quarta-feira, 27 de março de 2019

Estudos mostram que boas práticas no uso dos recursos naturais fazem a diferença na conservação da água


Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta de água em 2025, se o consumo do planeta continuar nos níveis atuais. O estudo atribui essa condição à má administração dos recursos hídricos, ao crescimento populacional e às mudanças climáticas. As boas práticas agrícolas e a gestão consciente dos recursos naturais mostraram ser um dos caminhos para reduzir esses números alarmantes. Para comprovar, a Fundação Espaço ECO realizou estudos com alguns de seus principais clientes e parceiros.

Uma das pesquisas, elaborada por meio de uma parceria com a Fundação Toyota do Brasil, mostrou que nos últimos oito anos algumas cidades do interior de São Paulo fizeram uma economia de 716 milhões de litros de água. Essa economia foi resultado do projeto Ambientação - desenvolvido pelo braço social da montadora japonesa que, por meio de uma metodologia da Toyota, propõe soluções sustentáveis para economia de água, energia e gerenciamento de resíduos.

A Fundação Espaço ECO, instituída pela BASF, atua como consultora de sustentabilidade e desenvolve para as organizações projetos e pesquisas que ajudam a medir e compreender os impactos ambientais, sociais e econômicos de produtos e processos, com base no pensamento de Ciclo de Vida (ACV).

- Projeto Ambientação:

O Projeto Ambientação, realizado pela Fundação Toyota do Brasil, tem como objetivo desenvolver ações que promovam a educação em questões ambientais como o consumo consciente de recursos naturais (água e energia elétrica) e o gerenciamento de resíduos dentro de prédios públicos, organizações não governamentais e na comunidade. A Fundação Espaço ECO está como parceira desse projeto desde 2017 e tem o papel de levantar, por meio de estudos, os impactos provocados pela ação em todo o ciclo de vida, ou seja, os impactos diretos e os indiretos.

De acordo com o estudo, o volume de água economizado nos últimos 8 anos equivale a 3,4 milhões de ciclos de uma lava-roupa. Ou seja, volume suficiente para lavar a roupa de mais de 275 mil habitantes, o equivalente a 33% da população da cidade de São Bernardo do Campo por um ano. 

"Esses resultados demonstram de forma mais palpável as reduções que temos conquistado a cada ano. Não se trata apenas de economia. O Ambientação é educação ambiental, consciência, transformação pessoal e social", afirma Elaine Marques, coordenadora do projeto Ambientação.

Segundo Max Silva, especialista responsável pelo estudo na Fundação Espaço ECO, "A iniciativa evitou o consumo de 3.334 GJ (GigaJoule) de energia que seria necessário para as etapas de captação, tratamento, produção de insumos químicos e distribuição da água tratada. Esta é a importância do conceito de Pensamento de Ciclo de vida que oferece a oportunidade de ampliar a visão sobre o impacto direto e indireto na escolha de produtos e serviços que consumimos".

O estudo da Fundação Espaço ECO identificou que por meio do projeto da Fundação Toyota do Brasil foi evitada a emissão de 306 toneladas de CO2 na atmosfera. Esse volume equivale a 4 minutos de emissões veiculares do Município de São Paulo, considerando a frota de quase 30 milhões de veículos. Ou seja, o equivalente à 4 minutos sem que haja nenhum veículo circulando na cidade de São Paulo.

- Agricultura Consciente:

As práticas agrícolas adotadas pelos agricultores associados da ASPIPP (Associação do Sudoeste Paulista de Irrigação e Plantio na Palha), se utiliza de uma tecnologia introduzida no Brasil na década de 70 e, por meio dela, comprovaram a importância de um bom manejo do solo para conservação da água.

O manejo agrícola adotados por eles são as boas práticas agrícolas para a conservação do solo, cultivo por plantio direto - que não precisa "revirar" o solo e o uso de irrigação de forma complementar. Essas técnicas contribuem para melhorar a qualidade do solo, e, por consequência, permite uma melhor infiltração da água da chuva no solo e o abastecimento dos lençóis freáticos. Isto garante uma maior constância no volume de água que das nascentes ao longo de todo o ano.

"O manejo de solo utilizado pela ASPIPP, junto com a conservação de áreas de preservação permanentes, tem um papel protagonista para a conservação do solo e água. Se a água escorre de uma vez após uma chuva, você tem um pico de água momentâneo nos cursos d'água, mas ao longo do tempo o lençol freático, não abastecido, fará com que as nascentes não tenham força e constância ao longo do ano, principalmente nas épocas de estiagem", explica o consultor de sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio.

Esta constatação foi possível devido à realização de comparações, por meio de estudos utilizando o geoprocessamento, entre as práticas agrícolas adotadas pelos Associados ASPIPP com outros manejos agrícolas convencionais. Os estudos fazem parte do projeto "Práticas agrícolas ASPIPP - por uma agricultura sustentável", fruto da parceria entre ASPIPP, Cooperativa Holambra, BASF e Fundação Espaço Eco.

O padrão de chuva da região - que costuma apresentar um volume anual de 1.200mm a 1.400mm - possui um padrão de distribuição desfavorável para agricultura por ser muito concentrada em poucos meses. Com a utilização de pequeno reservatório para produção de alimentos – que represa o excesso de água que ocorre durante a estação chuvosa - é possível ter água para a irrigação nos períodos de seca, e isso, associado ao plantio direto, vem possibilitando o desenvolvimento de uma agricultura com alta produtividade.


Fonte: Camila Thomazette

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