segunda-feira, 28 de maio de 2018

O novo perfil do Advogado


É inegável que todos nós, pessoas, profissionais e empresas estamos tendo que nos adaptar ao volume enorme de informações que nos bombardeia diariamente e principalmente à aceleração do ritmo de todas as mudanças que nossa sociedade está enfrentando.

O crescimento exponencial das informações no meio digital tais como: decisões judiciais; peças processuais; contratos; jurisprudências e principalmente os e-mails, criam por si só uma dificuldade crescente na busca, identificação correta e análise das informações relevantes para as necessidades de um advogado. 


Por outro lado, as funções principais de um advogado, que são: a capacidade de análise das informações; a síntese das ideias; a elaboração dos argumentos e por final a expressão em palavras (principalmente escritas) na elaboração dos documentos jurídicos ainda dependem do cérebro humano, com suas limitações.

Outros dois fatores importantes também pressionam cada vez mais a profissão da advocacia: o primeiro é a eficácia (pressão exercida pelos clientes para que suas soluções sejam corretas e cada vez mais rápidas) e o segundo é a pressão exercida pela concorrência e pelos próprios, forçando os profissionais a gerirem melhor seus custos e oferecerem preços mais competitivos.

O grande diferenciador no passado era a qualidade (lembro que há duas décadas, existiam poucos escritórios corporativos com qualidade internacional no Brasil) e atualmente existem centenas de ótimos escritórios concorrendo num mercado que cresceu menos que o aumento expressivo da oferta de serviços jurídicos de qualidade.

Com a mudança no comportamento do mercado, se tornando mais musculoso e maduro (se aproximando do comportamento dos outros mercados competitivos), a percepção da qualidade geral do serviço prestado se dá por um mescla de fatores onde a qualidade jurídica, apesar de ser o mais importante, não é mais o único fator de diferenciação. 


Outros fatores como atendimento, responsividade, entendimento do negócio do cliente, capacidade gerencial, inovação, uso de tecnologia e finalmente imagem da marca também interferem diretamente na satisfação do cliente

Como se tudo isso não bastasse, ainda existe a pressão exercida pela própria mudança no comportamento da sociedade, cada vez mais conectada com tudo, todos e ao mesmo tempo, gerando mais e mais a sensação de urgência e expectativa por resultados imediatos em toda ela.

A tecnologia é encarada pelo advogado (e não poderia ser de outra forma) como um meio e não como um fim e deve ser utilizada como uma ferramenta poderosíssima para melhoria da eficiência e eficácia na profissão.

Nas três vertentes possíveis da carreira do Direito, ou seja, carreira pública, carreira corporativa ou ainda carreira solo ou societária (em escritórios), os conhecimentos em gestão e governança se tornaram tão importantes quanto o desenvolvimento técnico jurídico. Cada vez mais está se dividindo os ramos do direito não mais pela forma tradicional, ou seja, Cível, Trabalhista, Tributário etc., e sim pelos ramos da economia (Tecnologia, Comunicação, Agro etc.).

Dessa forma, o advogado mais completo, que será mais competitivo deverá estar preparado para os desafios de sua profissão e além do conhecimento jurídico, também deverá ter.

Conhecimentos Gerenciais: conhecer e saber utilizar as técnicas de gestão de uma empresa moderna inserida no mercado competitivo.

- Conhecimentos mais abrangentes em matérias associadas às relações humanas de modo a gerenciar melhor sua equipe e seus talentos pela adoção de desafios motivadores e utilização “KPI´s” específicos além de planos de carreira moderno e adaptado à novas gerações.

- Melhores conhecimentos de Marketing institucional e pessoal de modo a incrementar sua participação no mercado por meio das modernas técnicas de participação e projeção na mídia digital.

- Melhor formação em gestão empresarial para gerir econômica, financeira e estrategicamente sua empresa com auxílio de softwares de ERP, BI etc.

Atualização Tecnológica: conhecer e saber utilizar as novas tecnologias, sabendo extrair delas o máximo proveito para:

- Encontrar agilmente as informações necessárias à produção de seu documento jurídico pela ajuda de robôs de busca e/ou softwares de inteligência cognitiva.

- Organizar e utilizar corretamente seu conhecimento estratégico (explicito e tácito), com utilização de sistemas de Gestão do Conhecimento (KM).

- Usar intensivamente sistemas de predição, analisando estatisticamente dados internos e externos, jurisprudências e decisões anteriores de tribunais e magistrados.

- Utilizar as tecnologias de geração de seus documentos por meio de softwares de “document automation” agilizando a produção e análise de documentos.

- Utilizar modernas ferramentas de comunicação e de colaboração interna entre seus profissionais e externas com clientes e parceiros, visando sempre o aumento da eficiência e produtividade.

Apesar da tecnologia ser apenas uma ferramenta, todas as atividades jurídicas ou gerenciais serão utilizadas e geridas por advogados com auxílio de softwares e sistemas inteligentes o que exigirá dos mesmos uma formação muito mais eclética, muito além da formação puramente técnica a que tais profissionais estão sendo submetidos nas universidades atualmente, para não correr o risco de se tornar um profissional jurássico.


Autoria: José Paulo Graciotti é consultor, autor do livro “Governança Estratégica para escritórios de Advocacia”, sócio da GRACIOTTI Assessoria Empresarial, membro da ILTA– International Legal Technology Association e da ALA – Association of Legal Administrators. Há mais de 28 anos implanta e gerencia escritórios de advocacia.

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