do patrimônio, com mais transparência, precisão e aderência regulatória, reduzindo ruídos tanto para o investidor quanto para o assessor.

Na prática, isso se traduz em uma experiência mais simples, intuitiva e acessível, especialmente para as novas gerações, que exigem interfaces digitais claras, acesso on-demand às informações e maior autonomia sobre suas decisões financeiras.

O futuro da indústria não está em criar mais produtos, mas em entregar mais clareza. Democratizar investimentos é, antes de tudo, tornar o processo compreensível, confiável e alinhado às reais necessidades das pessoasi.

Para a Smartbrain, a evolução do mercado de investimentos no Brasil dependerá menos da sofisticação financeira isolada e mais da capacidade da indústria de organizar a complexidade existente, transformando tecnologia, dados e inteligência em instrumentos reais de simplificação.


Fonte: Cassio Bariani - sócio-fundador da Smartbrain.