sexta-feira, 24 de maio de 2019

A natureza gera pânico através dos terremotos



A sismologia, ciência que estuda os terremotos, deve conseguir um grau de confiabilidade semelhante ao da meteorologia dentro de alguns anos, porque hoje a previsão do tempo é relativamente confiável no prazo de poucos dias. Embora ainda não haja como prever terremotos, já é possível constatar que a probabilidade da ocorrência de um terremoto em determinado local, pois muitos eventos o antecedem.

Um deles é a sobrecarga sobre placas tectônicas que ocorre à medida que elas se movem e acumulam estresse. Esse estresse se concentra e uma hora irrompe. Quanto mais aumenta o intervalo entre abalos em uma região, maiores tendem a serem suas intensidades, pois o estresse entre placas tectônicas vai se acumulando.

Embora o Brasil, dentro do cenário geológico atual esteja em uma situação estável, no centro de uma placa tectônica, e longe dos grandes epicentros não pode se dizer, de forma alguma, que o mesmo esteja totalmente livre de influências. Os tremores associados aos Andes (área de choque com a placa de Nazca) geram sismos que facilmente são sentidos nos estado do Acre, oeste de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com magnitude que podem ultrapassar 5,0. No entanto, pela baixa densidade populacional nem sempre passa a ser matéria jornalística.

Por vezes, os reflexos destes sismos na costa da Cordilheira dos Andes podem ser percebidos em áreas mais longínquas. Como em 2011 na cidade de Campinas no Estado e São Paulo, onde pessoas nas áreas mais altas dos edifícios sentiram as vibrações de um tremor de 6,2 na Bolívia.

Um tremor de terra de 3.9 de magnitude teve como epicentro o município de Delfinópolis, no Sul de Minas Gerais, na tarde da segunda-feira (20 /05). O abalo foi registrado às 16h46 pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB) e pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Minutos após o terremoto no município, moradores de cidades vizinhas, entre elas Passos, São Roque de Minas e Sacramento, relataram ter sentido o abalo. Um pouco mais distante, em Uberlândia, Jacuí e Vargem Bonita, o tremor também pôde ser sentido. O mesmo aconteceu em Pintópolis, cidade que dista 777 quilômetros do epicentro.

Em municípios do interior paulista, entre eles Franca e Vargem Grande também foram possíveis sentir o tremer. Ao todo, 37 estações sismológicas detectaram o evento, entre elas duas que estão presentes no Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro. Não há informações de que alguém tenha se ferido.

Cabe ressaltar ainda que terremotos não precisam necessariamente ter seu hipocentro na zona limítrofe das placas tectônicas, pois na própria formação da crosta terrestre, na parte superior e visível da placa, também existem falhas geológicas na qual ocorrem ou ocorreram deslocamento relativos entre dois blocos podendo ser muito localizado ou atingir extensões continentais submetidas a processos de tensão durante milhares de anos.

Como exemplo, temos os frequentes tremores nas nossas bacias marginais offshore, na camada de sal que isola nossas reservas petrolíferas, contemplada por um grande número de falhas em sua porção mais superior que pode gerar sismos acima de 5,0 de magnitude e aproximadamente 250 km da costa brasileira.

O risco de um terremoto ser ou não catastrófico não este somente ligado à intensidade do mesmo mais também a política de preparo da população do local atingido. Tratando-se de um fenômeno puramente natural, cujo motor nos remete à parte interna do planeta é impossível prever com exatidão, pois pouco se conhece sobre as dinâmicas envolvidas.

No Brasil já não é possível descartar a ocorrência de outros terremotos. Por definição, um terremoto é classificado como tal quando envolve um processo de geração e propagação de ondas sísmicas no interior e na superfície terrestre e que pode ter proporções catastróficas. Logo, sua origem pode ou não estar ligada as placas tectônicas ou litosféricas.

As placas tectônicas, que possuem em média 100 km de espessura e composição rochosa se movimentam de forma contínua, na ordem de centímetros por ano com velocidades irregulares. Por exemplo, a placa sul-americana, na região equatorial, possui um movimento estimado em 7 cm por ano, enquanto na latitude próximo do Estado de São Paulo não chega a 2 cm por ano. Estes movimentos, dependendo da influência do manto terrestre e, por consequência, do local do globo podem ser de afastamento, de choque ou lateral.

Logo, nestes movimentos quando se atinge o limite de resistência da rocha que a compõe ocorre uma ruptura (falha geológica), e o movimento repentino entre os blocos de cada lado da ruptura geram as vibrações que se propagam em todas as direções. O ponto onde ocorreu a geração deste sismo é denominado de hipocentro enquanto que sua projeção na superfície é denominada de foco ou epicentro.

É fato, portanto que os grandes terremotos sempre estarão associados aos limites das placas tectônicas o que logicamente já configura áreas como estas como aquelas de risco, tais como a região do Chile, oeste dos Estados Unidos, Japão, China, Haiti, etc. No entanto o risco de consequências trágicas aumenta em função do despreparo do país para enfrentar esta situação.



Fonte: Vininha F.Carvalho 

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