sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Pesquisa identifica novas tendências do voluntariado corporativo no mundo


Há cerca de cinco anos, as empresas estavam preocupadas em alinhar seus programas de voluntariado aos objetivos de negócio. Hoje, estão mais preocupadas com os impactos internos na corporação e com a aquisição de habilidades de seus funcionários. A conclusão é um dos destaques da Pesquisa Voluntariado Corporativo no Mundo, elaborada pelo Itaú Social. O estudo foi realizado com 47 empresas nacionais, regionais e mundiais, sediadas na Ásia, Europa, África, América do Norte e América do Sul.

“Os voluntários e o seu compromisso são mencionados por quase metade das empresas como o seu maior orgulho”, afirma a especialista em Mobilização Social do Itaú Social, Claudia Sintoni. “Os entrevistados nos contam também que é motivo de muito orgulho constatar que a empresa está buscando soluções concretas para os problemas sociais”.

A tendência para a próxima década é que as companhias optem por ações que agreguem valor e gerem mudanças contínuas, ao invés de investirem em projetos focados apenas em atos isolados. O estudo detectou que elas começam a reconhecer a importância de considerar as especificidades regionais no desenho dos programas, assim como a colaboração com programas de várias empresas em ações locais conjuntas. Ainda não há, entretanto, uma adesão ativa aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) e falta maior compreensão do tema.

A alta liderança tem demonstrado envolvimento com os programas de voluntariado, apoiando, incentivando os colaboradores e participando de algumas ações. Porém, há pouco engajamento da gerência média, que se traduz em falta de apoio e até uma certa indiferença. Isso pode ser explicado, em parte, pela difícil equação entre a pressão por resultados e a disponibilidade de horas para o funcionário sair do trabalho e atuar na comunidade.

Essa é uma questão que aparece entre as principais preocupações das empresas em relação ao voluntariado: o desafio do equilíbrio entre as responsabilidades como empregado e aquelas que ele tem como voluntário. Outros pontos de atenção são conciliar o padrão global às necessidades particulares; as ações necessárias com recursos disponíveis e as equipes pequenas; e inovação.

Um fator que pouco avançou nos últimos 15 anos, segundo o estudo, foi o pensamento avaliativo. As empresas ainda têm dificuldade em avaliar o impacto de suas ações e permanecem considerando como indicadores o registro de horas, de voluntários, das pessoas atendidas ou alcançadas.

- Áreas temáticas e inovação:

Para grandes empresas mundiais, ter um programa global de voluntariado ainda é um desafio. A maioria ainda declara não sentir que seu programa é realmente global e consistente.

Os principais temas de atuação continuam sendo educação, crianças e jovens, saúde e comunidade em geral. O apoio às catástrofes permanece entre as prioridades, mas muitas estão ajustando as ações às reais necessidades das regiões afetadas e suas populações. Na prática, querem ir além de ações pontuais de envio de alimentos e materiais, por exemplo. Outra tendência bastante focada em ações específicas são os programas cross-borders ou transnacionais, que envolvem a atuação do voluntariado em outros países.

A inovação se traduz nos variados formatos de desenho dos programas, seja pelo tema, pela criatividade na conexão com os objetivos de negócios, pelo tipo de ação ou pelo modelo de gestão.

Entre as práticas citadas como inovadoras estão as escolas de líderes, com foco na capacitação dos voluntários que estão na governança dos programas; e o incentivo para que os funcionários proponham atividades com entidades sociais, estratégia capaz de multiplicar o número de ações.

Outro ponto inovador é a forma como está sendo visto o voluntário, considerado como agente de transformação local, que qualifica a atuação social da empresa nas comunidades onde está presente. “O protagonismo do voluntário traz a realidade da comunidade para dentro do Programa. Ele participa das decisões em relação à aplicação do investimento social e das prioridades para a atuação voluntária”, explica Claudia.

Entre as ações inspiradoras, as empresas destacam a possibilidade de transferir conhecimento aos membros da comunidade, capacitando-os a resolver os problemas locais. Algumas companhias citam também o envolvimento de clientes nos trabalhos voluntários.

- Gestão:

A maioria das empresas se organiza e administra seus programas de voluntariado por meio de comitês. Essas pequenas células favorecem a conexão com o programa central, o vínculo com os voluntários e as parcerias locais com as organizações da sociedade civil. Os comitês podem ser regionais, ou podem estar organizados também por área de atuação (como meio ambiente, diversidade, empreendedorismo comunitário) ou área interna da empresa (como finanças e recursos humanos).

Os comitês locais normalmente são responsáveis pela comunicação e pela formação (à distância ou presencial) dos voluntários. As formações podem ser gerais, conceituais ou específicas para atividades, capacitando-os para mobilização, coordenação de eventos e de ações.

Além disso, cada vez mais empresas estão confiando em parcerias com as organizações da sociedade civil, reconhecendo o conhecimento que elas têm da realidade. Essa constatação reforça a preocupação das companhias com a transformação da sociedade por meio de um corpo de voluntários bem preparados e conectados com as necessidades ao redor do mundo.

A pesquisa foi realizada com a coordenação de Mónica Galiano e com as pesquisadoras, Inma Rodriguez (Brasil), Iraida Manzanilla (Venezuela), Raaida Mannaa (Colômbia), Kathi Dennis (Estados Unidos) e Sarah Hayes (Estados Unidos).

Acesse a pesquisa completa: https://www.itausocial.org.br/wp-content/uploads/2019/05/Voluntariado_relat%C3%B3rio-final.pdf


Fonte: Elaine Alves 

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