segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Pescadores e donos de embarcações de turismo se transformam em agentes ambientais


Atualmente, cerca de 6 milhões de toneladas de lixo são depositadas anualmente nos oceanos, fato que ganhou notoriedade no Brasil nos últimos meses, devido à Política Nacional de Combate ao Lixo no Mar e à lei que proíbe a produção de canudos plásticos, responsáveis por grandes índices de mortandade de espécies marinhas. Se nada for feito para reverter este quadro, acredita-se, inclusive, que até 2050 o mar poderá ter mais lixo do que peixes, de acordo com estudos mundiais sobre a poluição marinha por todos os tipos de resíduos, especialmente plásticos.

E, justamente para auxiliar na redução deste quadro na região do litoral norte paulista, o Programa “O mar não está pra lixo”, uma das ações do projeto “Tecendo as Águas”, do Instituto Supereco, trabalha com oficinas e abordagens educativas de pescadores e da população local de São Sebastião, para a sensibilização quanto à quantidade de lixo na região, que poderá ir para o mar, especialmente deixada nos píeres de saída da região costeira e produzida nas embarcações de pesca, náutica e lazer.

O programa conta com a parceria entre a Prefeitura de São Sebastião, APA Marinha, Instituto Educa Brasil e Operação Praia Limpa e foi integrado ao Projeto Tecendo as Águas, que tem o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A agenda voltada aos oceanos e à sustentabilidade das regiões litorâneas é a grande bandeira do Instituto Supereco, que em 2019 completa 25 anos de atuação no Brasil.

- Limpeza do mar: 

Dentre as ações realizadas pelo “O mar não está pra lixo” está a criação e confecção de uma série de materiais educativos para sensibilização ambiental e turismo sustentável junto aos pescadores, comunitários e turistas que frequentam os píeres da Figueira e Nelson Leite, no Bairro São Francisco.

A ideia é que os pescadores participantes das abordagens educativas e oficinas, já devidamente apropriados das informações contidas nos “Kits de Sensibilização Ambiental” – que detalham ações e atitudes reconhecidas como melhores práticas de combate aos resíduos no mar, de pesca amadora e do turismo sustentável e responsável –, tornem-se protagonistas e sejam valorizados como agentes de proteção ao meio ambiente na região.

As embarcações de pescadores e de turismo engajadas no projeto recebem um selo que a identifica um agente responsável. Uma das importantes ações dos navegadores é recolher os resíduos marinhos quando estiverem no mar. Cuidados com suas redes de pesca para que não se rompam e com o lixo produzido ao longo das viagens, também estão dentro das rotinas desejáveis. Até o momento 25 embarcações já possuem o selo “O mar não está pra lixo”, no píer do São Francisco. A meta é chegar a 200 barcos na região de São Sebastião.


“Esses adesivos mudaram o diálogo dos marinheiros com a clientela, melhorando o recolhimento de lixo, para que não se jogue plástico e latas na água. Temos as lixeiras, e geralmente quando o barco vai sair são repassadas as orientações para o pessoal, e solicitado encarecidamente para que jogue tudo no lixo, sem deixar cair nada na água. 

As pessoas ficaram mais conscientes e a maioria lê os adesivos que colocamos. Tenho cinco barcos e coloquei em todos os cincos. O pessoal se interessa bem. Melhorou bastante. Nem cigarros estão jogando mais. Fazem o cinzeiro em uma latinha”, relata João Orlando de Carvalho Júnior, cujos barcos de turismo ficam no Píer da Figueira.

“A ideia do kit surgiu a partir de uma Oficina de Planejamento Participativo com os pescadores da Bacia do Rio São Francisco, em que os próprios comunitários representantes da cultura caiçara e dos que vivem da pesca e do turismo, sugeriram a necessidade de materiais de sensibilização ambiental, com abordagem ao grande número de moradores e turistas que frequentam os píeres e transitam no litoral norte de SP. Em períodos de alta temporada e feriados, chegamos a mais de 1500 visitantes por final de semana saindo dos píeres”, explica Andrée Vieira, presidente do Instituto Supereco.

- Placas Educativas e educomunicação: 

Outra iniciativa do projeto é a instalação de 02 placas educativas orientando sobre os resíduos no mar, a segurança da navegação e prevenção de acidentes náuticos e período onde não pode haver a pesca de determinada espécie em razão da reprodução. 

As placas instaladas no Píer da Figueira e no Píer Nelson Leite, em frente ao Convento do Bairro São Francisco, os spots de rádio de educomunicação exibidos em festas comunitárias, já mostraram resultados de sucesso junto aos moradores e visitantes e são uma importante ferramenta de trabalho para os pescadores agentes ambientais.

“A inovação deste programa é trabalhar toda a cadeia do fluxo do lixo: vindo da serra, para a terra e indo para o mar e engajar múltiplos parceiros. Sem educação e atitude individual não há como resolver o problema. Daí a importância de nosso trabalho com ações de sensibilização educativas, mutirões e oficinas, envolvendo os turistas nas balsas, praias, comércio, quiosques, restaurantes, hotelaria, escolas, igrejas, postos de saúde, festas e festivais. Estamos formando uma grande rede e é uma enorme alegria receber as imagens e depoimentos do ‘antes’ e o ‘depois’ dos pescadores!”, ressalta Andrée.


Fonte: Sylvio Novelli 

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