sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Energia eólica representa um avanço em termos de sustentabilidade


O setor de energia desempenha um papel importante para o desenvolvimento sustentável do planeta neste século. Em um momento de transição para uma economia de baixo carbono, o principal desafio será equilibrar a demanda crescente por energia com o uso racional dos recursos naturais e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Ao lado de outras energias renováveis, a energia eólica tem experimentado um forte crescimento desde meados da década de 2000 em todo o mundo, estimulado pelo forte apoio dos governos.

A energia produzida a partir da força dos ventos ganhou força no Brasil e no mundo, sendo uma importante alternativa para reduzir o uso das fontes energéticas tradicionais baseadas na queima dos combustíveis fósseis, que emitem gases de efeito estufa na atmosfera e contribuem para a intensificação da mudança global do clima. O Brasil é o quarto país onde a energia eólica mais cresce, com uma capacidade instalada que pode chegar a 2024 com aproximadamente 24 mil megawatts.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) passou em 2006 a monitorar regularmente a capacidade instalada de usinas eólicas em operação comercial que, atualmente, estão espalhadas por oito estados (Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). No momento, o ONS registra 14.975 MW de potência instalada de eólica, o que representa 9,1% da matriz elétrica.

Em 2009, o preço da energia eólica, que chegou a custar mais de US$ 57,08/MWh (US$ 1 = R$ 3,46) no início da década, despencou para US$ 39,07/MWh; atualmente, o preço está próximo ao patamar de algumas hidrelétricas. O Brasil contava com um fabricante de aero geradores em 2004 e hoje conta com cerca de dez, com mais de 100 empresas participantes da cadeia produtiva eólica, muitas delas estrangeiras.

O Brasil, até 2026, pode aumentar a participação de renováveis em sua matriz elétrica sem que isso acarrete custos significativos para a operação do sistema elétrico, cumprindo assim as diretrizes do Plano Decenal de Energia 2026. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), hoje mais de 80% da eletricidade usada no país é proveniente de fontes renováveis, porém em sua maior parte a hidráulica (68%).

Em 2035, o país pode aumentar em 68% a participação de energia eólica, solar e biomassa em sua matriz elétrica, em relação à previsão do PDE 2026, totalizando 44% da composição da matriz. Essa mudança pode ocorrer sem afetar a competitividade e a atratividade dos megawatt-hora (MWh) dessas fontes para os consumidores.

Cada brasileiro emite sete vezes menos CO2 do que um americano e três vezes menos do que um europeu ou um chinês, apesar da enorme população da China. Graças às energias renováveis, na produção de 1 MWh o setor elétrico brasileiro emite três vezes menos CO2 do que o europeu, quatro vezes menos do que o norte-americano e seis vezes menos do que o chinês.

No Brasil, onde a média de consumo de energia elétrica per capita está em 2,5 mil kWh por ano, bem abaixo dos 8,2 mil kWh por ano das nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a matriz elétrica contrasta com boa parte do mundo. Mais de 80% da geração é oriunda de fontes limpas, com ênfase para as hidrelétricas, enquanto em boa parte do mundo o carvão é o principal insumo.

Um destaque recente no Brasil tem sido o forte crescimento, apesar de já ter uma matriz limpa, da participação das energias renováveis alternativas, como a eólica, a solar e a biomassa, que já respondem por cerca de 15% da oferta elétrica interna. Isso sinaliza que, à medida que o consumo per capita brasileiro avançar, essa expansão da demanda será atendida por fontes renováveis de energia.

Para Nêmora Prestes, pesquisadora da Universidade de Passo Fundo (UPF), do Projeto Charão e membro da RECN, a energia eólica representa um avanço em termos de sustentabilidade, mas, para que seja ambientalmente correta, deve ser bem planejada. "É evidente que necessitamos de opções energéticas com fontes renováveis, mas é imprescindível posicionar as usinas eólicas em locais onde seu impacto seja mínimo", defende.

Para que as duas riquezas nacionais sejam garantidas, é necessário evitar sobreposição entre empreendimentos de energia eólica e rotas de aves migratórias. Isso porque os aerogeradores instalados perto de locais de pouso ou repouso de aves migratórias causa alteração do sucesso de sua reprodução, perturbação na migração e perda de habitat de reprodução e de alimentação. Também pode ocorrer mortalidade de aves por impacto com as pás das turbinas, pois esses animais têm o campo visual lateral e não enxergam os obstáculos à frente.

O mês de agosto vem demonstrando que será bastante favorável na geração de energia eólica. Na mesma semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou três recordes de geração média da energia e ontem, dia 6 de agosto, os sistemas registraram que os ventos chegaram a produzir 9.049 MW e fator de capacidade de aproximadamente 71,6%.

Este montante é suficiente para abastecer 94,4% da demanda elétrica de todos os estados que compõem a região Nordeste. Agosto costuma ser um mês de ventos fortes. Além deste recorde, o ONS indicou que no dia dois de agosto a geração de energia eólica média foi de 8.780 MW e no dia cinco de agosto a média foi de 8.854 MW.


Fonte: Vininha F. Carvalho - jornalista, economista, administradora de empresas e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

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