quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Metas excessivas podem ser a causa da depressão no mundo corporativo


Em 2016, quase 200 mil trabalhadores foram afastados dos postos de trabalho, com diagnóstico de depressão, transtorno bipolar, ansiedade e estresse, de acordo com estudos realizados pelo Ministério da Previdência Social, pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho e pela Associação Brasileira de Psiquiatria. A depressão, por exemplo, afastou quase 75.300 trabalhadores no ano passado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou um documento com dados relevantes sobre esta problemática. Até 2030 a depressão será a doença mais comum no mundo, superando outras, tão graves como, por exemplo, o câncer. Hoje, ela é apontadada como a quarta causa de incapacitação no mundo inteiro.

No mesmo documento, a OMS também alerta para as consequências econômicas e sociais desta situação - altos gastos com tratamento da população, perda da produtividade e pagamentos de benefícios em função dos afastamentos dos postos de trabalho, visto que os estudos apontam que muitos casos depressivos, e de outros transtornos de comportamento, foram desencadeados no próprio ambiente laboral, ou seja, foram considerados acidentes de trabalho.

Diante dessa problemática, Viviane Narducci, diretora da Narducci Consulting e PHD em Gestão pela FGV, questiona: até que ponto as metas, pressões e desafios no ambiente de trabalho são produtivos?

Para a especialista, não podemos ignorar os números. É premente aceitar que tais fatos ultrapassam a fronteira da medicina e passam, também, a ser preocupação e responsabilidade das empresas. “Os desafios podem ser saudáveis desde que os limites individuais sejam respeitados. É ilusão um empregador acreditar que existem profissionais sem limites e capazes de aguentar qualquer tipo de pressão. É preciso entender que todos perdem quando o limite do estresse é ultrapassado”.

Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais estão em terceiro lugar, entre as causas de concessão de benefícios, como auxílio doença, aposentadorias por invalidez e afastamento do trabalho por 15 dias.

Tudo isso, comprova que as empresas precisam se atentar para essa questão que traz prejuízos não só para o profissional, mas também para as empresas e para o país. 


“Vivemos num momento em que as empresas buscam talentos “acima da média”. Mas para que seus resultados sejam alcançados, é importante lembrar que depois de encontrá-los, é necessário mantê-los produtivos”, explica a especialista.



Fonte: Viviane Narducci - PHD e Mestre em Administração de Empresas pela Escola de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EBAPE –FGV).

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