Todos nós somos responsáveis para cuidar da Natureza


Para quem ainda não se deu conta, ou não se convenceu, da seriedade da situação climática que iremos enfrentar no nosso planeta, vale a pena acompanhar de perto os estudos científicos que têm sido elaborados sobre o assunto.

Recentemente, as Nações Unidas publicaram um relatório ambiental acerca das metas globais de emissão de gases em que afirmou que o planeta está caminhando para uma elevação de 2,7º C acima dos níveis pré-industriais (entre 1850 e 1900), muito acima da meta máxima de 1,5º C. a que se refere o pacto climático de Paris.

Em agosto, outro relatório das Nações Unidas indicou que a temperatura já aumentou 1,2º C. Diante desses dados, o Secretário Geral das Nações Unidas, António Gutierrez, considerou a trajetória atual do planeta "catastrófica".

De quem é esse problema? Qual o seu papel na sua resolução? E como ele afeta a educação de seus filhos?

Consciência ambiental é, antes de tudo, uma questão de como nos percebemos no mundo. É comum pensarmos que a Natureza é externa a nós, como se não fizéssemos parte dela. Essa descrição, no entanto, é falha. Nenhum de nós existe fora da Natureza, estamos integralmente dentro dela. 

Tudo o que acontece no nosso organismo, todos os processos internos, sejam químicos, biológicos, mentais ou psicológicos, dependem daquilo que está acontecendo na Natureza, e do que estamos compartilhando com ela a cada momento. 

Como seres vivos, somos tanto parte dela quanto qualquer planta ou animal que está nas nossas casas ou na floresta. De acordo com a Teoria Sistêmica, como seres vivos, somos sistemas (partes) que formam um ecossistema (todo), e que são por ele formados. Somos seres da Natureza.

Essa descrição que nos põe fora da Natureza é tão falha quanto aquela que utilizamos quando dizemos "nossa, peguei um trânsito horrível hoje". Na realidade, ao sair de casa com seu carro, você passou a ser parte do próprio trânsito, contribuindo para que ele aumentasse. Você deveria, portanto, dizer "nossa, fui um trânsito horrível hoje!"

Essa distinção é sutil, mas é muito importante. Se nós não nos identificamos como seres da Natureza (seres vivos), mas apenas como seres humanos, a nossa identidade não se sente ameaçada quando, por exemplo, desmatamos a Amazônia, ou matamos as baleias. Isso é diferente do que sentimos, por exemplo, ao vermos outro ser humano ser torturado: nos choca ver o sofrimento de outro ser humano, porque ele é igual a nós. 

Nesse sentido, poluir um rio e, assim, dar comida estragada aos peixes, não nos ameaça como dar comida estragada aos nossos filhos. Nessa toada, estamos destruindo o meio ambiente.

Somos seres da Natureza e, como tal, temos a obrigação de cuidar de todos os demais seres vivos e de seu habitat. Como humanos, não temos um privilegio sobre a Terra e seus recursos, por mais que tenhamos mais conhecimento tecnológico. Pelo contrário, isso nos dá ainda maior obrigação. E nossa capacidade cognitiva nos permite (ou deveria permitir) enxergar que, se não mudarmos nosso padrão de interação com o planeta, nossos filhos serão muito prejudicados. Isso não é só responsabilidade dos governos, ela é nossa, dentro de casa e também, dentro da escola.

Educação não se faz só com palavras, mas sim com ações. A cada vez que você compra pilhas de livros didáticos impressos no começo do ano, você está contribuindo para o desmatamento, e para uma degradação relevante do ecossistema. Você está ensinando os seus filhos que isso é uma conduta aceitável.

Hoje, já existem alternativas tecnológicas que permitem a completa substituição do material impresso na escola. Alunos podem usar cadernos e imprimir poucas atividades que dependem de material escrito, além de plataformas digitais. Isso é muito menos papel do que os muitos quilos de livros e apostilas impressas que você compra todos os anos, e que, no ano seguinte, serão jogadas no lixo, porque as dúvidas que surgirem serão tiradas no Google.

Plataformas digitais são muito mais baratas do que livros e apostilas impressos. Os dispositivos como tablets e notebooks duram de três a quatro anos e o material digital pode ser atualizado diariamente. 

Os livros e apostilas impressas são muito mais caras, porque devem ser produzidas e vendidas anualmente para estarem atualizadas, e porque os custos de compra, estoque, produção e distribuição de livros e apostilas num país continental e cheio de desafios logísticos como o Brasil são proibitivos. Esse custo é alto para você e para a Natureza.

Por isso, como ser vivo responsável, se eu puder lhe sugerir algo, ajude a escola dos seus filhos a trocar livros didáticos impressos por plataformas digitais (mais cadernos). Desmatar é prejudicar o futuro dos seus filhos e de todos nós seres vivos. E essa não é a função da escola.



Fonte: Fernando Shayer - cofundador e CEO da Cloe