quarta-feira, 1 de julho de 2020

Empresas precisam considerar questões ambientais e sociais na retomada pós-pandemia


A Governança Social e Ambiental (ASG) refere-se a uma série de princípios e processos que as empresas adotam para estar adequadas às melhores práticas de sustentabilidade, relações sociais e governança, cada vez mais importantes para a atração de investimentos.

"Internacionalmente, o ASG já está servindo para muitas empresas direcionarem seus investimentos", destaca Eugenio Singer, presidente da Ramboll no Brasil, organização dinamarquesa de atuação global em consultoria ambiental. Ele salienta que "nosso país ainda está muito atrás nesse processo, perdendo boas oportunidades". 

Um exemplo é relatório da consultoria KPMG, intitulado "Investimento sustentável: acelerando sua evolução", que ouviu 135 investidores institucionais, gerentes de hedge fund e gerentes de investimentos em títulos de longo prazo, de 13 países, e que juntos totalizam 6,25 trilhões de dólares em ativos. O Brasil não tinha representantes na relação.

Os parâmetros de ASG no País estão em seu estágio inicial. Investidores têm se concentrado em assuntos reputacionais e escândalos de corrupção. Consequentemente, a principal área de interesse para investidores brasileiros tem sido a governança corporativa. 

Porém, pesquisa recente do Instituto CFA, organização global, sem fins lucrativos, de analistas financeiros, gerentes de portfólio e outros profissionais de investimento, sugere que, nos próximos cinco anos, até 2022, os temas ambientais e sociais irão tornar-se significativamente próximos dos relacionados aos de governança em termos de importância.

Eugenio Singer frisa que sinais claros podem ser observados com a carta anual aos CEO´s, na qual a BlackRock informa que, "até o final de 2020, todos os portfólios ativos e estratégicos de consultoria estarão totalmente integrados a critérios ASG". 

Logo em seguida, a BTG Pactual estruturou um produto de captação de títulos verdes na ordem de R$ 15 milhões, para financiar a construção de um projeto de energia eólica. Em maio de 2020, o BV captou US$ 50 milhões na primeira emissão de títulos verdes por um banco privado brasileiro.

"Evidências acumulam-se da correlação positiva entre a performance financeira da empresa com a de ASG", ressalta o presidente da Ramboll no Brasil. Ele cita que estudo recém-publicado da Oxford mostra que a melhoria no desempenho ASG das empresas está correlacionado e tem alguma contribuição causal no aumento do PIB per capita dos países onde estão sediadas. A causalidade do S foi significativa ao nível global, enquanto o A e G foram mais relevantes nos emergentes.

No contexto da pandemia as questões de ASG ganham mais importância em um processo de transição para investimentos sustentáveis, onde a retomada econômica brasileira será condicionada principalmente pelos investimentos em infraestrutura, nos quais as questões ASG terão um papel fundamental. 

A Ramboll, organização dinamarquesa de atuação global em consultoria ambiental, alerta que as empresas brasileiras precisam estar atentas aos princípios de meio ambiente, sociais e governança (ASG) para poder fazer parte dessa história.

"A atual pandemia da Covid-19, que deu ao mundo mais uma demonstração da importância do cuidado com o meio ambiente e a sustentabilidade, e as pessoas cada vez mais mobilizadas com o futuro do planeta mostram a importância de se estar alinhado com questões sociais, ambientais e de governança. Isso reflete também nos negócios", pondera Eugenio Singer.

- Contexto histórico:

No ano de 1970, Milton Friedman afirmou categoricamente que a única responsabilidade social das empresas era gerar lucro para seus acionistas, dentro das regras da sociedade (leis). Em 2013, um levantamento global apontou, por um lado, que 31% dos entrevistados entendem que os negócios devem mudar o jeito que operam, alinhando-se com questões e necessidades sociais e ambientais; e 29% dos entrevistados entendem que os negócios devem não somente dar suporte, mas agir proativamente para questões sociais e ambientais relevantes. 

Por outro lado, apenas 6% dos entrevistados entendem que os negócios existem para gerar lucro para acionistas e não são responsáveis por atender a questões sociais e ambientais.

Ao longo desse período, muitos acontecimentos têm redefinido a percepção da sociedade e, por consequência, o papel e responsabilidade do setor privado. As questões sociais e ambientais, de maneira articulada à gestão e tomada de decisões em uma empresa, passam a compor um conjunto de critérios e indicadores para orientar consultores financeiros, bancos e fundos de investimento na avaliação das organizações de acordo com seus impactos e desempenho nas áreas do Meio Ambiente, Sociedade e Governança (ASG).


Fonte: Eugenio Singer- presidente da Ramboll no Brasil.

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