Aumento de carga tributária obriga empresas repensarem onde operar




Com o início da implementação da Reforma Tributária, empresários brasileiros já começam a rever decisões estratégicas sobre expansão e operação dos seus negócios. Com a unificação dos tributos sobre consumo e a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituem o PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI, os centros comerciais como shoppings e galerias devem enfrentar aumento da carga tributária, consequentemente repassando aos lojistas por meio de aluguéis e taxas mais altas.

Diante desse cenário, a escolha do ponto comercial também é determinante para a sobrevivência e escala dos negócios. Compreender o modelo ideal de operação se torna fundamental para a operação das empresas.

A Reforma Tributária acelera uma mudança que já estava em curso, que as empresas precisam operar com inteligência de custos. Não basta crescer, é preciso expandir com previsibilidade, margem e estratégia. A escolha do ponto comercial passa a ser uma decisão de negócio, não apenas de visibilidade.

Setores que operam com margens mais ajustadas sentirão primeiro o impacto do aumento da carga tributária indireta, especialmente quando esses forem repassados por meio de aluguéis, taxas condominiais e encargos operacionais. O erro clássico é olhar apenas o aluguel. O empresário precisa entender o custo total da operação e como ele afeta o fluxo de caixa no médio e longo prazo.

Para ajudar empresários a tomarem a decisão certa, apresento critérios fundamentais para escolher o ponto comercial ideal:

- Loja de rua: negócios de recorrência e ticket médio controlado:

Negócios de recorrência e ticket médio controlado, como farmácias, mercados de bairro, pet shops e serviços essenciais, tendem a se beneficiar das lojas de rua. Esses pontos oferecem maior controle de custos e sofrem menos impacto direto dos reajustes típicos dos centros comerciais. Em um ambiente de mudança tributária, a previsibilidade vira vantagem competitiva.

Apesar do provável aumento de custos, shoppings seguem sendo estratégicos para marcas consolidadas e operações de maior valor agregado. O fluxo é qualificado, mas o shopping deixa de ser espaço para testar modelo. Ele precisa ser usado como vitrine de marca, com margem suficiente para sustentar a operação.

- Galerias: atenção redobrada ao contrato:

As galerias podem sentir de forma mais direta o impacto da nova carga tributária. É fundamental analisar cláusulas de repasse de impostos, taxas condominiais e reajustes. O empresário precisa olhar além do aluguel e entender o custo total da operação.

- Dark stores e operações híbridas: tendência de crescimento:

Modelos como dark stores e operações híbridas, que unem atendimento e estoque, ganham força com o avanço do digital. São formatos mais flexíveis, com menor exposição a custos fixos elevados e maior capacidade de adaptação às mudanças tributárias.

Destaco que a Reforma Tributária torna o planejamento estratégico ainda mais indispensável para as empresas. Expandir sem analisar impacto fiscal, perfil do consumidor e modelo operacional pode gerar prejuízos irreversíveis. No novo cenário tributário, crescer rápido sem estrutura é um risco ainda maior.


Fonte: Ycaro Martins - especialista em negócios e expansão de alta performance, fundador e CEO da Maxymus Expand, empresa especializada em estratégias de crescimento e estruturação empresarial.