Turismo de negócios passa por mudanças com nômades digitais


O turismo é um dos segmentos que mais movimenta a economia, gera empregos e renda em todo o mundo, mas com a pandemia o setor sofreu fortes baques. Agora, com a reabertura gradual das fronteiras, o avanço da vacinação e a possibilidade da retomada das viagens internacionais, a tendência é que a demanda reprimida ao longo dos últimos anos ganhe vasão.

Assim como no segmento tradicional, o turismo de negócios também movimenta companhias aéreas, hotéis, restaurantes, aluguéis de carros ou serviços por aplicativo. No entanto, também demanda aluguéis de salas comerciais, espaços para eventos e treinamentos, salas de reuniões, entre outros fatores ligados à infraestrutura, que movimentam e contribuem ativamente para a economia local e nacional.

Também conhecido como turismo MICE (sigla em inglês para “reuniões, incentivos, convenções e exposições”), o turismo de negócios já vinha passando por constantes alterações com o avanço da globalização e da tecnologia, estabelecendo contatos mais dinâmicos entre profissionais e transações geograficamente mais abrangentes. 

Com a pandemia e a necessidade de rever os antigos formatos de reuniões de negócios, viagens para convenções, eventos, congressos e treinamentos, os formatos de trabalho híbrido e totalmente online ganharam força e se estabeleceram como tendência.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), em 2021 o segmento teve um aumento no faturamento de 10,7% em relação a 2020, totalizando R$3,840 bilhões. Apesar desse aumento, as vendas ainda são menores em comparação ao período anterior à pandemia.

A partir desse ponto, surge um novo tipo de profissional, o nômade digital. Ou seja, aquele que consegue aliar os momentos de trabalho com uma movimentação física constante, e não apenas trabalhando de casa ou de um endereço fixo. Nesse sentindo, uma alternativa que vem crescendo são os coworkings, setor afetado positivamente diretamente pelas mudanças no turismo de negócios.

De acordo com a Associação Brasileira de Coworkings e Escritórios Virtuais (Ancev), houve uma aceleração de tendências e adaptação do mercado para oferecer novos serviços e atender diferentes perfis de clientes. Dos escritórios consultados pelo Censo Ancev 2021, quase 30% afirmaram que pelo menos metade dos seus clientes, antigos ou novos, adotaram o formato hibrido. 

“A chegada da pandemia concretizou tendências do setor como o trabalho híbrido, pois as empresas entenderam que há muito benefícios em estar instalado numa estrutura pronta, repleta de conveniências e na qual ele pode diminuir ou crescer o número de posições com agilidade e sem pegadinhas contratuais”, explica Mari Gradilone, diretora da Ancev.

Para algumas empresas ter a possibilidade de evitar estes custos com locações de espaços, infraestrutura, tecnologia, além das viagens para seus colaboradores e executivos também é uma forma de posicionar sua marca junto à crescente preocupação ambiental e diminuição das emissões de carbono. Por outro lado, os funcionários ganham a possibilidade de trabalharem de onde acharem mais conveniente e também pouparem tempo com grandes deslocamentos.

“Os coworkings são o melhor dos dois mundos para empresas e funcionários. Enquanto os nômades digitais podem acessar os espaços de trabalho colaborativo de onde quer que estejam, as empresas podem garantir que seus colaboradores estejam bem assistidos e tenham um ambiente que estimula e está preparado para incentivar o melhor da produtividade de cada um ao direcioná-los para um coworking, seja no momento de uma viagem a negócios, ou para realizar um evento profissional, ou ainda para adotar o trabalho híbrido em sua cultura organizacional”, comenta Patrícia Coelho, gerente de operações do Club Coworking, um dos grandes nomes do segmento com duas unidades na capital paulista.

A internet e a liberdade de morar em qualquer lugar do mundo, trabalhando em uma mesma empresa, ou nas inúmeras startups que surgem nos últimos anos, continuam a exigir mudanças do turismo MICE frente às necessidades dos profissionais em 2022.


Fonte: Bruna Janz

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