Home office impulsiona busca por imóveis maiores




A rotina de trabalho flexível alterou a lógica de escolha da moradia nas grandes cidades. A proximidade física com a sede da empresa deixou de ser o fator determinante na compra de uma casa ou apartamento, dando lugar à necessidade imediata de um cômodo exclusivo para trabalho. 

Essa corrida por espaço tem números para provar: um levantamento do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos EUA (NBER) mostrou que o home office respondeu por mais de 50% de toda a disparada nos preços dos imóveis nos últimos anos. 

Na prática, cada 1% a mais de pessoas trabalhando em casa empurrou os valores residenciais quase 1% para cima, impulsionado pela urgência de ter um quarto a mais na planta.

Trabalhar na mesa de jantar ou dividir o espaço da sala com a rotina doméstica virou uma fonte de desgaste diário. Para quem precisa de silêncio em reuniões e estabilidade no dia a dia, ter um quarto extra reservado para a atividade profissional tornou-se prioridade na hora de buscar um novo endereço.

Conseguir mais espaço dentro do orçamento virou o principal obstáculo dessa transição. Quando o comprador busca uma planta maior nas imobiliárias, o valor da entrada e os juros do financiamento costumam travar o negócio. Diante dessa barreira, a saída tem sido buscar imóveis em canais de venda menos convencionais.

Reconfiguração da planta ideal para o trabalho em casa:

A dinâmica doméstica agora precisa acomodar jornadas completas de produção. Apartamentos funcionais e compactos de 35 a 45 metros quadrados, projetados apenas para trabalhar fora e dormir, perderam atratividade para famílias que passam o dia inteiro dentro de casa.

As novas exigências de compra passaram a priorizar características funcionais, como terceiro dormitório ou escritório isolado, boa incidência de luz solar e ventilação, espaço externo ou quintal e capacidade elétrica e cabeamento. Os dados do NBER comprovam que essa pressão se concentrou de forma desproporcional nos imóveis de maior metragem: a procura por plantas amplas superou com folga a de apartamentos compactos, enquanto a demanda por escritórios corporativos recuou, consolidando a moradia como a principal infraestrutura de trabalho.

Na busca por suprir essa lista de demandas sem pagar o valor total de tabela, muitos interessados passaram a monitorar processos públicos. Uma das alternativas mais procuradas para encontrar imóveis amplos com deságio considerável é o leilão de imóveis judiciais, que disponibiliza patrimônios decorrentes de execuções cíveis e trabalhistas com preços atrativos de arrematação.

Estratégias para driblar o preço do metro quadrado:

Subir de metragem nas capitais mantendo o orçamento sob controle exige pesquisa fora do circuito padrão. Se uma família decide migrar de um apartamento de dois quartos para uma casa de três dormitórios, a diferença de valor no mercado tradicional pode inviabilizar o plano.

Por conta disso, o estoque de ativos retomados por instituições financeiras ganhou a atenção do comprador final. É comum encontrar oportunidades em eventos como o leilão de imóveis Itaú, onde unidades desocupadas entram em editais de liquidação rápida, permitindo que a economia obtida na compra seja direcionada para reformas de adaptação e mobília de escritório.

Adaptação regional e novas escolhas de endereço

A aceitação de deslocamentos pontuais — indo ao escritório apenas uma ou duas vezes na semana — permitiu expandir o raio de busca para bairros residenciais mais tranquilos, condomínios fechados e zonas periféricas estruturadas.

Em grandes centros, essa migração interna movimentou o setor. Compradores que antes competiam por estúdios centrais agora disputam lotes e sobrados no leilão de imóveis em SP, buscando plantas clássicas dos anos 80 e 90 que oferecem cômodos amplos, pés-direitos altos e área de quintal.

A mudança de comportamento veio para ficar. O imóvel residencial passou a ser encarado como a principal ferramenta de trabalho de muitas famílias, e a busca por espaço continuará ditando as melhores decisões de compra e investimento.


Fonte: Ana Beatriz