Diversidade é a nova moeda dos negócios

Com frequência, as marcas estão sendo cobradas a terem responsabilidade tanto para criar uma cultura inclusiva em seus negócios, como para proporcionar impacto positivo na vida de seus consumidores, o que resulta numa transformação da sociedade. ESG — sigla em inglês para Governança Ambiental, Social e Corporativa — tem crescido muito a nível global e diversidade & inclusão é um forte pilar da área. 

Apesar da resistência de lideranças brasileiras em relação a este tema, principalmente por nosso país ter uma história de negar os preconceitos, pode-se observar uma transformação acontecendo aqui e sendo liderada pela economia, seguindo tendências globais.

Uma boa referência de fora, por exemplo, é a exigência da Nasdaq, a bolsa de tecnologia estadunidense, que determinou que as empresas listadas em seu índice devem ampliar a diversidade de seus conselhos de administração num prazo de dois a cinco anos. Além disso, será preciso que as organizações tenham entre seus diretores, no mínimo, uma mulher e outro representante de um grupo socialmente minorizado, como pessoas negras ou LGBTI+. 

Aqui no Brasil ainda há muito o que fazer: segundo a pesquisa lançada pela consultoria Mais Diversidade em 2021, 65% das empresas não possuem um programa estruturado de D&I, contudo já é possível afirmar a força deste movimento, uma vez que 97% das empresas respondentes pretendiam manter ou aumentar seus investimentos em diversidade e inclusão. Já não é mais uma questão se as empresas vão apostar em D&I, mas quando irão tomar essa atitude.

Ainda falando sobre marca empregadora, ou seja, na imagem institucional de credibilidade da empresa no que tange ser um bom lugar para trabalhar, hoje já se sabe que trabalhar a diversidade de forma intencional reflete na lucratividade para os negócios. De acordo com a consultoria americana Mckinsey, empresas que têm um time executivo diverso em termos de gênero apresentam 33% mais chances de serem lucrativas.

E vale ressaltar que uma das grandes dificuldades do mercado está relacionada à atração e retenção de talentos e não só para talentos diversos. Segundo estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o déficit anual de profissionais na área de TI pode chegar a 70 mil até 2024. E retomando a fala de tendências internacionais, gostaria de destacar “A Grande Renúncia”, movimento ocorrido durante a pandemia, na qual milhares de americanos pediram as contas dos seus trabalhos. 

Especialistas ouvidos por diversos veículos de comunicação afirmaram que a pandemia fez com que as pessoas se questionassem para além do retorno financeiro, buscando mais qualidade de vida e empregos que estejam relacionados a um propósito social. Somente em agosto de 2021, 4 milhões de pessoas pediram as contas. Além disso, há mais de 10 milhões de vagas em aberto.

De marca empregadora para perfil do consumidor, vale destacar A WGSN, autoridade global em tendências de consumo e design, que mapeou quatro perfis de consumo que vão despontar em 2023. A maioria dos perfis apresenta conceitos de D&I, consumidores que buscam construir um mundo melhor, apoiando as comunidades e empresas que promovem diversidade. Já a Rock Content, especialista em Marketing Digital, enumerou as 10 maiores tendências que realmente vale a pena apostar, sendo uma delas a tendência de marcas mais humanas e comprometidas. 

Os negócios que decidirem evoluir seguindo essas diretrizes terão que pensar mais do que apenas no lucro. Ou seja, os problemas que a empresa soluciona precisam ser genuínos para a sociedade, começando pelo “por quê” e não pelo “o quê”. Significa ter um propósito como padrão e com isso compreender de forma genuína que a organização deve investir em estratégias que promovam o progresso contínuo e com mudanças de longo prazo, internamente, para o seu cliente e para a sociedade.

E para onde vai a economia? O que se sabe é que D&I começou a fazer parte das estratégias do negócio em diferentes cenários. Bons resultados de D&I buscam representar a sociedade, ou seja, no Brasil uma empresa que desempenha bem precisa ter 56% de pessoas negras, cerca de 10% de pessoas LGBTs, 52% de mulheres, 24% de pessoas com deficiência, etc. O que mostra que ainda há muito trabalho, pois atualmente, segundo a pesquisa da Nohs Somos com a Pulses, minorias não chegam a 10% do quadro de colaboradores das empresas. 

Um ponto importante é: trabalhar a diversidade no time representando a sociedade significa ter diversidade da base até o topo da hierarquia. Hoje as lideranças nas empresas são 90% de homens brancos, sem deficiência e heterossexuais. Ter diversidade nas lideranças também é estratégico para o negócio, se o mercado está mudando com o foco em ESG, e diversidade sendo um grande pilar, quanto mais pessoas diversas nas lideranças, maiores percepções de oportunidades para o negócio no momento atual.

Um caso que deixou isso evidente foi a ação “Havaianas Pride”, quando foi realizada uma coleção com itens como peças de vestuário, sandálias e acessórios, que celebram as cores das bandeiras LGBTQIA+. Em apenas oito meses, foram vendidos mais de 150 mil itens da linha. Acompanhado do lançamento, a marca teve a iniciativa de reverter 7% do lucro líquido arrecadado com a venda da linha Pride à All Out, ONG que luta pelos direitos das pessoas LGBTI+ ao redor do mundo.

Esse caso demonstra como D&I afeta diversos processos da empresa, gerando bons resultados como marca empregadora, com a construção dessa ação feita em parceria com o time de colaboradores e fornecedores externos. Liderança diversa e/ou sensibilizada aprovando a temática de forma intencional. E como consequência, alta aceitação de produtos e serviços que atendem as tendências de perfil de consumo com o foco no propósito. O famoso “ganha/ganha/ganha”, bom pra quem faz, bom pra quem compra, bom pra sociedade.

As empresas não devem poupar esforços para deixar evidente o seu posicionamento. Práticas vagas e sem intenções são apenas uma forma de tentar se eximir e não contribuir de fato. É preciso ir além nesse debate e ter atitudes verdadeiras e honestas com o público.

“Esta ação com a Ambev impactou diversos processos da empresa, gerando bons resultados como marca empregadora, com a construção dessa ação feita em parceria com o time de colaboradores e fornecedores externos. Tivemos uma liderança sensibilizada aprovando a temática de forma intencional. E como consequência, alta aceitação das pessoas consumidoras, que atendem as tendências de perfil de consumo com o foco no propósito. O famoso “ganha/ganha/ganha”, bom pra quem faz, bom pra quem compra, bom pra sociedade".


Fonte: Hóttmar Loch - CEO da Nohs Somos.

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