terça-feira, 6 de novembro de 2018

Dislexia e Hiperatividade serão temas de palestra e obras no Pixel Show 2018


Estima-se que 20% da população mundial sejam disléxicas. A dislexia é uma dificuldade no processo de associação, compreensão e reconhecimento de símbolos ou fonemas. Seria ela, então, um impedimento para realizar tarefas com artefatos geométricos e formatos complexos?

É exatamente esse o trabalho de Eric Stanley, disléxico, artista, professor de artes plásticas da Universidade de Virgínia (EUA) e palestrante do Pixel Show 2018. No maior festival de criatividade da América Latina, ele vai expor o processo de criação de suas obras em 3D feitas com papéis cortados a laser. As formas geométricas e em ornamentação arquitetônica são empilhadas meticulosamente em mais de 100 camadas de papel. O resultado é rico em detalhes perfeitos e matemáticos.


Para Stanley, a arte foi uma forma de canalizar a dislexia, notada desde criança pelos pais engenheiros. “Meu cérebro está preparado para processar pensamentos que dependam de memória visual, improvisação e associações de histórias. Eu tenho a habilidade de me concentrar em certas tarefas mentais, preencher os espaços entre a percepção e o desconhecido, e ser consistentemente empático em situações sociais. Esses são atributos de ser disléxico, e tenho a sorte de poder aplicá-los livremente ao propósito da minha existência”, comenta.

- Obra de Eric Stanley:

O uso do papel, em vez de materiais mais robustos e tecnológicos, expressa ainda delicadeza e fragilidade. “Eu escolho fazer esses arquétipos usando papel para retratar a fragilidade que eu considero uma qualidade humana”, explica. Os participantes do Pixel Show 2018 vão poder conferir as obras reais do artista de perto.

No mesmo auditório em que Eric falará da dislexia, Pol Kurucz, fotógrafo e diretor de arte, apresentará a sua hiperatividade. Nascido na Hungria e criado na França, Pol vive no Brasil há cinco anos, onde fundou o Coletivo Kolor, uma produtora de eventos de arte. O projeto cresceu e está incluindo também ensaios autorais e trabalhos temáticos, sempre com foco na extrema qualidade das imagens. O fotógrafo já conduziu projetos com grandes publicações, como The Guardian, Vogue, ELLE, Glamour, Marie Claire, TV Globo, entre outros. 


- Fotografias de Pol Kurucz:

Mas em sua palestra, ele vai mostrar como a hiperatividade o faz fugir de processos criativos convencionais, abusando de cores e formatos. “Justamente por ser hiperativo, preciso de mais diversidade e intensidade em tudo o que eu faço para conseguir manter minha atenção. Por isso minhas escolhas são mais chocantes ou surpreendentes”, diz.

Deixando de lado essa condição, Pol acredita que para produzir obras inovadoras basta deixar a personalidade se expressar. “Para fazer algo interessante, devemos projetar a nossa alma. Por isso, no meu caso, meu trabalho pode ser considerado agitado, gritante”.

Eric e Pol serão keynotes do auditório principal do Pixel Show 2018, maior festival de criatividade da América Latina, que acontece em São Paulo nos dias 10 e 11 de novembro. 

O evento espera reunir mais de 40 mil pessoas nas atividades gratuitas e nas palestras da Conferência Internacional e workshops. O objetivo do Pixel Show é incentivar os criativos a construírem um legado e deixarem um país e mundo melhor para as futuras gerações.


- Serviço: 

- 14º  Festival Internacional de Criatividade Pixel Show


- 10 e 11 de novembro de 2018, das 8h às 22h


- Espaço Pro Magno – Casa Verde, São Paulo


- Transporte gratuito a partir do metro Barra Funda


- Entrada grátis – Feira de criatividade, SharpTalks e shows de música


- Atrações pagas – Palestras da Conferência, workshops e teatro




Fonte: Bianca Bordignon


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