Empresas devem colocar saúde mental no centro da agenda



Segundo dados mais recentes do Ministério da Previdência Social, o Brasil vive uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos dos últimos dez anos. O tema ganha ainda mais relevância neste ano, com a entrada em vigor da NR-1, que amplia a responsabilidade das empresas sobre o bem-estar psicológico e social das pessoas no trabalho.

Até maio, as organizações passam por um período de ajustes para mitigar fatores que impactam a saúde mental, emocional e social, como assédio moral e sexual, estresse, sobrecarga, discriminação, bullying, microagressões, insegurança psicológica, conflitos constantes, comunicação tóxica, jornadas exaustivas e pressão contínua por resultados.

O cuidado com as pessoas colaboradoras e a preocupação com o bem-estar no ambiente de trabalho deixou de ser opcional e passou a ocupar lugar central na agenda corporativa. Além de atender à norma, investir em bem-estar garante mais produtividade, engajamento, retenção de talentos e menos afastamentos por doença.

Com a NR-1, as organizações passam a serem responsáveis por mapear e prevenir esses riscos no ambiente de trabalho e também por:

- Treinar lideranças e pessoas colaboradoras sobre boas práticas de conduta;

- Criar canais de denúncia seguros e eficazes para casos de assédio;

- Implementar políticas de responsabilização, com critérios transparentes de apuração e medidas corretivas para esses casos;

- Revisar a carga de trabalho e a jornada das pessoas colaboradoras para evitar exaustão;

- Promover uma cultura e liderança inclusiva e humanizada, garantindo um ambiente respeitoso para todas as pessoas.

Como as empresas podem se alinhar à norma?

Desde 2024, muitas organizações vêm ajustando processos para evitar penalidades a partir de maio, mas ainda enfrentam dificuldades para sair do papel. 

Alguns passos são essenciais:

- Diagnóstico do ambiente, por meio de pesquisas, conversas individuais ou grupos focais;

- Treinamento de lideranças, com foco em conscientização e aplicação prática;

- Formação de pessoas multiplicadoras, capazes de intervir diante de comportamentos inadequados;

- Criação de espaços permanentes de diálogo, inserindo o tema nas rotinas e conversas de time.

Quando as pessoas são mais felizes em suas ocupações, geram maior lucratividade, maior produtividade, menor turnover e, consequentemente, menos afastamentos por doença. Que é um dos grandes desafios nas companhias quando falamos sobre saúde emocional corporativa.


Fonte: Cris Kerr - especialista em assédio, segurança psicológica e neurociência.