Mercado financeiro e ESG

                       


Com boa parte da economia baseada em atividades ambientais, como o agronegócio e geração de energia, o Brasil tem avançado no tema ESG. O conceito, que em português abrange os termos Ambiental, Social e Governança, garante que as empresas possam avançar em pautas importantes na direção de uma sociedade não só com melhores práticas ambientais, mas que desenvolve soluções para combater desigualdades, apoiam direitos humanos e estimulem o combate à corrupção.

De acordo com a pesquisa “A Evolução do ESG no Brasil”, desenvolvida pela Rede Brasil e pela Stilingue, em 2020 as discussões sobre o assunto cresceram 7 vezes nas redes sociais. O debate nas mídias estimulou os representantes do setor empresarial, já que 84% dos que responderam ao levantamento disseram que o interesse para entender sobre a questão aumentou.

A pandemia foi um dos fatores responsáveis pela disposição de se conversar sobre ESG, já que a crise sanitária evidenciou a importância de lidarmos melhor com o meio ambiente. Especificamente sobre isso, os empresários brasileiros citaram iniciativas como reciclagem e reaproveitamento de resíduos, redução das emissões de gases de efeito estufa e uso, tratamento e reaproveitamento de água.

A pesquisa da Rede Brasil e Stilingue ainda aponta que dos 5 setores pesquisados, os dois com mais familiaridade com o conceito ESG foram o Financeiro e Agronegócio. O trabalho do setor financeiro com o tema foi, inclusive, evidenciado em outro levantamento.

ESG no mercado financeiro:

O estudo “Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais”, feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) no ano passado, mostra que 86% das instituições classificaram o tema ESG como tendo importância de nota 7 a 10.

Segundo 52% dos dirigentes de empresas do setor financeiro do país, a pauta ESG ganhou muito mais relevância em 2021 (na comparação com 2020). A mesma porcentagem indicou que o assunto será ainda mais debatido em 2022.

Aproximadamente 33,2% dos gestores ainda atribuíram nota 10, em uma escala de relevância, para classificar a importância do tema específico de sustentabilidade.

Essa tendência de defesa de pautas ESG entre empresas do mercado financeiro, além da tomada de consciência de vários dirigentes do setor, a agenda sustentável se tornou obrigatória porque interfere também na percepção de riscos.

Entender que tudo é meio ambiente e que ele afeta o nosso cotidiano faz com que se avalie diferente a pauta de sustentabilidade. O tema não está mais descolado da nossa realidade.

Por que o ESG é importante?

O assunto ESG tem sido cada vez mais bem interpretado por agentes do setor financeiro, que buscam realizar ações práticas para incentivar melhorias nas áreas de sustentabilidade, governança e social.

Além da questão ambiental, as empresas podem ser parte essencial também no combate a problemas como a insegurança alimentar, discriminação, preconceito, desigualdades e corrupção. As soluções não devem ser pensadas somente pelos governos, mas também pela sociedade civil.

Ademais de frear as mudanças climáticas, as tragédias ambientais e o aumento de problemas sociais, tornou-se essencial debater e fazer ações de ESG porque elas impactam decisões de investimento.

A Rede Brasil salienta que no contexto atual, “além dos benefícios ambientais e sociais, o ESG é a indicação de solidez, custos mais baixos, melhor reputação e maior resiliência em meio às incertezas e vulnerabilidades” das empresas.

Soluções de ESG no mercado financeiro

Mais importante do que o entendimento dos empresários brasileiros sobre a importância do ESG, são as ações efetivas. E se multiplicam no país iniciativas no mercado financeiro em prol do assunto, principalmente no quesito sustentabilidade. Como apontado pelas pesquisas, as empresas estão alertas sobre a relevância do assunto e se mexem tanto para desenvolver ações quanto para obter certificações de boas práticas.

No caso das Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs), a Ourominas, que tem como política de gestão integrada buscar melhorias nos processos, produtos e serviços.

Na parte ambiental e de governança, a Ourominas foi a primeira DTVM da América Latina a receber, em 2021, as certificações ISO 9001 (Qualidade), ISO 14001 (Ambiental) e ISO 45001 (Segurança e Saúde Ocupacional). As certificações foram validadas pela ABS Quality Evolutions Inc. (ABS QE), uma das principais empresas de aferição de sistemas de gestão da qualidade, segurança e meio ambiente do mundo.

Além de todas as certificações, autorizações e trabalho de compliance, a Ourominas possui o selo Plante Árvore e o Título e Certificado de Empresa Amiga da Floresta pelo fomento do plantio de árvores nativas, responsáveis pela absorção de toneladas de Gases do Efeito Estufa (GEE) e a reestruturação de área florestal em cidades brasileiras.

As boas práticas sustentáveis evitarão desastres ambientais, o que significa que poderão promover uma vida mais tranquila para gerações futuras. E o compliance e a governança também devem andar de mãos dadas para oferecer um ambiente saudável dentro da organização e transparência nos negócios.

Outra iniciativa desenvolvida  é o Eco Gold System Joares, que é o primeiro sistema de mineração de ouro do Brasil que é livre do uso de água e de contaminantes como mercúrio e cianeto. Por não utilizar água no processo de separação dos minérios, a máquina também dispensa a necessidade de barragens com rejeitos, cujo rompimento pode gerar tragédias como a de Brumadinho. 

Além de toda essa cadeia de benefícios ambientais, sociais e de governança, pensar um negócio a partir do tema ESG melhora a competitividade e otimiza processos dentro de uma empresa. Daqui alguns anos, quem não pensar nessas soluções de maneira integrada acabará ficando fora do mercado.


Fonte: Juarez Filho - diretor presidente da Ourominas

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