Mais que high tech, o Metaverso será clean


Uma nova sociedade está em construção. Sim, enquanto você lê este artigo, há um mundo de engenheiros e programadores operando máquinas ultra-avançadas para erguer o que promete ser a maior “cidade” do mundo. A população estimada para o Metaverso em 2026 – daqui a apenas 4 anos – é de 2 bilhões de pessoas, segundo a Gartner, empresa de pesquisa e consultoria de tecnologia.

E pode apostar: é muito provável que você faça parte dessa população. Até porque lá também estarão pelo menos 30% das corporações de todo o planeta. A Gartner projeta que as pessoas viverão lá, inicialmente, pelo menos uma hora por dia. Mas fazendo o que, exatamente? Trabalhando, comprando, aprendendo, interagindo e por aí vai, mas num nível de experiência muito mais avançado do que a internet de hoje e até mesmo a vida real proporcionam.

São tantas possibilidades que é até difícil de enumerá-las. Mas imagine que será possível ter imóveis, carros de luxo e roupas nesse universo digital. Vamos mais longe: não será absurdo frequentar uma faculdade, praticar tênis com um jogador profissional ou aprender novas receitas com um chef de cozinha francês. Pense também na chance de viajar para o país dos seus sonhos, com direito a guia turístico. Visitar o Museu do Louvre, passear de gôndola pelos canais de Veneza ou conhecer a Estátua da Liberdade sem precisar de visto norte-americano.

Tudo fruto de um misto que envolve realidade aumentada, realidade virtual e outros ingredientes high tech que vão mudar nossa forma de ver e vivenciar o mundo como conhecemos. Estaremos todos ainda mais conectados num espaço multidimensional, incorporados num imenso The Sims bem mais próximo da realidade.

Isso vai gerar consequências para o mundo físico, ao mesmo tempo em que exigirá ainda mais a adoção de boas práticas, que já vêm sendo intituladas de Environmental, Social and Governance ( Práticas ESG) – ou meio ambiente, social e governança, na tradução literal. A começar pela economia de combustível e de uso de transportes, como também pela produção sustentável de peças de vestuário feitas sob medida e de outros produtos fornecidos a partir de uma base palpável.

Essa nova forma de consumo pode oferecer impactos positivos ao planeta, e estimular essa prática, aliando-a ao mundo físico, pode levar o ser humano a um novo nível de consciência ambiental. Da mesma forma, o aspecto social representa as relações, a preservação da condição interativa e em full time da web 3.0 que conhecemos hoje. Mas num mundo em que as coisas tendem a ocorrer ao vivo, há uma expectativa de que esse Metaverso também supere as barreiras físicas e temporais.

Por fim, a governança consiste no estabelecimento de regras de conduta global para o Metaverso, protegendo não apenas a privacidade dos usuários como também criando um universo específico para crianças e adolescentes. Além disso, será necessário conduzir políticas de proteção de dados, estabelecer meios de onboarding para acesso e recursos para o uso privado do meio e criar normas de proteção e combate a eventuais tipos de crimes que podem ser explorados no novo ambiente.

É um mundo completamente novo, e que já carrega muita expectativa em torno do que se poderá oferecer e realizar dentro dele. Líderes e Organização precisam estar preparadas para esse futuro. Afinal as máquinas irão fazer muita coisa, mas a empatia, conexão e coragem ainda serão mais exigidos dos profissionais. 

Afinal, como disse, fazendo uma analogia ao universo dos games, é um The Sims mais ou menos real. Mas é necessário tomar todos os cuidados para que toda a inteligência artificial por trás do Metaverso seja impecável, e ofereça poucos riscos de descambar para um GTA.

Fonte: Renata Lemos - consultora especialista em desenvolvimento de líderes e cultura organizacional e fundadora do Instituto Excelência Gestão e Cultura (IEGC)

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