Volunturismo: voluntariado e turismo aliados em favor do meio ambiente e desenvolvimento social


No Brasil, turismo sustentável de base comunitária oferece roteiros para Amazônia, Lençóis Maranhenses, Chapada dos Veadeiros e Chapada Diamantina

Comemorado no dia 28 de agosto, o Dia Nacional do Voluntariado lembrou a importância da solidariedade e do trabalho voltado a interesses sociais e comunitários para a busca do bem comum. Entre as diversas possibilidades de dedicar tempo e talento em benefício do próximo e do interesse coletivo, uma novidade está ganhando corpo: a junção entre o turismo e o trabalho voluntário. 

O “volunturismo” já conta com mais de 10 milhões de adeptos em todo o mundo, de acordo com estudo feito em 2018 pela Edelman Brasil com o Panrotas.

No Brasil, os interessados nesse tipo de viagem com propósito têm a oportunidade de contribuir também para a conservação da natureza. “Nosso objetivo é que os serviços contratados sejam oferecidos pelos próprios moradores do entorno dos destinos em áreas naturais, garantindo emprego e renda por meio de atividades sustentáveis”, explica Daniel Cabrera, empreendedor e cofundador do negócio social Vivalá.

A empresa criou um modelo de negócio que desenvolve o turismo de base comunitária em Unidades de Conservação (UCs) brasileiras, proporcionando experiências a pessoas que adoram viajar e amam a natureza, mas também querem contribuir com a transformação social. 

As viagens proporcionam uma imersão na cultura de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, e os turistas podem contribuir com um processo de educação profissional para a capacitação de pequenos empreendedores das comunidades visitadas.



“Além de injetar o capital dos turistas por meio do pagamento justo pelos serviços, pelo menos 50% do nosso lucro são reinvestidos para aumentar a operação e gerar ainda mais impacto positivo", conta Cabrera. 

“Atuamos com a modalidade de visitação responsável em que os viajantes podem viver uma experiência genuína com a população local, além de contribuir positivamente com as pessoas da região por meio do voluntariado contínuo.”

Para contribuir com o desenvolvimento sustentável das comunidades, a Vivalá criou uma metodologia de capacitação chamada de “Universidade Vivalá de Negócios”, contemplando 413 mentorados, entre pequenas pousadas, restaurantes, canoeiros, artesãos, guias, dançarinos, entre outros. 

A capacitação engloba temas como marketing, vendas, planejamento financeiro, atendimento ao público e ações sustentáveis, e já mobilizou 786 viajantes de nove países, que contribuíram com mais de 4,6 mil horas de voluntariado em 51 expedições promovidas. Até agora, foram injetados mais de R$ 530 mil nas economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária.

A empresa pretende aumentar em até 150% o número de pequenos empreendedores capacitados nos próximos dois anos. Amazônia, Lençóis Maranhenses, Chapada dos Veadeiros e Chapada Diamantina estão entre seus roteiros atuais, que devem passar a integrar ainda unidades de conservação da Mata Atlântica e Caatinga, sempre com o tripé sustentável ambiental, social e financeiro.



“Para criar uma nova expedição, realizamos ampla articulação com diferentes atores sociais, como líderes comunitários, parceiros locais, organizações da sociedade civil e os diversos órgãos do poder público, sempre respeitando interesses dos envolvidos e o objetivo maior de gerar desenvolvimento socioambiental nas comunidades”, explica Cabrera.

- Turismo sustentável:

A gerente sênior de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, Leide Takahashi, ressalta que o turismo é uma atividade catalisadora de desenvolvimento socioeconômico e contribui muito para o engajamento da sociedade em prol da conservação. 

“Acreditamos que o turismo em áreas naturais é uma tendência para o momento pós-Covid, que pode contribuir com a geração e distribuição de renda em localidades mais distantes. Além disso, é capaz de sensibilizar as pessoas para a causa ambiental, usando a natureza de forma responsável e sustentável”, ressalta.

Leide lembra também a capacidade que o contato com a natureza tem de melhorar a saúde e o bem-estar dos viajantes. “É comprovado que esse tipo de experiência reduz níveis de estresse e depressão, melhora a imunidade, a qualidade do sono e estimula a criatividade”, salienta a gerente, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e membro voluntário da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN.



Para Daniel Cabrera, além de proporcionar bem-estar, a imersão em áreas naturais tem uma função educativa, pois amplia a consciência dos turistas a respeito da necessidade de conservação do meio ambiente. 

“Estar em contato com tamanha biodiversidade tem um grande potencial transformador. Acredito que só conseguimos proteger o que conhecemos”, reflete. É importante que os brasileiros conheçam melhor o próprio país e ressignifiquem a relação com a natureza, a cultura e o senso de comunidade.

Penso que o turismo com propósito tem tudo para crescer cada vez mais. A startup foi um dos destaques da teia de soluções, iniciativa da Fundação Grupo Boticário que tem por objetivo apoiar propostas inovadoras e negócios de impacto positivo capazes de endereçar desafios socioambientais e, ao mesmo tempo, gerar uma cadeia sólida e financeiramente sustentável.



Fonte: Fundação Grupo Boticário

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