sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O resultado do PISA, IDH e a esperança na Educação


Para quem é leigo no assunto, o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) trata-se de uma pesquisa comparativa, realizada com jovens de 15 anos em 79 países, incluindo o Brasil, visando os letramentos em Leitura, Matemática e Ciências. Devido ao grande número de nações, alguns critérios foram definidos para comparar o desempenho brasileiro com os outros, como proximidade regional e cultural, mas também com países de alto desempenho como Finlândia, Coréia, Estados Unidos e Canadá.

Os resultados preliminares, divulgados no dia 4 deste mês, em Paris, revelam dados assustadores: em Leitura ficamos em 57º lugar, em Matemática 70º e em Ciências 66º. O resultado é muito ruim e mesmo que fiquemos separando ensino privado das escolas públicas, para descobrirmos duas realidades bem diferentes, precisamos pensar na educação do Brasil como um todo. Para que haja possibilidade de melhora, as políticas públicas precisam ser eficazes e sistêmicas abrangendo todas as estruturas, inclusive a formação contínua dos professores.

De acordo com o último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a renda de 10% da população é superior à metade da renda de todo o país, mostrando que a desigualdade é tão desiquilibrada quanto a educacional. Desta forma, os estudantes da classe mais baixa não conseguem as mesmas oportunidades, no sentido amplo, dos estudantes da classe alta.

Muitos professores da rede pública se sentem abandonados pelo governo e vivem com medo da violência dentro da escola. Vários estão afastados por uma questão de saúde e outros totalmente desiludidos com a profissão. Afinal, como lecionar nesse cenário com a promoção praticamente automática, gerando turmas cada vez mais desiguais e aprendendo menos?

Contudo, ainda acredito que podemos melhorar, nem que demore décadas.

Para isso, é preciso olhar com atenção os modelos que têm dado certo e adequá-los às realidades regionais. A inovação é inerente às mudanças de sucesso. Precisamos da parceria governo-escola-família e, principalmente, de uma pedagogia do afeto, não fabril e classificatória. Precisamos entender que as competências socioemocionais são tão importantes quanto a cognitiva, que a habilidade digital e tecnológica seja utilizada com critérios e autoria, que o aprendizado é multidisciplinar e constante. A resiliência faz parte do processo, a empatia ajuda em nosso autoconhecimento e nos torna mais íntegros.

Tudo isso têm que passar pela escola.

Talvez o grande desafio dos professores seja saber avaliar essas novas habilidades. Eles devem voltar a estudar para aprender novas metodologias e ensinar de forma diferente, criando atividades mais colaborativas e menos competitivas, baseadas em problemas fechados, abertos e até sem solução. É fazer o aluno trabalhar em equipe, respeitando todas as diferenças.

A sociedade brasileira precisar entender que se temos modelos de escolas que funcionam, professores com excelência acadêmica, estudantes que conquistam medalhas internacionais em olimpíadas que se tornam excelentes profissionais e cidadãos, então todos juntos podemos melhorar a nossa educação.


                                                   

Fonte: Sandro Yoshio Kuriyama - docente do Curso Avançado de Matemática do Colégio Marista Arquidiocesano

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