Dicas para proteger o setor financeiro de ataques cibernéticos




No setor financeiro, a confiança é um ativo tão valioso quanto o próprio capital. Bancos, fintechs e corretoras operam diariamente com milhões de transações e dados sensíveis, em um ambiente cada vez mais digital, integrado e competitivo. Nesse contexto, qualquer falha em sistemas críticos pode resultar em prejuízos milionários, danos reputacionais e riscos regulatórios severos. O segmento lidera o ranking de incidentes cibernéticos no Brasil em 2025, concentrando 20,18% de todos os ataques registrados, segundo levantamento da ISH Tecnologia.

Além disso, o Relatório Global de Segurança na Nuvem 2024, da Check Point, aponta que incidentes em ambientes cloud cresceram de 24% em 2023 para 61% em 2024, um aumento de 154% em apenas um ano. Em um contexto de crescente dependência dos sistemas digitais para a continuidade dos negócios, a alta disponibilidade assume um papel estratégico. Hoje, não se trata apenas de performance ou uptime, mas de resiliência operacional diante de falhas técnicas, ataques cibernéticos e picos inesperados de demanda.

- Dicas para proteger o setor financeiro de ataques cibernéticos:

1. Incorpore a segurança desde o início com uma cultura de DevSecOps

Falhas graves costumam surgir ainda na fase de desenvolvimento, quando a segurança é tratada apenas como uma etapa final. O DevSecOps é uma abordagem que integra desenvolvimento (Dev), segurança (Sec) e operações (Ops) desde o início do ciclo de criação de sistemas.

Ao antecipar a identificação de vulnerabilidades, as empresas reduzem riscos, ganham agilidade e evitam que problemas cheguem ao ambiente de produção. Quando a segurança entra só no final, o custo do erro é sempre maior. O DevSecOps permite corrigir falhas ainda no código, antes que elas se tornem incidentes críticos.

2. Aposte em testes contínuos e automatizados

Testes manuais e pontuais já não são suficientes para sistemas financeiros complexos e altamente integrados. A automação de testes contínuos permite identificar falhas rapidamente e reduzir o risco de indisponibilidades. Plataformas como o dott.ai, da Vericode, utilizam Inteligência Artificial para executar testes de forma contínua, garantindo previsibilidade, qualidade de entrega e redução de custos operacionais sem comprometer a segurança.

3. Invista em observabilidade completa do ambiente

Acompanhar apenas logs já não é suficiente para garantir a estabilidade de sistemas financeiros complexos. Esses registros mostram o que aconteceu em um sistema, como erros, acessos e eventos, mas isoladamente oferecem uma visão limitada do funcionamento da operação. A observabilidade vai além do monitoramento tradicional ao reunir métricas de desempenho, rastreamento das transações e alertas inteligentes, criando uma visão integrada de todo o ambiente tecnológico.

Com essa abordagem, as equipes conseguem identificar comportamentos fora do padrão em tempo real, entender a origem dos problemas e agir antes que eles afetem clientes ou operações críticas. Esse nível de visibilidade é decisivo: Observabilidade não é só saber que algo falhou, mas entender rapidamente onde, por que falhou e qual será o impacto no negócio.

4. Aplique práticas de Site Reliability Engineering (SRE)

O Site Reliability Engineering (SRE) é uma abordagem que une engenharia e operação para garantir que sistemas críticos funcionem de forma estável, previsível e escalável, mesmo sob pressão. Na prática, o SRE ajuda as empresas a inovar sem comprometer a confiabilidade dos serviços digitais. Dentro desse modelo, os SLOs (Service Level Objectives) funcionam como metas internas que indicam o nível ideal de disponibilidade, desempenho e tempo de resposta dos sistemas.

Já os SLAs (Service Level Agreements) são os compromissos formais assumidos com clientes, definindo o nível mínimo de serviço que deve ser entregue. Ao acompanhar esses indicadores de forma contínua, as empresas conseguem identificar riscos antes que eles se tornem falhas graves, priorizar correções e responder rapidamente a incidentes, mesmo em momentos de alta demanda ou durante ataques cibernéticos.

5. Controle custos e eficiência com FinOps

Em ambientes de nuvem, crescimento sem controle pode gerar desperdícios e riscos operacionais. O FinOps garante transparência, governança e otimização do uso de recursos, alinhando tecnologia e estratégia de negócio. Mais do que reduzir custos, essa disciplina assegura que investimentos em infraestrutura digital gerem retorno sustentável sem comprometer performance ou segurança.

Falhas críticas não são inevitáveis, mas resultado de decisões mal estruturadas. Empresas que investem em previsibilidade, observabilidade e segurança integrada conseguem antecipar problemas e manter a confiança do mercado, mesmo em um cenário de ataques constantes.


Fonte: Marcelo Marchi - CEO e sócio fundador da Vericode, especializada em qualidade de software, automação de testes e observabilidade,