segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Ciclistas revelam potencial do ecoturismo no Cerrado


O Cerrado brasileiro, a savana mais biodiversa do mundo, é o cenário de uma viagem que mistura aventura, ecoturismo e desenvolvimento sustentável. Protagonizada por três ciclistas, dois brasileiros e um norte-americano, o TranCerrado: pedalando pela preservação é um projeto que revela o potencial econômico do bioma, principalmente por meio do ecoturismo e da agropecuária sustentável.

A aventura, que teve início no último dia 15 de outubro, é conduzida por Paulo Moutinho, cientista sênior e cofundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM); Paul Lefebvre, pesquisador associado do Woods Hole Research Center, nos EUA; e Márcio Bittencourt, técnico em Telecomunicações e especialista em navegação marítima.

O Cerrado é hoje o bioma mais ameaçado do Brasil. Presente em 11 estados – Bahia, Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo, Tocantins, além do Distrito Federal –, ocupa 24% de todo o território nacional, ou cerca de 80 milhões de hectares. No bioma vivem cerca de 25 milhões de pessoas, muitas delas indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Conhecido como o “berço das águas” ou a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras, abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil e guarda três dos principais aquíferos do país. Existem cerca de 10 mil espécies de plantas no Cerrado, das quais 44% são exclusivas do bioma.

Apesar de sua importância, o Cerrado tem apenas 8,7% da sua área protegida em unidades de conservação. Além disso, perdeu 29 milhões de hectares de vegetação nativa nos últimos 34 anos. Atualmente, 56% da sua área está coberta por vegetação nativa e 40% são voltados para atividades agropecuárias.

É neste contexto que a aventura TransCerrado está. “Nós queremos dar mais visibilidade ao bioma, mostrar a importância da preservação da savana mais biodiversa do mundo e difundir o ecoturismo como potencial atividade econômica complementar à agricultura praticada na região”, explica Paulo Moutinho, do IPAM. 

“É possível incorporar boas práticas no campo, como recuperação de pastos e restauração florestal, incluindo a regularização fundiária, para melhorar a produção. Esse pensamento, aliado à valorização da paisagem, são fundamentais para se criar uma nova forma de desenvolvimento para o Cerrado.”

O projeto foi produzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com o apoio da GIZ (Agência Alemã de Cooperação Internacional).


Fonte: Thays Puzzi 

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