Espiritualidade gera lucro e êxito profissional


A inteligência emocional é uma habilidade muito valorizada nas corporações há alguns anos. Atualmente, a espiritualidade também está sendo considerada uma soft skill interessante por grande parte dos recrutadores, uma vez que eles creditam a ela o bem-estar, a empatia e a desenvoltura de muitos colaboradores para lidarem com adversidades no dia a dia corporativo. 

Essa "novidade" se dá pelo simples fato de que para ter sucesso na vida profissional e pessoal é fundamental que se busque equilíbrio entre o corpo, a alma e o espírito.

Entenda que não se trata de adotar determinada religião específica ou crer em um Deus ou força divina - espiritualidade não significa crença ou dogma religioso. Acredito que essa característica tem sido considerada um ponto a mais para os candidatos que declaram ser espiritualistas. 

Veja bem, ela não é um ponto de exclusão num processo seletivo, mas um plus, no mínimo, interessante. Hoje em dia, as empresas procuram pessoas com alto nível de inteligência emocional, e essa característica está conectada à espiritualidade.

Quando uma pessoa concentra atenção e ação em valores como solidariedade, amor, ética, verdade, igualdade, respeito à vida, à liberdade de escolhas e tantos outros, esse conjunto de valores está no horizonte da espiritualidade, comum a quase todas as tradições religiosas e uma questão cada vez mais valorizada no ambiente corporativo.

Levar as bases da espiritualidade para dentro da organização é inserir procedimentos éticos e morais, que, na verdade, não deveriam sequer estar dissociados dos negócios, métodos e procedimentos de nenhuma companhia. Assim como não deveria ser possível separar essas características em um indivíduo. Eu acredito que a espiritualidade possa, sim, contribuir para a carreira das pessoas.

Mas de que forma isso se daria na prática? Quando o profissional eleva seu nível de consciência sobre o ambiente onde trabalha, ele está criando um diferencial de atuação no mercado de trabalho, conseguindo conviver com as diferentes posturas e atitudes das pessoas de forma mais madura e segura, por exemplo. Cita também que ao ser espiritualizada, a pessoa geralmente tem uma visão mais ampla do ambiente, sendo menos egoísta e mais empática – se colocando no lugar do outro, de fato.

Se cada vez mais lidamos com diversidade dentro das empresas, ou seja, com colaboradores que apresentam valores, repertórios e personalidades diferentes, ter essa presença de espírito e atitudes mais altruístas são essenciais.

Atualmente, é muito comum lermos ou vermos em noticiários histórias de grandes executivos buscando incorporar em suas vidas opções para melhorar o seu lado interior, por meio de um retiro em acampamentos, adotando a prática da meditação ou tirando períodos sabáticos para refletirem sobre o verdadeiro sentido de suas funções e, principalmente, para ter maior clareza de sua atuação e como fazer para alcançar os resultados buscados pelas corporações onde atuam.

Em tudo na vida é preciso equilíbrio, especialmente entre o “ter” e o “ser”. “Então, para desenvolver uma carreira de sucesso, em que seu trabalho esteja alinhado com sua missão, seus talentos e sua vocação, é necessário pensar também no “ser” e desenvolver seus valores e pensamentos em harmonia com os da empresa. 

Por coincidência ou não, a maturidade emocional da pessoa espiritualizada é bem maior, e isso ajuda a lidar com as adversidades do dia a dia de maneira mais suave e com resultados mais positivos.


Fonte: David Braga - CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search. É também Conselheiro de Administração pela Fundação Dom Cabral (FDC) e professor convidado pela mesma instituição.

Comentários