segunda-feira, 22 de abril de 2019

Prédios verdes: construções mudam a economia e a qualidade de vida por meio da sustentabilidade


Há uma tendência crescente de projetos para construções verdes no Brasil. A sustentabilidade é uma questão que engloba a melhora na qualidade de vida e uma série de vantagens econômicas, beneficiando pessoas e governos. Não é a toa que mais e mais projetos abraçam a ideia a cada ano. O Brasil já mantém a posição de quarto país com o maior número de construções certificadas LEED no mundo, que são aquelas que atendem a rigorosos critérios de edificação que contribuem para a sustentabilidade da região.

O país já possui essa posição há alguns anos, e hoje tem mais de 460 empreendimentos certificados. Isso significa mais de 14,8 milhões de metros quadrados beneficiados por um cenário urbano permeado pelo verde. Os dados são da U.S. Green Building Council (USGBC). A lista considera países fora dos EUA, e os primeiros colocados são China, Canadá e Índia.

Fato é que prédios verdes são benéficos para a sociedade em diversas frentes. Esse já não é apenas um ponto de vista daqueles preocupados com o meio ambiente. É fato comprovado cientifica, social e economicamente. Os municípios são os mais beneficiados pelas construções sustentáveis. A economia de energia, para citar um exemplo, chega a aproximadamente 30% se comparando um prédio verde e um comum. No quesito de água, a economia pode chegar a 40% dos valores.

A eficiência energética serve bem aos municípios, sobretudo em locais onde há limitações de produção de energia, como áreas com falta de chuva, onde a principal fonte de energia são as hidrelétricas. Uma construção verde possibilita o controle da água da chuva que cai no terreno, criando áreas permeáveis e de escoamento natural, graças aos gramados.

Isso auxilia em problemas de enchentes, já que os sistemas de escoamento públicos não dão conta de absorver essa água em excesso. Além disso, a água ainda pode ser captada por sistemas de irrigação que irão manter as vegetações em períodos mais secos, sem a necessidade do consumo vir do abastecimento público.

Um edifício verde pode ser novo ou reformado. Pode conter melhorias que auxiliam o consumo de água, de energia, na coleta de resíduos e possuir vegetação interior e exterior. A proposta é que a vegetação contribua para a melhoria do ecossistema formado dentro de uma grande cidade. É uma melhora ambiental que traz ganhos visíveis ao cotidiano.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Harvard, a HEALTHfx, buscou calcular os ganhos que essa economia geram para a saúde e meio ambiente, por 16 anos, usando EUA, China, Índia, Brasil, Alemanha e Turquia como amostra. O estudo apontou que construções sustentáveis geraram US$ 6 bilhões em benefícios combinados para a saúde e clima, graças à redução de emissões de gases poluentes. Não é a toa que três dos quatro países com maiores números de certificações LEED são observados no estudo.

As construções verdes evitam a emissão de 33 mil toneladas de CO2 por ano, no mundo todo. Isso é equivalente à retirada de mais de 7 milhões de veículos automotivos de circulação. A redução dos poluentes gera menos internações por problemas respiratórios, menos gastos na lida com o impacto climático, como do efeito estufa, simplesmente por possibilitar o próprio ambiente lidar com os gases emitidos.

São US$ 7,5 milhões economizados em energia. O estudo avaliou prédios com apenas uma LEED, sendo que há alguns que possuem mais de uma, e outros que não possuem a certificação por detalhes técnicos, mas ainda são construções verdes. Os prédios analisados representam aproximadamente 1/3 das construções verdes existentes nesses locais, mostrando que a economia é muito maior do que apontam os números.

Falando do benefício pessoal, há uma melhoria muito grande na qualidade interna do ar, no conforto térmico para quem está dentro do prédio, e ainda são criados espaços de respiro nas construções e nas cidades, evitando as ilhas de calor formadas pela retenção que o concreto traz. Esse calor, disperso, diminui a necessidade do uso de ar condicionado, por exemplo.

Um benefício leva a outro, e aos poucos a sustentabilidade mostra que esse tipo de construção melhora a vida de quem mora nas grandes metrópoles na saúde, no bolso, no conforto e na praticidade, sem falar da beleza que rompe com o cinza cotidiano. Investir em prédios verdes é bom para a construção de cidades melhores.


Fonte: Danny Braz - engenheiro civil, consultor internacional com foco em construções verdes e diretor geral da empresa Regatec.

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