O mercado sustentável global vive um paradoxo. De um lado, o volume de emissões de títulos verdes atinge recordes, superando US$ 1 trilhão globalmente. De outro, a confiança do investidor está abalada. Escândalos recentes envolvendo créditos de carbono fantasmas e a falta de transparência em fundos ESG tradicionais revelaram que a mitigação passiva já não é suficiente.
Não à toa, o mercado de plataformas de Finanças Regenerativas (ReFi) foi avaliado em US$ 2,34 bilhões em 2024, com projeção de crescimento anual de 27% até 2033 (DataIntelo, 2025), sinalizando que o capital está migrando para modelos onde a integridade é verificável.
A primeira Bolsa de Ação Climática do Brasil, modelos que utilizam tecnologia para garantir conformidade tendem a pressionar os antigos sistemas de transações obscuras e burocráticas, favorecendo negócios inovadores e transparentes. A B4, por exemplo, atua como catalisador nesse cenário, conectando projetos auditados por parceiros homologados aos mercados globais com rastreabilidade total via blockchain. Essa abordagem funde governança técnica com certificações nativamente digitais, aproximando mercados voluntários e regulados.
Auditores de primeira parte aplicam metodologias para quantificar emissões em unidades rastreáveis, viabilizando escalabilidade em um contexto de crescente compliance. Estamos transformando impacto ambiental em ativos auditáveis, preparando o Brasil para exportar não só commodities, mas soluções sofisticadas de carbono.
2026: o ano da conformidade:
Problemas no setor de finanças sustentáveis e créditos de carbono no Brasil são motivados por fraudes em emissões registradas em terras públicas ou sem proteção ambiental real, lavagem de recursos ilícitos via carteiras de crédito consignado e fundos de investimento, e manipulação de ativos para inflar valores e financiar aquisições irregulares.
Esses casos frequentemente envolvem tipologias de corrupção, como dupla contagem de créditos, ausência de autorização estatal ou consulta a comunidades locais e uso de corretoras ou plataformas para movimentar bilhões em operações suspeitas ligadas a crime organizado ou esquemas bilionários sem compliance adequado. Fatores comuns incluem falta de rastreabilidade pré-regulamentação (mercado voluntário), promessas de neutralidade de carbono sem verificação robusta e pressão por metas ESG rápidas, levando a liquidações extrajudiciais e investigações sobre governança fraca em bancos e empresas ambientais.
Neste cenário, as Finanças Regenerativas surgem como uma correção de rota. As ReFi combinam princípios de economia regenerativa com tecnologias como blockchain e finanças descentralizadas (DeFi), visando restaurar ecossistemas e gerar valor sustentável a longo prazo, em vez de apenas lucros extrativistas de curto prazo. A estrutura direciona capital para restauração ambiental e social real, beneficiando investidores, originadores de créditos e instituições financeiras em busca de integridade regulatória.
O Brasil tem uma posição privilegiada no cenário global: grandes biomas, florestas extensas, áreas degradadas que podem ser restauradas e muita riqueza natural. Existem iniciativas para estruturar o mercado voluntário com metodologias mais robustas, verificações independentes e padrões elevados. De acordo com dados da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, o setor pode elevar o crescimento da economia em quase 6% até 2040 e 8,5% até 2050. Segundo estimativas do Banco Mundial, as emissões de gás carbônico dos setores regulados poderiam cair 21% até 2040 e 27% até 2050. O preço do carbono pode chegar a US$ 30 por tonelada, avançando para US$ 60 numa segunda fase.
Destaco que este é o momento de fixarmos políticas de conformidade que favoreçam a transparência e criem ambientes seguros para investidores. No contexto das ReFi, a B4 é um porto seguro que permite que os projetos de larga escala, que passam por auditoria e certificação via parceiros homologados, cheguem aos mercados globais com total rastreabilidade. Não estamos apenas distribuindo créditos. Estamos fornecendo a tecnologia que garante que o capital flua para a restauração real do nosso capital natural e social.
Fonte: Odair Rodrigues - CEO da B4.
