terça-feira, 21 de maio de 2019

A riqueza de tamanhos e cores das nossas abelhas




Para celebrar o Dia Mundial da Abelha, ontem, 20 de maio, a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas lançou pôster de divulgação científica com 30 espécies de abelhas sem ferrão das mais diferentes regiões do Brasil.

“O cartaz surgiu para atender uma carência por materiais informativos que apresentem a riqueza de tamanhos e cores desse grupo de abelhas nativas do Brasil”, explica Ana Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A..

No Brasil já foram descritas cientificamente cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão, que, apesar de formarem colônias e produzirem mel, são menos populares do que a abelha-africanizada (Apis mellifera), abelha exótica que possui ferrão e é mais utilizada para a produção comercial.

A seleção das 30 espécies levou em conta a distribuição geográfica nas cinco regiões do país. “Assim todos poderão reconhecer ao menos uma espécie com ocorrência em seu Estado”, comenta Assad.

Diversidade:

A coordenação científica do pôster foi feita por Kátia Aleixo, bióloga e consultora da A.B.E.L.H.A.. A seleção considerou a riqueza de tamanhos, cores e comportamentos dos polinizadores. “Há abelhas pequeninas, como a lambe-olhos (Leurotrigona muelleri) e a Trigonisca nataliae, e abelhas maiores, como a tiúba (Melipona fasciculata) e a uruçu (Melipona scutellaris)”, descreve Aleixo.

 As espécies também possuem relevâncias distintas para nós humanos. “Algumas espécies no pôster, como a jataí (Tetragonisca angustula) e as do gênero Melipona, produzem méis deliciosos. Outras são responsáveis pela polinização de cultivos agrícolas e garantem a riqueza de alimentos que consumimos diariamente.”

No rodapé, o pôster traz um código QR que fornece informações adicionais sobre os insetos. Apontando o celular, é possível conhecer a distribuição geográfica de cada espécie nos Estados brasileiros, além de quais delas têm participação na polinização de plantas e cultivos agrícolas.

A seleção inclui ainda espécies que são pouco recomendadas para a criação devido ao seu comportamento, mas que ainda possuem um importante papel na polinização de plantas nativas, garantindo a manutenção dos ecossistemas naturais.

Abaixo, destacam-se algumas dessas abelhas que possuem comportamentos peculiares:


Caga-fogo, tataíra (Oxytrigona tataira) – é muito agressiva e libera uma substância ácida que causa queimaduras na pele.

Iratim, limão (Lestrimelitta limao) – é cleptobiótica, ou seja, rouba alimento de ninhos de outras espécies de abelhas sem ferrão.

Mombuca carniceira (Trigona hypogea) – é necrófaga, ou seja, se alimenta da carne de animais mortos como fonte de proteínas, o que torna o mel impróprio para consumo.

Guira, guiruçu, mombuca (Geotrigona mombuca); guiruçu, iruçu, iruçu-do-chão (Schwarziana quadripunctata) – têm o hábito de fazer os ninhos no solo.


O pôster está disponível em versão digital no site da A.B.E.L.H.A. e pode ser baixado para impressão por quem tiver interesse. Será produzido um número limitado de cópias impressas, no formato 60cm x 90cm, para distribuição gratuita, destinado principalmente para grupos de pesquisa que atuam no tema, associações de apicultores e meliponicultores, órgãos governamentais e interessados nas abelhas sem ferrão.


Fonte: Guilherme Castellar

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