quarta-feira, 14 de abril de 2021

O lado B do mercado editorial


Mais do que conviver com infinitas possibilidades digitais, vivemos em um mundo onde os processos de digitalização passam a ser criados instantaneamente. Não importa o segmento, todos os mercados que estiverem adaptados ao digital se sobressairão ou, como costumo dizer, vão sobreviver. 

Há 14 anos sem apresentar melhoras, o mercado editorial brasileiro assiste de camarote a um fenômeno singular: a ascensão das editoras de autopublicação e a independência dos escritores. Um dos fatores para que esses dois segmentos desta cadeia estejam colhendo os resultados animadores é o fato de terem se atentado a esse nicho e a um detalhe importante: a maioria do público voltou-se ao digital e se rendeu à tecnologia.

Enquanto as tradicionais pensam no macro, as pequenas editoras e os autores independentes se abriram para as oportunidades de se lançarem nesse mercado sem estarem atrelados às regras de um modelo analógico e desconectado das demandas dos leitores. 

Eles acessam um terreno fértil de nichos que está começando a ser explorado. Conseguem trabalhar diretamente com os players e tornaram este mercado da literatura algo muito mais concreto.

Outro ponto a ser destacado é que as editoras de autopublicação também encontraram uma forma de oferecer um trabalho customizado, sob medida e a identificar o que seus leitores procuram. Nesse meio tempo observamos um aumento exponencial do digital. 

É fato que os livros físicos ainda são muito importantes, porém, nunca antes o confronto entre esses dois espaços foi palpável como agora.

A compra do livro nunca vai acabar, eu sei; mas o segmento digital abriu um espaço para as pessoas saírem da zona de conforto, comprarem títulos diferentes e formatos nunca antes experimentados, como é o caso do audiolivro, em que atingimos um público totalmente novo que preza pela agilidade e uma nova forma de conhecimento e entretenimento. Trata-se de um grupo de pessoas que não necessariamente estariam lendo aquele conteúdo. 

Atrevo-me a dizer: um mercado que vem para competir com outros serviços de streaming de áudio. Realmente, o audiolivro é uma nova forma de posicionar o mercado literário, dentro dessa “nova era” do consumo de entretenimento.

O audiolivro hoje já é bem mais conhecido do que há seis anos, mas ainda tem um longo caminho pela frente. Podemos comparar a trajetória dos títulos em áudio com os eBooks que vêm marcando espaço há 15 anos – com grande destaque para o último ano que espantou os leitores das livrarias físicas devido ao distanciamento social. A tendência é que o áudio, por toda facilidade, fique ainda mais no radar dos leitores, mas também dos autores e das editoras.

Todos esses fatores fazem com que cheguemos a um cenário ideal: o leitor poderá escolher qual formato quer consumir. Um mercado em que o livro digital, o físico e em áudio coexistem em harmonia. E, nós da Tocalivros, seguimos com a missão de tornar o mercado editorial plural e acessível para todos.


             


Fonte: Ricardo Camps é sócio-fundador da Tocalivros, formado em Administração Pública pela FGV-EAESP. 

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