sexta-feira, 16 de julho de 2021

Como o Brasil pode zerar o desmatamento ilegal?



Segundo o Observatório do Clima, no mais recente relatório de análise das mudanças do clima no Brasil, publicado em 2020, após as emissões de gases de efeito estufa terem atingido um patamar mínimo em 2010, ano de regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima), o país elevou em 28,2% a quantidade de gases de efeito estufa que despeja na atmosfera todos os anos.

Entre os principais setores responsáveis pela taxa de emissão brasileira, destaca-se o setor chamado de mudanças de uso da terra e florestas, puxadas pelo desmatamento, principal responsável pelas emissões no Brasil desde que o monitoramento começou a ser realizado, em 1990. 

As árvores absorvem dióxido de carbono atmosférico (CO2), em seu processo natural de fotossíntese, liberando o oxigênio (O2) à atmosfera e fixando o carbono(C). Uma vez cortadas e queimadas, tais árvores liberam esse carbono na atmosfera, na forma de dióxido de carbono.

O desmatamento de florestas nativas vem puxando o crescimento recente destas emissões. A quantidade de gases de efeito estufa lançada na atmosfera pelo setor de mudança de uso da terra cresceu 64% desde 2010 e subiu 23% em 2019, comparado com 2018.

A alta taxa histórica de desmatamento coloca o Brasil como um dos principais emissores de gases de efeito estufa do mundo. Diferentemente de países como os Estados Unidos, China e Rússia que estão à sua frente neste ranking, as emissões brasileiras não são diretamente proporcionais ao desenvolvimento econômico e industrial. 

Em 2019 as emissões totais brasileiras cresceram em 9,6%, enquanto que o PIB nacional cresceu 1,1%. Isso comprova que as emissões no Brasil, diferentemente da maioria das outras grandes economias, estão descoladas da geração de riqueza.

O caminho para a redução do desmatamento e para a redução das emissões brasileiras passa justamente pela inserção da floresta nativa em uma economia de baixo carbono. O uso sustentável da floresta amazônica precisa ser incentivado pelo governo, desde a exploração madeireira em bases sustentáveis, até o estabelecimento de uma política nacional clara e alinhada aos interesses globais. todas as formas de inserção da floresta em uma economia verde e de baixo carbono são válidas.

                                                   

Fonte: Marcelo Schmid - diretor do Grupo Index.

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