Investidores buscam ativos internacionais


Com a aproximação das eleições, elas costumam ser um termômetro que irá ditar os próximos movimentos dos investidores de ações nacionais e internacionais, que tentam se proteger das volatilidades do mercado.

Recentemente, o Banco Central sinalizou que a fase de aumento da taxa SELIC teria se encerrado e as expectativas do mercado é de que ela seja reduzida já na metade do próximo ano. Para Isabela Komatu, formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), CEO e cofundadora da Komatu Gestora de Recursos, esse rumo ainda é incerto. “Uma redução brusca na taxa de juros pode implicar na valorização do dólar e desvalorização do real, assim como vimos em em 2019 e 2020.

Por outro lado, se a SELIC ficar em 13,75% por mais tempo que o mercado imagina, poderemos ver a bolsa brasileira andando de lado e o real se valorizando. Tudo isso acontecendo enquanto o Banco Central Americano luta contra a inflação tendo que subir a sua taxa de juros agressivamente. Isso mostra perfeitamente a necessidade de diversificação entre ativos e moedas brasileiras e estrangeiras”, pontua.

Graças às iniciativas de corretoras e fintechs, o mercado financeiro trouxe a possibilidade de participação de fundos que tenham ativos brasileiros e estrangeiros. “Hoje, por exemplo, o Komatu Ações Globais em Reais é um fundo que investe majoritariamente em ativos estrangeiros sem ignorar os brasileiros, faz a proteção cambial e está disponível para todos os investidores que tenham a partir de R$ 1 mil. No passado, fundos assim eram disponíveis apenas ao investidor qualificado ou profissional”, revela a CEO.

Isabela acredita que um fundo de investimento oferece mais segurança para brasileiros que querem diversificar sua carteira de ativos. “Nos dias de hoje, é muito fácil para o investidor de varejo ter acesso a ações internacionais fora de fundos. Porém, quando ele precisa elaborar uma estratégia de proteção cambial, fica desamparado pelo fato de ser uma operação extremamente complexa. Sem contar que, na maioria das vezes, o pequeno investidor não tem qualificação profissional para escolher as melhores ações”, relata.

De acordo com Gabriel Komatu, formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cofundador da Komatu Gestora de Recursos, muitos querem investir em ações de empresas globalmente conhecidas, mas os processos pedem um olhar mais amplo. “O brasileiro é acostumado a commodities e bancos, sempre perguntando sobre as ações de empresas como Petrobras, Vale, Itaú ou Bradesco. Quando o assunto são ações globais, o setor mais procurado é o de tecnologia, com companhias como Apple, Microsoft, Amazon e Tesla sempre na liderança do mercado de ações. Porém, isso é apenas uma pequena parte do que, de fato, é ser um investidor global. Olhamos desde o Banco do Brasil, até a francesa LVMH e a taiwanesa TSMC”, declara.

Embora seja comum que empresas brasileiras sejam afetadas pela volatilidade do dólar, o mesmo não acontece quando falamos do real. “Empresas estrangeiras que sofrem impactos pela variação do real são raras. Pode acontecer com algumas que operam fortemente no Brasil, como o Mercado Livre e a America Movil, responsável pelas operações da Claro em solo nacional. Mas, no geral, poucas empresas globais se impactam pela performance do Brasil, até porque nosso PIB representa aproximadamente 2% do PIB mundial”, pontua o cofundador.

Para Gabriel, investir no mercado de ações externo se torna uma opção ainda melhor com a proximidade das eleições. “A nossa economia é extremamente volátil. Os juros caíram de 14,25% para 2%, e voltaram para 13,75% em apenas 7 anos. O congresso saiu de uma agenda reformista para uma agenda social em poucos meses. Vemos ameaças de golpe militar ao mesmo tempo que vemos políticos tradicionais defendendo a democracia. As incertezas da nossa economia dificultam o investimento de longo prazo, por isso, precisamos diversificar a carteira com opções ao redor do mundo inteiro, principalmente em economias mais estáveis”, finaliza.

Fontes: Gabriel - formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas e atua no mercado financeiro há mais de sete anos / Isabela Komatu - formada em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas e mestre em gestão internacional também pela Fundação Getúlio Vargas 

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