quinta-feira, 2 de julho de 2020

A sustentabilidade é o único caminho



Não é de hoje que a pauta de meio ambiente tem dominado debates de políticas mundiais. Isso é bom – sem políticas públicas adequadas levaremos mais para avançar. Mas o diálogo nem sempre é fácil: a famosa polarização impede o avanço: de um lado os defensores da conservação ambiental, do outro quem entende a importância da economia em primeiro plano.

Por que insistir que a agenda ambiental tem que conflitar com o progresso econômico, com o agronegócio, com a construção? Essa ditadura do “ou” precisa dar espaço para a colaboração do “e”. A pergunta é como podemos criar soluções que permitam avanços para todos?

O próprio setor que eu faço parte passa por mudanças intensas, talvez as maiores do século, e sustentabilidade está no centro delas. Estamos diante de um cliente que repensa suas práticas e consumo. 

Os carros híbridos (que alternam combustível fóssil com energia autogerada) são uma realidade desde 1997. O primeiro modelo, hoje, divide espaço com 15 milhões de carros eletrificados no mundo e a Toyota avança na construção de uma sociedade à base de hidrogênio, ou seja, que tenha índice de poluição perto de zero.

Mas voltemos ao ponto central - estudos recentes (como o The Global Risks Report 2020, publicado pelo Fórum Econômico Mundial) têm apontado que os principais riscos a longo prazo no mundo estão ligados a prejuízos ao meio ambiente. Clima extremo, desastres naturais, perda de biodiversidade e crise hídrica estão no topo das preocupações.

Mais da metade do PIB total do mundo (cerca de U$ 44 tri) é dependente da natureza, tais como os setores de construção, agropecuária e alimentos & bebidas, que geram U$ 8, 4, e 2,5 tri, respectivamente, em valor agregado bruto a cada ano.

No Brasil não é diferente. O Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil (2018) aponta que o valor econômico do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos foi estimado em R$ 43 bi. Mais uma evidência de que a economia não avançará, se não estiver em harmonia com o meio. A Covid-19 que o diga. O cenário atual demonstra que não estamos preparados para os desequilíbrios ambientais e nossa relação com a vida silvestre é perigosa.

Precisamos acelerar a busca de respostas. Que elas venham da nossa atividade direta ou das boas práticas das empresas. Aqui no Sudeste, onde a Fundação Toyota realiza o projeto Águas da Mantiqueira, em parceria com a Fundepag, a agrofloresta – sistema de plantio de espécies agrícolas e florestais em um mesmo local – tem se mostrado uma alternativa econômica e ambiental viável. São possibilidades que têm o potencial de ampliar a capacidade de produção de alimentos e avanço na infraestrutura verde.

A gente precisa estimular a ciência e usá-la para ampliar caminhos e soluções. O mundo está mudando e se torna cada vez mais evidente a urgência da busca pela construção sustentável para as condições de vida no planeta. É o momento de transformar o mundo no lugar que ele deve ser. A sustentabilidade é o único caminho. Só precisamos admitir que ele é o mais rápido, melhor e menos custoso.

                                                     

Fonte: Viviane Mansi é Presidente da Fundação Toyota do Brasil

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